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24/03/2017

Setor segue com o pé no freio

Por Aline Feltrin

- 24/03/2017

Antes de pensar em comprar novos caminhões para expandir a frota em 2017, transportadores e operadores logísticos precisam se recuperar de um período de fraca atividade que derrubou o faturamento. Pesquisa realizada em janeiro pela NTC & Logística, a associação nacional do transporte de carga, com 1 mil 785 companhias, mostrou que em 2016 houve uma queda média de 19,1% na receita em 84% das empresas pesquisadas. Em 9%, o faturamente se manteve. E em apenas 7% delas houve crescimento.

De acordo com o estudo, contribuíram também para este resultado fatores como a redução drástica do volume e do valor do frete e o aumento de custos administrativos e operacionais.

A alta no preço de combustível e de gastos com manutenção também foram apontados nesta conta.

Na visão de José Hélio Fernandes, presidente da NTC&Logística, apenas uma melhoria nos indicadores econômicos não é suficiente para que o investimento em novos caminhões esteja na lista de prioridade. Segundo Fernandes, pode acontecer no máximo uma renovação de veículos, mas não uma expansão da frota. “Mesmo assim, 9% das empresas disseram que possuem caminhões parados nos seus pátios sem uso. Isto significa que quando o mercado se reaquecer, elas utilizarão primeiro estes veículos para renovar.”

Fernandes conta que há um clima de otimismo destas empresas por causa de um novo cenário econômico que está sendo desenhado. A expectativa é grande para que haja mais carga para transportar, mas isso ainda não é uma realidade. “A crise foi mais intensa do que pensávamos e a retomada será lenta.”

Celso Luchiari, diretor geral da Trans­portadora Americana, empresa que atua com carga sob encomenda e expressas no Brasil, conta que a frota própria de 400 caminhões está um ano mais velha porque a companhia está há dois anos sem renová-la. De acordo com ele, ainda não há intenção de realizar investimentos. “Este será um ano para curar as feridas. Vamos pensar em retomada somente em 2018. Até lá usaremos os veículos atuais.”

Esta decisão está relacionada principalmente aos resultados desanimadores do ano passado. Sem revelar valores absolutos, Luchiari conta que a redução do faturamento da transportadora foi de 10% em 2016 com relação ao ano anterior e também de 10% no volume de carga transportada. “Sentimos também aumento dos custos, o que influenciou para reduzir nosso lucro.”

Soja faz a exceção – Na contramão desta realidade, há quem esteja se movimentando para ampliar a frota para atender a demanda. Este é o caso do Grupo Cereal de Rio Verde, GO. Motivada pela safra recorde, a empresa, que é um dos maiores transportadores e esmagadores de soja do País, comprou em fevereiro cinco caminhões extrapesados Mercedes-Benz Actros. No ano passado já havia adquirido 15 unidades do modelo. De acordo com Adriano Jajah Barauna, vice-presidente da companhia, “há conversas para comprar mais 10 caminhões ao longo do ano para adequar-se à demanda”. A empresa, que possui 65 caminhões próprios com idade média de três anos, espera girar este ano 440 mil toneladas de soja e 110 mil de milho.

Mesmo fazendo parte de um setor que não está sentindo as consequências da crise econômica, o Grupo Cereal está mais criterioso nos negócios que vem fechando nos últimos anos. Como observou Barauna, “a decisão em adquirir os caminhões da marca Mercedes-Benz que, até então, não fazia parte da frota da empresa, surgiu pela junção de dois fatores: a capacidade de economia dos caminhões e a oferta de 20% de desconto oferecidos pela concessionária.”

Enquanto transportadores e operadoras logísticas não têm pretensão de ampliar a frota, parte dos caminhoneiros autônomos pensa em comprar um caminhão em 2017. Esta foi uma das conclusões obtidas pela pesquisa encomendada pela AutoData Editora e realizada pela TruckPad, empresa que conecta caminhoneiros autônomos a cargas em todo o Brasil por meio de um aplicativo. Ao todo 900 pessoas responderam às questões.


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