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Retrofit a gás dá nova vida a caminhões da transportadora Sada

Parceria da Tupy, por meio da MWM, com o Grupo Sada transformou 35 caminhões-cegonha Euro 3 em veículos movidos a gás natural, com sobrevida superior a 10 anos

São Paulo – O Grupo Sada encontrou forma diferente de renovar a frota sem recorrer à compra de caminhões novos: em parceria com a Tupy, por meio da MWM, a transportadora concluiu o retrofit de 35 caminhões-cegonha que deixaram de operar com motores diesel Euro 3 para receber conjuntos motrizes a gás natural. Mais do que uma simples troca de motor o projeto envolveu a revitalização completa dos veículos. Criou, assim, uma solução que combina redução de emissões, menor custo operacional e aumento da vida útil dos ativos.

Segundo o vice-presidente de energia e descarbonização da Tupy, Cristian Malevic, a decisão da Sada mostrou que caminhões com mais de uma década de uso ainda podem desempenhar papel importante em planos de descarbonização do transporte. Ele disse que a solução permitiu reaproveitar veículos fabricados em 2011, todos Iveco Cursor originalmente equipados com motores diesel de 8,9 litros. Após o retrofit os caminhões passaram a operar com motores MWM a gás de 7,2 litros, mais modernos e eficientes.

“Estamos ajudando a Sada a rejuvenescer estes caminhões em diversos aspectos. Existe um benefício de eficiência, um benefício ambiental e também uma forma inteligente de renovação de frota.”

Além da substituição do trem de força o projeto incluiu revisão de freios, embreagem, sistemas elétricos, iluminação, ar-condicionado e componentes internos da cabine. Como resultado os veículos passaram por inspeção do Inmetro e receberam nova documentação para operação 100% a gás.

Economia supera expectativa

Um dos principais resultados foi medido no consumo de combustível. Durante o desenvolvimento a MWM realizou calibrações específicas para o ciclo de transporte de automóveis, caracterizado por percursos relativamente curtos e baixa exigência de carga do motor. Malevic disse que os testes indicavam economia de 10% a 15% com relação aos caminhões diesel originais. 

Os resultados obtidos pela Sada, no entanto, ficaram acima das projeções: a diretora de Sustentabilidade do Grupo Sada, Luísa Medioli, afirmou que alguns veículos registraram redução de consumo de 17% a 18%: “Este valor para nós é muito importante. Conseguimos resultados até superiores aos previstos inicialmente”.

Mas além do menor consumo os caminhões deixaram de utilizar Arla 32, reduzindo custos e simplificando a operação. Outro benefício foi encontrado na manutenção: como os veículos receberam motores novos a empresa reduziu despesas com reparos e aumentou a disponibilidade operacional da frota.

Emissões caem drasticamente

Os ganhos ambientais também chamaram atenção. A substituição dos motores Euro 3 por motores equivalentes ao padrão Euro 5 reduziu significativamente a emissão de poluentes atmosféricos.

Segundo Malevic as emissões de óxidos de nitrogênio caíram mais de 50% e o material particulado registra redução superior a 95%. Ao mesmo tempo o menor consumo de combustível contribui para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Para a Sada, o projeto fortalece um projeto mais amplo de descarbonização. Medioli contou que a empresa já investe em renovação de frota, programas de telemetria, inventários de emissões e uso de etanol em veículos leves. Nesse contexto o retrofit a gás tornou-se a principal solução para redução das emissões nos caminhões pesados.

“Nós sempre buscamos tecnologias que combinem benefício ambiental e viabilidade econômica. O retrofit gerou exatamente isto.”

Operação roda em Minas e no ABC Paulista

Os 35 caminhões operam em rotas dedicadas ao transporte de automóveis, circulando principalmente por unidades de clientes e pátios logísticos da Sada em Minas Gerais e São Paulo.

Em Betim e Igarapé, MG, por exemplo, os percursos têm aproximadamente 40 quilômetros por ciclo. Já em São Paulo os caminhões operam de São Bernardo do Campo a Santo André. A autonomia gira em torno de 350 quilômetros, suficiente para atender estas operações.

Segundo a empresa a infraestrutura de abastecimento ainda representa o principal fator para definir onde os caminhões podem operar. Hoje o abastecimento ocorre em postos parceiros equipados para atender veículos pesados movidos a gás.

Sobrevida superior a dez anos

Outro aspecto relevante envolve o prolongamento da vida útil dos ativos. Os caminhões utilizados no projeto foram fabricados em 2011. Malevic disse que, após receberem novos motores e passarem por revitalização estrutural, os veículos podem operar por mais de dez anos. Na prática a iniciativa evita o descarte prematuro de ativos e reduz a necessidade de investimentos elevados em caminhões novos.

Neste sentido o executivo destacou que o retrofit custa de R$ 250 mil a R$ 300 mil por unidade, dependendo da configuração adotada. O valor representa uma fração do investimento necessário para aquisição de um caminhão novo movido a gás, que atualmente pode superar R$ 1 milhão. Além disso há linhas de crédito para o retrofit.

Modelo já desperta interesse de outros clientes

O sucesso da operação chamou a atenção de montadoras atendidas pela Sada. Segundo Medioli a iniciativa começou a partir da demanda de clientes que têm metas próprias de descarbonização e enxergam o transporte como parte importante de seus planos de redução de emissões. A executiva observou que a transportadora integra o escopo 3 das fabricantes de veículos e que, por isto, contribui diretamente para os compromissos ambientais assumidos pelas montadoras.

“Outros clientes já nos procuraram para estudar a viabilidade da implementação do GNV em suas operações.”

Assim a expectativa é ampliar gradualmente a quantidade de veículos convertidos, acompanhando as demandas dos embarcadores.

Solução já atende de caminhões leves a ônibus

A Tupy, pela MWM, ampliou seu portfólio de retrofit a gás para diferentes aplicações. Hoje a empresa oferece soluções para caminhões leves, médios, pesados e extrapesados e para ônibus urbanos. Dentre os exemplos recentes está um caminhão DAF de 570 cv destinado ao setor sucroenergético e operações de transporte de alta capacidade.

Segundo Malevic a tecnologia está pronta para atender qualquer segmento que tenha acesso ao combustível e operações compatíveis com a autonomia dos veículos: “O desafio já não está no caminhão. O desafio está na disponibilidade do gás. À medida que a infraestrutura evoluir veremos esta solução ganhar ainda mais escala”.

Com resultados positivos em economia, redução de emissões e reaproveitamento de ativos a experiência da Sada mostra que o retrofit a gás começa a se consolidar como uma alternativa concreta para acelerar a descarbonização do transporte rodoviário brasileiro sem exigir a substituição completa da frota.

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