São Paulo — A Mascarello aproveitará a Lat.Bus, de 11 a 13 de agosto, para apresentar ao mercado a Horizon, nova carroceria desenvolvida para ônibus urbanos de piso baixo e motor traseiro. Embora o primeiro modelo utilize chassi elétrico BYD, o projeto nasceu para atender diferentes matrizes energéticas e fabricantes de chassis. Assim, acompanha a transição tecnológica do transporte coletivo.
Segundo Janderson Thiago Derlam, supervisor comercial da Mascarello, a empresa concebeu o Horizon desde o início para operar tanto em plataformas elétricas quanto a diesel Euro 5 e Euro 6.
“O projeto já nasceu pensando em diferentes matrizes energéticas. O primeiro veículo utiliza chassi elétrico da BYD. Mas a carroceria também está preparada para plataformas a combustão e futuras aplicações conforme a evolução do mercado.”
Além da BYD, a fabricante trabalha na homologação de versões para chassis da Mercedes-Benz, Volkswagen e Volvo. Mas há outras marcas comercializadas no Brasil que estão no radar de negociações.
Projeto amplia atuação da fabricante
O Horizon marca o retorno da Mascarello ao segmento de ônibus urbanos de piso baixo e motor traseiro. E substitui modelos descontinuados, ampliando o portfólio da empresa.
Enquanto o Gran Via permanece destinado aos ônibus urbanos convencionais com motor dianteiro, o Horizon passa a atender corredores de ônibus, sistemas BRT e veículos de maior capacidade. Na versão Padron, DC12, o modelo atende chassis de quase 13 metros.
Todavia, de acordo com Derlam, a estratégia contempla também versões articuladas. “A demanda define o ritmo dos projetos. Hoje acompanhamos principalmente São Paulo e Curitiba, que lideram a eletrificação. Mas o produto foi concebido para crescer junto com esse mercado.”
Design busca eficiência e maior autonomia
O desenvolvimento ficou sob responsabilidade de João Paulo Cunha, da área de design e produto da Mascarello. Segundo o executivo, o Horizon inaugura uma nova linguagem visual para a fabricante. Por isso, incorpora soluções voltadas à eficiência operacional.
Embora a autonomia dependa principalmente do fabricante do chassi e das baterias, o projeto da carroceria contribui para reduzir o consumo energético.
Dentre as soluções adotadas estão o uso de alumínio em componentes estruturais para diminuir peso, para-brisa com vidro verde para reduzir a carga térmica interna e um desenho mais limpo, com superfícies horizontais que favorecem a aerodinâmica.
“O objetivo foi entregar um produto mais eficiente para o operador. Reduzimos peso, melhoramos o conforto térmico e utilizamos materiais que ajudam a diminuir o consumo de energia ao longo da operação.”
Componentes modulares reduzem custos de manutenção
Outro diferencial do Horizon está na modularidade dos componentes externos. A dianteira utiliza conjuntos independentes para faróis, iluminação diurna e indicadores de direção. Dessa forma, pequenos danos não exigem a substituição completa do conjunto óptico.
Segundo Cunha, a decisão reduz custos de manutenção e diminui o tempo de parada do veículo. Além disso, a fabricante priorizou componentes nacionais e de ampla disponibilidade no mercado. Dessa forma, facilita o abastecimento de peças durante toda a vida útil do ônibus.
Estrutura preparada para diferentes fabricantes
Como cada fabricante adota posições distintas para baterias, sistemas elétricos e componentes mecânicos, a Mascarello desenvolveu a estrutura considerando o cenário mais crítico. Assim, a engenharia dimensionou o veículo para receber diferentes configurações sem necessidade de alterações estruturais futuras.
Segundo Cunha esse conceito permite adaptar a mesma carroceria para diversas plataformas sem comprometer design, segurança ou desempenho.
A estrutura também recebeu reforços para suportar o peso adicional dos conjuntos de baterias instalados no teto, característica comum nos ônibus elétricos.
Ergonomia recebe atenção especial
O posto de condução também passou por uma revisão completa. O painel ganhou arquitetura digital inspirada em tablets, posicionando os comandos mais próximos do motorista para reduzir movimentos repetitivos durante a jornada. A fabricante ainda ampliou a área envidraçada, criou um novo sistema de ventilação direcionado ao motorista e oferece retrovisores por câmera como opcional.
Segundo Cunha o desenvolvimento levou em consideração sugestões de operadores, representantes comerciais e motoristas.
Mercado brasileiro ainda seguirá plural
Apesar do avanço da eletrificação, a Mascarello acredita que o diesel continuará relevante por vários anos. Para Derlam, a infraestrutura brasileira ainda limita uma migração acelerada para ônibus totalmente elétricos, especialmente fora dos grandes centros.
“O Brasil tem mais de 5 mil municípios. Muitos deles não dispõem de infraestrutura nem de capacidade financeira para eletrificar toda a frota. Por isso, diferentes tecnologias continuarão convivendo por muitos anos.”
Ao mesmo tempo, o executivo afirma que programas públicos de incentivo deverão acelerar a renovação das frotas elétricas nas principais capitais.
Produção começa em ritmo gradual
A Mascarello estima iniciar a produção do Horizon com capacidade de um veículo por dia durante esta fase inicial, enquanto conclui os processos de homologação junto aos órgãos gestores. Mas a empresa avalia ampliar esse volume conforme a consolidação da demanda.
Além da versão de 12 metros apresentada na Lat.Bus, a fabricante confirmou o desenvolvimento de uma versão elétrica de aproximadamente 10 metros em parceria com a Eletra, destinada aos serviços alimentadores do transporte urbano.
Com presença em 24 mercados internacionais, principalmente na América Latina, a Mascarello também já prepara o Horizon para futuras exportações.



















