Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, o sindicato nacional da indústria de componentes para veículos automotores, disse durante o seminário Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira, organizada pela editora Autodata, que o setor precisa se modernizar para atender demandas de mercados mais exigentes. “O maior desafio neste momento é quebrar o paradigma da indústria e apostar em inovação. Se em 15 anos não nos integrarmos com grandes centros, como a União Europeia, vamos estar erodindo ou deixando de ter uma indústria no Brasil.” Para Ioschpe, se o Brasil buscar competitividade sem se integrar, “seremos apenas produtores para atender um mercado doméstico, que está passando por um momento ruim”.
O dirigente afirmou que para atingir os níveis de produção que possam pavimentar o caminho da indústria nacional para outros mercados, os investimentos no setor deverão ser retomados. “Isso se dará por meio de políticas setoriais traçadas pelo governo.” O setor de autopeças espera faturar neste ano R$ 64,7 bilhões, montante que representa uma alta de 2,7% sobre o faturamento de 2016, quando entraram nos cofres das empresas R$ 63 bilhões, segundo dados do Sindipeças. A projeção positiva é baseada em oportunidades de negócios no exterior e no aftermarket, cenário que contrasta com quadro recessivo composto por estoques altos e capacidade instalada de 43% no País. O volume de investimentos feitos pelo setor nos últimos três anos, entretanto, caiu. Em 2014, foram R$ 2,4 bilhões, indo para R$ 1,85 bilhão em 2015 e R$ 1,51 bilhão no ano passado. Para 2017, o Sindipeças estima um investimento de R$ 1,55 bilhão.
Reposição e exportações são os dois segmentos que mais avançam em termos de faturamento na indústria de peças, ao contrário do que acontece com o maior cliente do setor, as montadoras. Nos últimos quatro anos, as fabricantes viram cair sua participação nas receitas das empresas de 70% para 56%. Por outro lado, reposição saltou de 15% para 22%, e exportações de 8% para 19%. Juntos, os dois segmentos injetaram no setor em 2016 R$ 25,8 bilhões, contra R$ 35,3 bilhões das montadoras.
Os segmentos de automóveis e veículos comerciais leves foram os melhores para as exportações no primeiro bimestre. No comparativo entre os dois primeiros meses de 2016 e 2017, as exportações de peças para veículos comerciais leves registraram uma alta de 122%. As de automóveis, por sua vez, tiveram alta de 69%. Caminhões e ônibus, respectivamente, tiveram alta de 26,6% e 24,2%.
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