Mesmo com a recessão econômica que puxou o desempenho de vendas para baixo nos últimos dois anos o mercado de caminhões tem grande potencial para voltar a crescer e chegar a um patamar de 140 mil caminhões emplacados por ano em médio ou longo prazo. Esta é a visão que Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, compartilhou em sua palestra sobre a política industrial automotiva brasileira, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira realizado hoje em São Paulo.
No entanto, para que esta retomada aconteça, é preciso percorrer um caminho longo e sustentável para conquistar este volume. De acordo com Schiemer, o desempenho do mercado de caminhões está atrelado diretamente à performance econômica do País. Para voltar a crescer a partir deste ano é preciso haver uma economia com bases robustas. “O Brasil precisa ser mais competitivo. É preciso diminuir as incertezas e ter mais previsibilidade das políticas públicas.”
Schiemer observou que os incentivos gerados no passado para comprar caminhão, por meio de financiamentos com juros muito baixos, apenas camuflaram o desempenho do mercado. “A consequência disto é que a crise explodiu com impacto maior depois.” Além disso, segundo executivo, neste período o Brasil criou uma distorção fiscal e gastou mais do que arrecadou. “Somando isto a corrupção, fez também que o País perdesse a credibilidade”. O executivo confidenciou, inclusive, que está cada vez mais difícil convencer a matriz alemã da Mercedes-Benz a investir por aqui.
Para o presidente, o que ajudaria o Brasil e o mercado de caminhões seria primeiramente mais previsibilidade por meio de um sistema de leis menos complexos. “O governo está empenhado em melhorar. Um exemplo é a intenção de realizar a reforma trabalhista e isto ajudaria na contratação de mão de obra. As regras que existem hoje não beneficiam nem a indústria e nem o empregado.”
A retomada da indústria de caminhões, no entanto, virá por meio de investimentos e não pelo consumo. Segundo o presidente da Mercedes-Benz, o desemprego que hoje atinge 12 milhões de pessoas e o grau de endividamento das famílias brasileiras só endossam o fato de que o governo precisará colocar em prática obras de infraestrutura em portos, aeroportos, estradas e ferrovias. “Isto fomentará a venda de caminhões e ainda resolverá problemas de infraestrutura que só atrapalham o escoamento da economia.”
Investimentos em melhorias de estradas, aumentaria a competitividade do País no setor de agronegócio e diminuiria o custo Brasil. “Hoje o que temos é um país com mais facilidade para plantar e colher a safra do que escoar. Estradas sem conservação e enormes filas para descarregar a carga só atrapalham os negócios dos transportadores.” Outra saída para o mercado de caminhões e também para a conquista de uma operação de transporte mais eficiente seria um programa de renovação de frotas que tirasse de circulação os cerca de 230 mil caminhões que possuem idade média de 20 anos.
O presidente da Mercedes-Benz também chamou atenção para a importância de diminuir o custo Brasil para que o País seja mais competitivo na disputa por mercados com outros países. “Dentro das suas fábricas as empresas são competitivas, porém, perdem a competitividade da porta pra fora por causa do custo logístico.”
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