São Paulo – A Marcopolo avança na eletrificação de sua linha de ônibus com o Volare Attack híbrido elétrico/etanol que combina tração 100% elétrica com sistema de geração de energia a bordo.
O Volare híbrido elétrico/etanol chega a partir deste segundo semestre. E segundo Renato Florence, gerente de Engenharia e Desenvolvimento de Chassis da Marcopolo, o projeto utiliza arquitetura semelhante à de um veículo elétrico. Mas acrescenta um motor a etanol com função exclusiva de geração de energia.
Motor elétrico faz toda a tração
A principal característica do Volare está na arquitetura do sistema de propulsão. O veículo utiliza um motor elétrico para realizar 100% da tração.
Desta forma o motor a etanol não movimenta diretamente as rodas. Ele funciona como um gerador de energia, acionado automaticamente conforme o estado de carga das baterias.
“Ele é um veículo elétrico de tração. Cem por cento do tempo a tração será feita por um motor elétrico.”
O sistema eletrônico monitora continuamente o nível de carga das baterias. Quando a energia disponível chega a determinado patamar o motor a etanol entra em funcionamento e aciona um gerador.
A energia produzida pelo conjunto é direcionada para as baterias. Quando o sistema recupera o nível de carga necessário o motor a combustão é desligado. Assim o Volare pode continuar circulando com tração elétrica enquanto o sistema administra automaticamente a geração de energia.
Motor a etanol trabalha em ponto de maior eficiência
A Marcopolo adotou projeto diferente do utilizado em um veículo convencional. Como o motor a combustão não precisa acompanhar as variações de rotação e carga exigidas diretamente pelas rodas a engenharia consegue mantê-lo em uma faixa específica de funcionamento.
Na aplicação do Volare o motor trabalha em torno de 50 kW e 3mil rpm: “Calibramos isto para um ponto ótimo de funcionamento visando à economia de combustível, ao melhor consumo específico do etanol e à durabilidade do motor”.
O motor utilizado no projeto é da Horse, o mesmo do Renault Kardian, enquanto a WEG fornece o motor elétrico de tração e também o gerador. A Marcopolo realiza a integração dos sistemas e o desenvolvimento do veículo.
Sem transmissão convencional
Como a tração ocorre exclusivamente pelo motor elétrico, o Volare não precisa de uma transmissão convencional.
A arquitetura utiliza a elasticidade de torque e rotação do motor elétrico para cumprir diretamente a função de tração. A solução também reduz a quantidade de componentes mecânicos do powertrain.
Para o operador isto pode representar menor complexidade de manutenção e redução de peso e de componentes sujeitos a desgaste.
Chassi foi desenvolvido no Brasil
O chassi do Volare híbrido foi desenvolvido pela própria engenharia da Marcopolo. A estrutura mantém componentes conhecidos dos veículos convencionais mas recebeu modificações para acomodar os elementos do sistema elétrico.

Dentre eles estão baterias, inversores, motor elétrico, gerador e demais componentes da eletrônica de potência. Além disso o chassi utiliza componentes comuns aos veículos diesel, principalmente em sistemas como suspensão, direção e freios.
“Ele tem muitos dos componentes que são os mesmos do diesel. Nós customizamos o projeto para o acoplamento das baterias, dos motores, dos inversores e de toda a eletrônica do veículo.”
A montagem do chassi ocorre na fábrica da Marcopolo em São Mateus, ES.
Plataforma atende diferentes aplicações
A engenharia também projetou o chassi para receber diferentes configurações de carroceria. Dentre as aplicações estão fretamento, fretamento rural e transporte escolar. A arquitetura também permite configurações para transporte coletivo urbano.
A capacidade fica na faixa de 22 a 28 passageiros, dependendo da configuração. Esa flexibilidade permite que a fabricante utilize a mesma base tecnológica para diferentes operações.
Etanol elimina dependência de recarga externa
Um dos principais diferenciais do Volare híbrido é a operação. Diferentemente de um ônibus puramente elétrico o veículo não depende de uma estação externa para recompor a energia das baterias durante a operação.
O motor a etanol atua como gerador e recupera automaticamente a carga da bateria. Para o operador isto elimina a necessidade de instalar infraestrutura específica de recarga elétrica na garagem.
O abastecimento também ocorre de maneira semelhante ao de um veículo convencional. O motorista pode reabastecer o tanque de etanol em um posto de combustível e retomar a operação.
A solução, portanto, combina a característica de tração de um veículo elétrico com a flexibilidade de abastecimento de um veículo equipado com motor a combustão.























