São Paulo — Os caminhões sempre cumpriram missão essencial de transportar mercadorias e movimentar a economia. Mas, para a Transbochnia Transportes, eles passaram a exercer um papel ainda maior. Além de cruzarem rodovias e conectarem diferentes regiões do País agora também levam mensagens capazes de despertar empatia, combater preconceitos e incentivar atitudes que salvam vidas.
Este foi o plano adotado pela transportadora especializada em produtos líquidos perigosos: a empresa enxergou nos implementos de aço inoxidável uma oportunidade de comunicação que vai muito além da identidade visual da marca.
A ideia surgiu de forma espontânea, quando uma nova carreta chegou à frota.
“Olhei para aquela carreta e achei que faria sentido colocar mais do que o nome da empresa”, contou Antônio Bochnia Filho, diretor executivo da transportadora. “Ela chama tanta atenção por onde passa que poderia transmitir algo muito maior.”
Assim nasceu o primeiro projeto de conscientização da empresa. Em vez de utilizar a lateral da carreta apenas para reforçar a marca a transportadora decidiu transformá-la em um verdadeiro outdoor itinerante.

Muito além da publicidade
Como resultado a primeira campanha abordou o TEA, Transtorno do Espectro Autista. A escolha não aconteceu por acaso: Bochnia Filho convive diretamente com o autismo por meio de um familiar próximo.
A experiência revelou algumas dificuldades enfrentadas diariamente por milhares de famílias. Sobretudo devido ao desconhecimento e ao preconceito: “Muitas pessoas julgam sem entender o que realmente é o autismo. Então por que não usar o caminhão para ajudar a levar informação?”.
O impacto foi imediato. Motoristas começaram a ter retorno de pessoas que os encontravam com os caminhões nas estradas. Pais de crianças autistas enviavam fotografias, vídeos e relatos emocionados.
Em um dos episódios que mais marcou a equipe um pai, do Mato Grosso do Sul, entrou em contato após ver a carreta passar pela cidade. Foi neste momento que a empresa percebeu que havia encontrado uma nova forma de dialogar com a sociedade.
Uma frota que amplia o alcance das campanhas
O sucesso da primeira iniciativa fez a Transbochnia ampliar o projeto. Hoje doze carretas circulam pelo Brasil com campanhas sociais diferentes. A frota total da empresa reúne aproximadamente 160 conjuntos.
Na prática isto significa que a mensagem não fica restrita a uma cidade, a um evento ou a uma ação pontual. Ela acompanha o fluxo da logística e alcança grandes centros urbanos, pequenas cidades e regiões onde muitas vezes não existem campanhas permanentes de conscientização.

Além da conscientização sobre o autismo outros temas estampados nos caminhões são doação de sangue e de órgãos, prevenção ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, síndrome do X Frágil e tráfico de pessoas, por exemplo. Mas outros dois veículos estão sendo preparados para as campanhas do Outubro Rosa e do Novembro Azul.
Além disso, daqui por diante, cada novo implemento adquirido pela empresa passará a receber uma campanha social: “Nossa meta, agora, é que toda carreta nova saia levando uma causa nas costas”.
Segundo o executivo esta presença constante nas estradas amplia o alcance das mensagens de forma orgânica: “Passamos por cidades pequenas que muitas vezes não têm outdoor, não têm campanhas ou até acesso fácil à informação. O caminhão chega lá e chama atenção naturalmente”.
Os motoristas também se tornam porta-vozes
A iniciativa não termina na plotagem dos implementos. Antes de assumir um caminhão temático cada motorista recebe orientações sobre a campanha que transportará. O objetivo é fazer com que ele saiba responder perguntas durante as viagens e também compreenda a importância daquela mensagem.
Segundo Bochnia Filho a própria equipe abraçou a ideia. Um dos exemplos aconteceu justamente com a carreta dedicada à Síndrome do X Frágil, uma doença genética rara ainda pouco conhecida. Os próprios motoristas buscaram informações adicionais para explicar a causa quando eram questionados em postos de combustível, pátios e rodovias.
“Eles começaram a estudar por conta própria. Queriam saber explicar o que era aquela síndrome. Ou seja: eles compraram a ideia.”
Na prática cada motorista deixa de ser apenas o condutor do veículo e passa a atuar como um multiplicador de informação.
O retorno veio em histórias, não em contratos

Embora a iniciativa também fortaleça a imagem institucional da empresa Bochnia Filho faz questão de destacar que o projeto nunca nasceu como estratégia comercial. Mas sim exclusivamente social.
“O nosso objetivo nunca foi conquistar clientes. Se uma pessoa doar sangue depois de ver um caminhão, decidir ser doadora de órgãos ou denunciar um caso de exploração de crianças por causa de uma dessas campanhas, todo o investimento já valeu a pena.”
Um exemplo que pode inspirar todo o transporte
Para Antônio Bochnia Filho o maior legado da iniciativa seria ver outras transportadoras adotando projetos semelhantes. Segundo ele o setor tem uma ferramenta de comunicação extremamente poderosa e ainda pouco utilizada.
“Gostaria que outras empresas copiassem esta ideia. E, desta forma, mostrar que o caminhão pode fazer muito mais do que transportar carga. Quanto mais empresas levarem mensagens de conscientização pelas estradas maior será o impacto para toda a sociedade.”






