São Paulo – A geração 2026, modelo 2027, do Renegade talvez seja a última antes de total reformulação do SUV compacto que inaugurou a aventura da Jeep no País. Por isto ele foi escolhido para ser o primeiro Jeep a utilizar a tecnologia MHEV, ou híbrido leve, que utiliza pequena bateria de 48 Volts para ajudar o motor a combustão em alguns momentos.
Depois de rodar mais de 600 quilômetros na cidade e na estrada a expectativa e a realidade são bem diferentes. A sensação é de efeito placebo: espera-se que o MHEV entregue melhor consumo e emissões, mas o efeito da tecnologia é praticamente nulo, assim como os remedinhos de açúcar ministrados a pacientes em experimentos científicos.
Os números mostram a diferença: segundo os dados da Jeep o Renegade MHEV tem consumo no ciclo urbano que pode variar de 8,3 km/l a 11,9 km/l com etanol e gasolina, respectivamente. Na estrada esse desempenho é de 8,6 km/l com etanol e 11,4 km/l na gasolina.
Em nenhum momento durante a experiência com o novíssimo modelo o computador de bordo acusou desempenho melhor do que os oficialmente divulgados. Em um percurso misto, com a maior parte do trajeto na cidade, o consumo foi de 8,8 km/l com mistura de 50% de gasolina e 50% de etanol no tanque.

Já na estrada seu comportamento dinâmico segue elogiadíssimo. Não à toa é um dos Jeep mais vendidos. O Renegade é gostoso de dirigir e oferece torque e potência na medida para qualquer situação. Rodando apenas com gasolina no tanque o desempenho indicado pelo computador de bordo foi de 9,9 km/l. Ao final dos 630 quilômetros o sistema demonstrou que o Renegade Sahara MHEV faz 8 quilômetros com um litro de combustível.
Na comparação com o Renegade com motor a combustão T270, 1.3 litro turboflex de ótimos 176 cv, a Stellantis diz que há melhoria de 7% no consumo para a versão com tecnologia híbrido leve. A realidade, contudo, demonstra que o motorista só conseguirá melhor desempenho se mudar radicalmente a maneira de dirigir e em todas as arrancadas pisar muito leve no acelerador.

Com este comportamento a pequena bateria de íon-lítio de 48V e a máquina elétrica de apenas 11,4 kW ajudam a empurrar o Renegade para tirá-lo da imobilidade. Pisou mais forte no acelerador o motor a combustão entra em ação. Desta forma apenas com o sistema start-stop acionado e com essa ajudinha placebo do sistema híbrido será possível melhorar um pouquinho os resultados de consumo e de emissões do Renegade MHEV.
Mais sofisticado
Com a iminente chegada do Avenger, um Jeep ainda mais compacto, mas mais moderno, o Renegade precisa de outros argumentos para convencer o consumidor apaixonado que deseja comprar seu primeiro Jeep – o Renegade é a atual porta de entrada na marca. A aparência externa da linha 2027, com nova grade frontal e desenho das rodas é pouco.
Por isto, enquanto a nova geração, esperada apenas para 2028, não chega, a Jeep vai recheando o Renegade para não deixá-lo tão defasado da concorrência, que tem muitas opções para todos os gostos.

De fato, esta versão Sahara é muito bem equipada mantendo itens como a frenagem autônoma de emergência e o assistente para ladeiras, e ampliando a oferta com central multimídia maior, de 10,1 polegadas, ajuste elétrico do banco do motorista, console digital de sete polegadas e um visual bastante agradável do seu interior, com material de acabamento mais refinado.
A experiência a bordo ficou mais confortável para todos os ocupantes. Mesmo sendo classificado como um SUV compacto o Renegade não deixa ninguém apertado. O segredo é o seu teto mais alto, que transmite a sensação de amplo espaço interno. Essa nova versão também oferece saída do ar-condicionado para o banco traseiro.

A conexão do smartphone sem fio ficou mais rápida, intuitiva e estável na comparação com o sistema anterior e há integração do sistema de infoentretenimento Adventure Intelligence com a Alexa.
Mercado
Mesmo com todas as novidades desta versão Sahara modelo 2027 seu preço ainda pode afastar o consumidor. Os R$ 175 mil 990 estão muito próximos do rival mais equilibrado em termos de oferta e dinâmica, que é o Volkswagen T-Cross, oferecido a partir de R$ 176 mil. Mas a diferença de vendas entre eles no segmento, com 7,63% de participação para o T-Cross e 3,43% para o Renegade, aponta grande desvantagem para o Jeep.
Até mesmo o Hyundai Creta, outro importante concorrente, está na frente porque sua versão Platinum oferece um porta-malas maior e um preço mais atraente: R$ 172 mil 690. O Chevrolet Tracker na versão top, RS, também é mais barato: R$ 174 mil 790.
E mesmo um modelo maior, o Honda HR-V, está na frente em vendas e tem um preço mais competitivo: R$ 162,3 mil. Quando a concorrência é com as marcas de origem chinesa, a coisa fica mais complicada para o Jeep Renegade. Um bom exemplo é o BYD Yuan Pro. SUV 100% elétrico com 204 cv de potência e preço sugerido de R$ 150 mil.
Por causa dessa competição acirradíssima, assim como todas as outras marcas a Jeep não conseguirá fugir do ajuste de preços pelo qual o mercado brasileiro vem passando. A expectativa é que os descontos para trazer de volta os clientes acabem se transformando em política permanente nas concessionárias.















