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Proprietários aprovam carros elétricos com mais de 100 mil km rodados

Dois donos de automóveis movidos a eletricidade contam suas experiências e não querem mais saber de motor a combustão

São Paulo – Mesmo quando o carro elétrico ainda era uma incógnita, e provocava desconfiança, muitos consumidores brasileiros resolveram apostar no conceito de eletromobilidade urbana e investiram na nova tecnologia. O lançamento do Nissan Leaf, em 2019, foi uma espécie de divisor de águas para as marcas intensificarem seus planos na importação dos veículos movidos a bateria.

Antes disso, porém, alguns modelos foram timidamente vendidos no país, como Renault Zoe e BMW i3. O carro da BMW, aliás, foi a porta de entrada de vários interessados na transição energética automotiva.

Eles não só aderiram à tecnologia como rodam incansavelmente com seus carros. Pode-se dizer que fazem parte da primeira leva de proprietários de veículos elétricos no País.

Nunca mais voltou à combustão

O advogado Marcus Macedo estreou no universo dos elétricos com o i3 em 2019. Gostou tanto da experiência que, na hora da troca, escolheu o Chevrolet Bolt. Nunca mais voltou aos motores a combustão.

Atualmente Macedo possui um Volvo XC40 2022, que já apresenta algo em comum com os antecessores: o odômetro acima de 100 mil quilômetros rodados. Tanto que vendeu o i3 e o Bolt por valor abaixo da tabela devido à alta quilometragem.

O XC40 está se aproximando de 120 mil quilômetros: “Comprei o Volvo pela credibilidade da marca e porque na época as recargas eram gratuitas”.

Morador de Matupá, MT, Macedo roda cerca de 4 mil quilômetros por mês, boa parte em rodovias com destino a Cuiabá, a quase 700 quilômetros de distância. O ritual é o mesmo: sai bem cedo e planeja a viagem com duas paradas para recarga de 50 minutos em Sinop e Nova Mutum.

Ele diz que a infraestrutura de eletropostos na rota está bastante evoluída. Em Sinop a sala de espera tem café, TV, Wi-Fi e videogame sem custos. Segundo Macedo a autonomia do XC40 é de 300 quilômetros “se eu andar devagar”. Não é o caso em suas viagens, quando chega a 120 km/h.

“O que mais me agrada é o torque imediato do motor, que aumenta o conforto e a segurança nas ultrapassagens.”

O advogado só não aprovou o desempenho dos pneus Continental, originais de fábrica, que ficavam prematuramente com as laterais muito gastas. Trocou pelos pneus chineses Delinte Run Flat e gostou do resultado.

Outro pequeno problema que aparece esporadicamente é a central multimídia que fica sem som: “É preciso reiniciar o sistema para voltar ao normal”.

Video da Nasa inspirou a compra

O interesse do técnico em automação industrial João Igor Göethel pela mobilidade elétrica começou durante sua participação em uma competição de robótica no Texas em 2017: “Na ocasião assisti a um documentário da Nasa sobre o Lunar Roving Vehicle, veículo elétrico da Chevrolet, que a agência espacial havia enviado em missão para a lua”.

A partir dali o entusiasmo só aumentou. Em 2024 Göethel comprou justamente um carro da Chevrolet, o Bolt ano 2020, com 79 mil quilômetros rodados. Agora o odômetro aponta 170 mil.

Antes da aquisição ele preparou uma lista de pré-requisitos que o modelo deveria atender, como custos, tamanho do porta-malas e conforto. Depois de se decidir pelo Bolt viu um carro anunciado em Brasília, DF, por R$ 157 mil. Negociou por R$ 140 mil, foi buscá-lo e rodou com ele 2,1 mil quilômetros até São Leopoldo, RS, cidade onde mora.

Göethel ainda não tinha o Bolt quando começou a trabalhar com instalação e manutenção de equipamentos de recarga para veiculos elétricos em construções civil e comercial: “Só consigo vender algo em que acredito. Por isto foi tranquilo mudar de motor a combustão para elétrico. Minha profissão me permitiu conhecer a tecnologia de perto”.

Ele usa o próprio carro para testar os carregadores instalados e garante que a infraestrutura não será problema para a eletrificação no Brasil: “Já existem muitos pontos de recarga do Paraná ao Pará”.

A autonomia de 430 quilômetros, o espaço interno e o porta-malas de 478 litros são características elogiadas pelo proprietário. “E a parte mecânica é impecável e o custo de manutenção preventiva é baixo. A cada 10 mil quilômetros gasto R$ 200”.

A ressalva fica por conta de um defeito na suspensão e do para-brisa trincado por pedriscos que vieram da caçamba de caminhões na estrada: “A reposição do vidro demorou um pouco”.

Göethel percebeu até mesmo mudança de comportamento de seu pet com os passeios a bordo do Bolt: “Antes meu cachorro ficava agitado e salivava demais. Isso não acontece mais, provavelmente porque o carro é totalmente silencioso”.

A audição canina, quatro vezes mais sensível do que a humana, agradece.

aumovio

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