AutoData - Modal rodoviário seguirá relevante nos próximos cinco anos
news
20/03/2017

Modal rodoviário seguirá relevante nos próximos cinco anos

Por Bruno de Oliveira

- 20/03/2017

Os 224,2 milhões de toneladas de grãos da supersafra projetada para este ano, mais do que posicionar o agronegócio brasileiro como o mais importante do planeta escancara as deficiências da infraestrutura de transporte do País. Persiste ainda, por exemplo, a dependência do modal rodoviário para o escoamento da produção agrícola rumo aos portos e analistas enxergam a manutenção deste cenário nos próximos cinco anos.

Atualmente o custo logístico responde por 12,2% do PIB, Produto Interno Bruto, do Brasil, valor que chega a ser quatro vezes maior do que em mercados vizinhos, como a Argentina. O valor, segundo Mônica Corrêa, da consultoria Ilos, especializada em logística, diminui a competitividade do mercado nacional nas exportações e, no outro extremo, reduz a margem do produtor.

“No mundo ideal o transporte da produção por caminhões tem de ser feito em pequenas distâncias, fato que hoje, no Brasil, não ocorre. E isto encarece o custo da operação logística aqui e diminui a margem do agricultor.”

O mundo ideal citado pela consultora seria equiparar o cenário brasileiro ao que existe nos Estados Unidos, o que na prática implicaria fazer baixar o volume de movimentação de cargas por rodovias, de 65% para 43%, e aumentar o transporte por ferrovias de 20% para 30%. Se isso fosse possível o custo de transporte no Brasil, que hoje é de R$ 764 bilhões, sofreria uma redução de 20%, caindo para R$ 611 bilhões, segundo dados da consultoria Ilos.

Gastos com transporte representam 6,9% do custo logístico praticado no Brasil.

Nem o pacote de concessões anunciado há duas semanas pelo governo federal, que prevê investimentos de R$ 45 bilhões e que devem ser aplicados em 55 projetos, deve melhorar a competitividade logística do País.

Especialista no tema, Paulo Resende, professor da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, MG, disse que haverá a manutenção da infraestrutura atual mesmo com as safras sendo cada vez maiores. Episódios como o do encalhe de soja na BR-163, que causou prejuízos de R$ 350 milhões, de acordo com o Ministério da Agricultura, podem se tornar cada vez mais recorrentes, segundo ele.

“O custo para retirar a safra do campo e levá-la a um terminal portuário mais do que triplicou nos últimos dez anos até 2013: a despesa saiu de US$ 28 para US$ 92 por tonelada, um acréscimo de 228,5%. Ainda que sejam anunciados projetos em portos e ferrovias os efeitos de uma melhoria na infraestrutura nacional só serão sentidos no longo prazo. A dependência do modal rodoviário continuará por muito tempo. O uso do caminhão é importante num contexto mais regional, para levar a produção até um terminal ferroviário ou hidroviário. Isso é mais eficiente do que aquilo que temos hoje.”


Whatsapp Logo