São Paulo – Não ter a garantia de que encontrará eletropostos disponíveis para a recarga da bateria ainda é uma das principais barreiras ao considerar a compra de veículo elétrico. Esse gargalo, porém, está diminuindo no Brasil, revela levantamento realizado pela ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, e a plataforma de mobilidade elétrica Tupi.
A pesquisa, geralmente feita a cada três meses, atualizou a base nacional de pontos de recarga de veículos 100% elétricos e híbridos plug-in, com informações consolidadas até maio. O resultado mostra evolução da rede. Hoje o Brasil dispõe de 25 mil 442 pontos públicos e semipúblicos de recarga. Na comparação com a pesquisa de fevereiro, que apontava 21 mil 60, houve crescimento de 21% em três meses.
“O número confirma a aceleração estrutural da eletromobilidade brasileira”, afirmou Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi. “O Brasil saiu da fase de teste, entrou em ritmo de escala e está construindo a infraestrutura energética que sustentará a eletrificação do País.”
Dos 25 mil 442 pontos instalados, 66%, ou 16 mil 836, oferecem recarga lenta AC e 34%, 8 mil 606, são de recarga rápida DC. A rápida, porém, segue liderando o avanço e sua participação no ecossistema subiu de 30,8% para 33,8% de fevereiro a maio. Já o número de carregadores AC era de 14 mil 582 no segundo mês do ano e ganhou incremento de 15,5% em noventa dias.
“A reação no número de aparelhos de recarga lenta é significativa porque o levantamento registrou desaceleração, com aumento de apenas 17,6% no período de doze meses. Agora, desempenho semelhante aconteceu em apenas três meses.”
Segundo o diretor da Tupi a virada é reflexo da entrada em vigor da lei 18 403/2026, sancionada no Estado de São Paulo em fevereiro. Ela regulamenta o direito de instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios, eliminando um dos maiores obstáculos enfrentado pela infraestrutura residencial e semipública.
Ecossistema mais preparado
Circulam, hoje, no Brasil 505 mil 806 veículos plug-in, ou seja, a proporção é de 19,9 veículos elétricos plug-in para cada ponto de recarga. A relação vem melhorando, mas ainda está acima da referência de aproximadamente 10 veículos por ponto que, durante muitos anos, foi utilizada internacionalmente como indicador da maturidade da infraestrutura.
“Mais importante do que simplesmente aumentar o número de carregadores é fomentar a capacidade da rede. Um carregador ultrarrápido atende muito mais veículos ao longo do dia do que um lento, embora os dois contem como um ponto nas estatísticas”.

Por isto ele acredita que o dado mais relevante seja a infraestrutura de recarga rápida ter crescido quase o dobro da lenta no último trimestre: “Isto comprova que o Brasil não está apenas expandindo a rede de recarga. Está, principalmente, deixando o ecossistema mais preparado para acompanhar a multiplicação da frota elétrica”.
O crescimento de equipamentos DC, aliás, é um movimento puxado pela nova geração de dispositivos ultrarrápidos, com potência que pode alcançar 480 kW e muitas vezes com quatro a dez posições de recarga.
Ele acrescentou que, com a evolução do mercado, ficou claro que a métrica de dez carros por carregador tinha limitações, porque colocava na mesma conta um carregador de 22 kW e um ultrarrápido de 350 kW, apesar das capacidades completamente diferentes de atendimento. Além disto o cálculo não diferencia veículos 100% elétricos de híbridos plug-in.
“Desta forma a Europa já atualizou sua abordagem. O foco está menos na quantidade de carregadores e mais na capacidade instalada, medida pela potência disponível por veículo e pela oferta de recarga ultrarrápida ao longo dos principais corredores rodoviários.”
O avanço da Região Norte
No mapa da eletrificação do Brasil o Norte aparece como destaque, com aumento de 31% de pontos de recarga. Nas estações DC ele encabeça a expansão com 51%: “As regiões mais distantes dos grandes centros são impulsionadas por corredores logísticos e rodoviários”.
Centro-Oeste, 23,7%, e Sul, 23,4%, vieram logo em seguida no crescimento total, ambos com forte avanço de DC, 36,3% e 35,8%, respectivamente. O Sudeste, maior base instalada do Brasil, exibiu ritmo mais moderado, 18,1%.
Para Bertoncello o avanço do DC em todas as regiões – acima de 33% no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul – confirmam mudança de perfil da eletromobilidade nacional.
Atualmente 1 mil 832 municípios possuem infraestrutura de recarga disponível, aumento de 11,1% ante fevereiro, 1 mil 649. Desta forma a eletrificação deixa de se concentrar somente nas capitais e começa a fazer parte do cenário de cidades médias, polos turísticos e corredores logísticos.
Regionalmente o Centro-Oeste chama atenção, com crescimento de 21,7% no número de municípios atendidos, seguido pelo Nordeste, 10,2%, reforçando que a expansão segue rumo ao Interior do País.
Carregadores por região (fev/26 → mai/26) – Fonte: ABVE e Tupi
| Região | Total fev | Total mai | Evolução | DC fev | DC mai | Evolução DC |
| Norte | 657 | 861 | 31,1% | 312 | 471 | 51% |
| Centro-Oeste | 2 296 | 2 840 | 23,7% | 870 | 1 186 | 36,3% |
| Sul | 4 957 | 6 119 | 23,4% | 1 674 | 2 273 | 35,8% |
| Nordeste | 3 771 | 4 543 | 20,5% | 1 468 | 1 962 | 33,7% |
| Sudeste | 9 380 | 11 079 | 18,1% | 2 155 | 2 709 | 25,7% |
| Total | 21 060 | 25 455 | 20,9% | 6 479 | 8 606 | 32,8% |






