Em destaque

São Paulo vai quase duplicar a produção de biometano até 2027

Estado quer quase dobrar a oferta do biometano em dois anos e direciona a expansão para o transporte pesado, setor que responde por cerca de 35% das emissões paulistas

São Paulo – O Estado de São Paulo decidiu colocar o transporte pesado no centro de seus planos para o clima. A aposta ganhou escala porque o Estado pretende ampliar a capacidade instalada de biometano de cerca de 700 mil para 1,3 milhão de m³ por dia até 2027, um crescimento próximo de 85% em apenas dois anos.

Durante o CIBiogás Conecta Transporte Pesado, Laís Almada, coordenadora de planejamento ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, contou que o Plano Estadual de Energia 2050 identifica o transporte como o principal vetor para reduzir emissões no Estado.

A lógica difere do cenário nacional. Enquanto o desmatamento lidera as emissões brasileiras, o transporte representa aproximadamente 35% das emissões de São Paulo, superando a indústria. Em seguida aparece a agropecuária, com cerca de 30%.

Além disto o governo estabeleceu a meta de cortar 24% das emissões de gases de efeito estufa até 2050. Para atingir este objetivo a administração estadual pretende acelerar a substituição do diesel por combustíveis de menor intensidade de carbono, principalmente o biometano.

Capacidade instalada deve crescer 85% em dois anos

Atualmente, São Paulo já lidera a produção nacional de biometano. O ritmo de expansão, entretanto, deve acelerar ainda mais.

A capacidade instalada hoje gira em torno de 700 mil m³ por dia. Ainda neste ano o Estado espera alcançar aproximadamente 1 milhão de m³ por dia. Em seguida a projeção aponta para quase 1,3 milhão de m³ diários em 2027.

Se este cronograma se confirmar São Paulo terá sozinho uma capacidade próxima da existente atualmente em todo o mercado brasileiro.

O pipeline de novos projetos reforça esta tendência. Dados atualizados da ANP, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram cerca de 2 milhões de m³ por dia em projetos em fase de aprovação, dos quais aproximadamente 700 mil m³ ficam em território paulista.

Além disto o Estado concentra 48 plantas em processo de aprovação. O que indica forte interesse de investidores em ampliar a oferta do combustível renovável.

343 dos 663 caminhões a gás do País foram licenciados em São Paulo

Enquanto expande a produção o governo utiliza incentivos econômicos para acelerar a renovação da frota. A principal medida envolve a isenção de IPVA para veículos movidos a gás até o fim de 2029. Segundo Almada os primeiros resultados já apareceram no mercado.

Scania biometano na coleta de lixo
Veículos de coleta de lixo abastecidos com biometano já circulam em municípios paulistas e mostram o potencial do combustível renovável no transporte pesado

Em 2024 e 2025 o número de emplacamentos de caminhões a GNV praticamente triplicou no Estado. No mesmo período o Brasil registrou 663 caminhões a gás, dos quais 343 foram licenciados em São Paulo. Na prática o Estado concentrou mais da metade do mercado nacional.

Mais: apenas no primeiro trimestre de 2026 São Paulo já superou o volume de emplacamentos registrado durante todo 2024.

Do mesmo modo a política tributária favorece o combustível renovável. Enquanto o gás natural recolhe 15% de ICMS o biometano paga 12%, a menor alíquota permitida pela legislação nacional.

Postos de alta pressão abastecem caminhões em cerca de 15 minutos

A expansão da frota depende diretamente da infraestrutura de abastecimento. Por isto o Estado acompanha a ampliação da rede de postos de GNV de alta pressão. Segundo a coordenadora o mapa de abastecimento já mostra corredores consolidados e regiões que entraram na segunda onda de expansão dos postos.

Hoje os caminhões a gás operam com autonomia de 400 a 450 quilômetros. Mas com os sistemas adicionais de armazenamento, conhecidos no setor como mochilões, esta autonomia pode chegar a cerca de 650 quilômetros.

Desta forma o planejamento busca garantir abastecimento contínuo nos principais corredores logísticos paulistas, especialmente nas rotas de maior circulação de cargas.

Estado prepara certificação para rastrear o uso do biometano

Além dos incentivos fiscais São Paulo desenvolve um sistema estadual de certificação ambiental para reconhecer empresas que utilizam biometano em suas operações.

A proposta aproveita a estrutura da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, responsável por receber inventários de emissões, e incorpora mecanismos de rastreabilidade do combustível. O modelo prioriza a comprovação do consumo de biometano, evita dupla contagem e permite o reconhecimento voluntário das empresas que investirem em descarbonização.

Segundo Almada o Estado não pretende impor uma obrigação de compra de biometano ou de certificados. O plano busca, sim, estimular o mercado e criar um mecanismo confiável de comprovação ambiental.

Além disto o sistema deverá aceitar diferentes modelos de certificação, o que amplia a flexibilidade para transportadoras, embarcadores e operadores logísticos.

Municípios entram na estratégia para reduzir emissões no transporte urbano

A política estadual também alcança as cidades. O Programa Município VerdeAzul passará a considerar critérios relacionados ao uso de GNV e biometano na coleta de resíduos sólidos e no transporte coletivo urbano.

Na prática municípios que adotarem combustíveis renováveis poderão melhorar sua classificação no programa e, assim, ampliar o acesso a editais de financiamento e projetos de infraestrutura sustentável.

Ao mesmo tempo o governo prepara treinamentos para orientar as administrações municipais sobre como incorporar critérios ambientais nas futuras licitações de transporte público e serviços urbanos.

master

Notícias relacionadas

master
master

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

master