O diretor de marketing e comunicação Luis Fernando Guidorzi falou sobre o planejamento para a operação local, que já tem produção nacional confirmada
São Paulo – Como cada companhia de origem chinesa impõe seu próprio ritmo neste desembarque ao mercado brasieiro é normal achar que uma está indo com mais ou menos sede ao pote. Em menos de um ano de mercado a GAC lançou seis modelos, atualizou um deles e confirmou sua produção local em parceria com a HPE, na fábrica de Catalão, GO. Foi atrás do clube de maior torcida do Brasil, o Flamengo, e passou a estampar sua marca no calção do uniforme. E projeta vender 20 mil unidades ainda em 2026.
Pode não ser o plano mais acelerado em implantação no Brasil, mas certamente é robusto e ousado. E seu diretor de marketing e comunicação, Luis Fernando Guidorzi, garante estar pensando no longo prazo.
Em conversa com o Agência AD Entrevista, durante o lançamento da versão 2027 do Hyptec HT, atualizado em menos de um ano no mercado, o executivo falou um pouco dos planos e da expectativa da matriz com a operação brasileira da GAC.
Como está o desempenho de vendas da GAC no mercado brasileiro?
Em maio completaremos um ano de mercado. Há um ano lançamos cinco produtos de uma vez, mas só em julho tivemos um mês completo de vendas. De julho a dezembro vendemos mais de 5 mil carros no atacado e 4 mil carros, 3 mil e alguma coisa no varejo. Minha avaliação é que começamos bem, uma nova rede, uma nova marca. Comparando com nossos competidores, estamos acima no período.
Vocês têm projeção de vendas para 2026?
O ano começou bom com a chegada do GS3. Com ele triplicamos o volume de pessoas nas lojas, chegamos a ter seiscentas, setecentas pessoas em um fim de semana em lojas nossas. Chegamos a vender duzentos carros em um sábado, quase três vezes mais do que vendíamos anteriormente. E o público não foi comprar só o GS3: trouxe mais vendas para o Aion V, para o GS4, os outros produtos foram impulsionados. Nossa intenção é chegar a cerca de 20 mil carros vendidos no ano.
Como está a rede de concessionárias? Crescerá mais? Para onde?
Estamos já em todas as regiões do Brasil. Restam quatro estados que, com a chegada do GS3, a tendência é avançarmos, irmos também mais para o Interior. Temos em torno de cinquenta a sessenta lojas abertas, com vendas e pós-vendas, completas. A tendência é que até o final do ano passemos das cem concessionárias e, para 2027, chegar a duzentas lojas no Brasil todo.
Vocês começaram o ano apresentando o GS3, depois veio o Hyptec HT linha 2027. Qual é o planejamento de produto para o resto do ano?
Vamos lá: agora, em abril, lançamos o HT. Ainda no final deste trimestre chegará o Aion UT, um compacto 100% elétrico e no segundo semestre dois lançamentos, dois SUVs grandes. São carros inéditos, não é facelift, e trarão tecnologias novas. Então são quatro produtos inéditos para a linha GAC.
Vocês estão desenvolvendo motor flex para os modelos a combustão?
A engenharia vem trabalhando nisso, em parceria com a China. Não temos ainda data de lançamento, mas há um trabalho forte neste sentido já há alguns meses. Em breve teremos estes produtos, para atender a necessidade dos clientes, é uma demanda do mercado.
Recentemente vocês anunciaram uma parceria com a HPE para produzir modelos GAC em Catalão. Em que fase está? Já foi decidido o primeiro modelo?
O modelo ainda não está definido, existe a discussão da engenharia com a matriz. Tivemos as primeiras conversas nos últimos dias, existem representantes nossos em Catalão reunidos com a HPE. Nossa intenção é ter tudo pronto para começar a operar em 2027.
Esta parceria seria um primeiro passo? Existem ambições maiores com o Brasil?
Digamos que a GAC tem uma tela em branco para pintar. Nosso plano no Brasil é de longo prazo, não somos aventureiros, queremos ter uma conexão com os brasileiros. Por isto estamos lançando novos produtos, trouxemos um carro a combustão que quase nenhuma concorrente chinesa tem no portfólio, fizemos a parceria com a HPE, fechamos patrocínio com o Flamengo. A tela está em branco e estamos pintando. O primeiro passo na produção local foi a parceria iniciada com a HPE, 50 mil veículos por ano. Obviamente com o mercado crescendo, tendo a necessidade de ampliar, estamos abertos a oportunidades para incrementar a nossa participação no mercado. Nada é impossível aqui para a GAC: vamos entender a demanda do mercado e trabalhar para atender o consumidor, qualquer que seja o desejo dele.
Como a matriz enxerga a operação brasileira da GAC? É prioridade?
A GAC tem uma grande operação no Oriente Médio e em alguns outros mercados, está entrando na Europa. Muitos deles como importador. Agora, a América Latina tende a ser um mercado muito importante: temos estrutura no México, na Colômbia e o Brasil tem sido referência nesta divisão overseas. Teremos produção local, novos produtos chegarão, carros adaptados para o Brasil, não simplesmente importados. A engenharia homologa mas antes mexe em suspensão, em outros itens para deixá-los com a cara do brasileiro. Temos esta liberdade,o que é um ótimo sinal. A matriz está nos suportando para que consigamos construir uma base sólida no Brasil e crescer conforme a demanda do consumidor.