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BorgWarner desenvolve turbo Euro 7 para produzir no Brasil

Projeto para uma montadora europeia prevê novo turbo de geometria variável da BorgWarner para caminhões pesados
Euro 7 Turbos BorgWarner
Fotos: BorgWarner

São Paulo – A BorgWarner já trabalha no desenvolvimento de turbos para atender à tecnologia Euro 7 e pretende colocar a produção brasileira no mesmo ritmo da operação europeia. O projeto envolve uma montadora europeia e prevê o início do fornecimento para caminhões pesados a partir de 2027.

Segundo Melissa Mattedi, diretora geral de Turbo e Thermal Technologies da BorgWarner, o desenvolvimento ocorre simultaneamente no Brasil e na Europa. A empresa já trabalha na adaptação da linha de produção brasileira e conduz os testes em conjunto com a montadora.

“É um projeto novo inteiro da BorgWarner. O turbo será lançado ao mesmo tempo na Europa e aqui. A montadora já quis fazer o projeto em paralelo aqui no Brasil também”, disse a executiva, ainda sem mencionar qual é a fabricante envolvida.

Nesse sentido, vale informar que a sistemista atende as marcas de veículos comerciais Volkswagen Caminhões e Ônibus, Iveco, Volvo, Scania e Mercedes-Benz. Ou seja, por ora, não atende a DAF. E, segundo Mattedi, já está em conversas com fabricantes chinesas de pesados que estão se instalando no País.

Seja como for, a executiva explica que a empresa começou a trabalhar no projeto do novo turbo ainda no fim de 2025. Portanto, a preparação da fábrica brasileira ocorre com antecedência para que a produção acompanhe o cronograma internacional.

Novo turbo combina tecnologias

Dessa forma, a evolução do turbo representa um dos principais caminhos para atender às exigências mais rigorosas de emissões. A solução desenvolvida para a Euro 7 utiliza tecnologia de geometria variável, conhecida como VTG.

Segundo Melissa Mattedi, o novo componente apresenta uma arquitetura mais complexa do que a utilizada atualmente. “Ele é mais complexo ainda porque combina uma parte do Ball Bearing [rolamento de esferas, ou seja, peça mecânica usada para diminuir o atrito entre partes que giram] com um VTG”.

Além da nova arquitetura, a BorgWarner precisou trabalhar em diferentes frentes para preparar a produção. O projeto envolve ferramental, fornecedores, desenhos e adaptações na linha.

Ainda assim, a empresa pretende manter flexibilidade industrial. “Conseguimos produzir os dois numa mesma linha. Tentamos deixar flexível”.

Dessa forma, a fábrica poderá produzir tanto os componentes destinados aos atuais programas Euro 6 quanto os novos turbos desenvolvidos para a próxima etapa de emissões.

Produção brasileira acompanha cronograma europeu

Enquanto isso, a operação brasileira avança para concluir a preparação industrial. A expectativa da executiva é que os equipamentos estejam prontos para iniciar a produção do novo turbo ao longo do segundo trimestre de 2027.

Por outro lado, o início efetivo do fornecimento dependerá do cronograma da montadora e da entrada em produção do veículo. A BorgWarner, porém, já conduz o desenvolvimento em conjunto com o cliente: “Nós estamos na mesma cadência que a Europa”.

Além disso, a fabricante de componentes já trabalha com a montadora nos testes e na homologação. Assim, quando o projeto avançar para a fase de produção, a operação brasileira estará preparada para acompanhar o programa europeu.

Melissa Mattedi, BorgWarner
Melissa Mattedi, diretora geral de Turbo e Thermal Technologies da BorgWarner, revelou que a empresa já desenvolve no Brasil um novo turbo para atender à tecnologia Euro 7
Euro 7 acelera evolução do turbo

A nova geração de turbos surge em um momento de transformação dos sistemas de propulsão. Na avaliação de Melissa Mattedi as legislações de emissões direcionam a indústria para maior eficiência energética e redução de poluentes.

“Tudo que vemos de legislação é para descarbonização. Não só para eficiência energética, mas também para redução de emissão de poluentes”.

Nesse cenário, o turbo ganha relevância porque permite aumentar a eficiência do motor e contribuir para o controle das emissões. A tecnologia também precisa acompanhar a evolução dos sistemas de pós-tratamento.

Atualmente, a BorgWarner fornece turbos para diferentes aplicações Euro 6. E mantém produção para o mercado de reposição, inclusive componentes destinados a veículos mais antigos.

No entanto, a chegada do Euro 7 exige uma nova etapa de desenvolvimento. O objetivo agora é entregar maior eficiência sem comprometer desempenho, durabilidade e capacidade de produção.

Brasil terá papel estratégico

Apesar de o projeto nascer de uma demanda global, a decisão de desenvolver o turbo em paralelo no Brasil mostra a importância da operação local para a estratégia da BorgWarner.

A empresa já mantém equipe de engenharia no País e tem estrutura para realizar adaptações e testes. Essa capacidade permite desenvolver soluções localmente e, ao mesmo tempo, manter alinhamento com a engenharia global.

Por fim, a executiva avalia que o Brasil precisará trabalhar com diferentes tecnologias de propulsão nos próximos anos. Para ela, não haverá uma única solução para todos os usos.

“Eu acredito em opções. Não acho que vai ter uma tendência só. Temos que estar preparado para todas as opções que o cliente final desejar”.

Assim, enquanto a eletrificação avança em determinadas aplicações, motores a combustão mais eficientes, híbridos, biocombustíveis e outras alternativas continuarão no radar da indústria brasileira.

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