São Paulo — A Reiter Log transformou a descarbonização em uma estratégia de negócios. A transportadora, com sede no Rio Grande do Sul, acaba de comprar o primeiro cavalo mecânico elétrico da Scania no Brasil, o 30 G, além de anunciar a compra de 220 caminhões da marca movidos a gás, com entregas previstas para de agosto a dezembro de 2026.
Com o novo lote a empresa chegará a aproximadamente 534 caminhões a gás, considerando os 314 veículos que já estão em operação. O movimento faz parte de uma frota que já reúne 43 caminhões elétricos, sendo um Scania e outros 42 modelos de JAC, Volkswagen Caminhões e Ônibus, XCMG e Volvo. A empresa também conta com quinze eixos elétricos aplicados a diferentes veículos.
Assim a expansão acompanha uma projeção de R$ 2,6 bilhões de faturamento em 2026 e uma meta de operar, até 2035, frota 100% movida por fontes alternativas. Atualmente mais de 40% dos veículos já utilizam fontes renováveis.
De sustentabilidade integrada ao negócio
A jornada da Reiter começou em 2014, quando a empresa iniciou os primeiros testes com combustíveis alternativos. Em 2021 veio uma aposta de maior escala, com a aquisição de 124 caminhões Scania a gás.
Agora, com os novos veículos, a companhia amplia significativamente esta operação. Para Vinícius Reiter Pilz, presidente da Reiter Log, a experiência acumulada mostrou que a sustentabilidade precisa estar integrada ao negócio.
“Começamos esta jornada quando ainda nem se falava em ESG no Brasil. Em 2021 fizemos uma grande aposta. Hoje estamos aumentando ainda mais a nossa aposta no gás, principalmente no biometano.”
Além disto a empresa criou área específica para clientes e projetos verdes. Segundo Pilz a idéia já trouxe resultados comerciais: a Reiter tem 34 clientes com contratos sustentáveis e eles representam mais de 50% da receita da companhia.
Para Vanessa Reiter Pilz, vice-presidente de ESG, o conceito precisa ir além da questão ambiental: “Não é só sustentabilidade. Tem que parar em pé economicamente. Você precisa tornar viável economicamente também”.
220 caminhões a gás ampliam operação
Desta forma a compra dos 220 veículos representa a maior aquisição de caminhões a gás da Scania já realizada no Brasil. A Reiter começou essa trajetória em 2021 e ampliou gradualmente a frota desde então.

Com a nova compra a companhia chegará a cerca de 534 caminhões a gás. E sua frota total de veículos sustentáveis deverá superar seiscentas unidades até o fim do ano. O gás, principalmente o biometano, tem papel central porque permite atender a operações de maior distância. Para isto a Reiter estruturou uma rede própria de abastecimento.
Hoje são nove pontos próprios, chamados de pit stops, que permitem conectar o Rio Grande do Sul aos mercados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Goiás.
Além disto a companhia também criou o Corredor Verde, justamente para tornar viáveis rotas de longa distância com combustíveis alternativos.
Biometano aproxima transporte e agronegócio
A tática ganha uma característica particular porque a Reiter Log também atua no agronegócio. A empresa possui uma operação agropecuária no Rio Grande do Sul, onde planta milho, utiliza o cereal na alimentação do gado e aproveita os resíduos da atividade para produzir biogás em biodigestores.
Depois da purificação o biogás se transforma em biometano. Além da produção própria a empresa compra combustível de produtores terceiros, principalmente em São Paulo e no Paraná.
Desta forma a lógica cria um ciclo de economia circular que conecta produção agrícola, geração de energia e transporte.
A Reiter também acompanha a expansão do mercado nacional de biometano. Para Vinícius Pilz o combustível deverá ganhar espaço à medida que novas plantas entrem em operação em diferentes regiões do País.
Elétricos entram onde fazem sentido

Embora o gás seja hoje a principal aposta para operações de maior distância a Reiter também testa diferentes soluções elétricas.
A frota já soma 43 caminhões elétricos, utilizados principalmente em operações urbanas, rotas curtas e contratos dedicados. Além disto os quinze eixos elétricos permitem eletrificar parte do trem de força sem necessariamente substituir todo o caminhão.
É justamente esta diversidade que orienta os planos da companhia. Para a Reiter o Brasil não terá uma única solução energética para o transporte pesado diante das diferenças de distância, infraestrutura, operação e disponibilidade de energia das regiões.
“Avaliamos múltiplas soluções”, afdirmou Vanessa Pilz. “Algumas dão muito certo, outras nem tanto. Mas a ideia é testar para comprovar.”

Primeiro cavalo elétrico Scania
Neste cenário a chegada do Scania 30 G 4×2 representa mais um passo na eletrificação da frota. O caminhão foi desenvolvido para operações de curta distância, distribuição e aplicações hub to hub e tem autonomia estimada de até 250 quilômetros.
Segundo Augusto Frech, engenheiro de aplicação da Scania, o veículo utiliza bateria de 350 kWh e sistema de regeneração de energia durante as desacelerações. O conjunto também conta com transmissão de quatro velocidades.
Todavia a Reiter não vê o elétrico como substituto imediato do gás. A ideia é utilizar cada tecnologia na aplicação em que ela apresenta melhor resultado.
Sustentabilidade começa a pesar na escolha do frete
O plano também acompanha uma mudança dos embarcadores. Segundo Vanessa Pilz algumas empresas passaram a substituir a simples compensação de emissões pela contratação de transportadores capazes de reduzir efetivamente a pegada de carbono.
Este movimento ajudou a abrir novos negócios para a Reiter. Além disto a empresa afirma ter reduzido mais de 15 mil toneladas de emissões em 2024 e 2025, com os resultados auditados por terceira parte.
Portanto a sustentabilidade deixou de funcionar apenas como indicador ambiental e passou a influenciar a contratação de frete.
Um novo mercado para os caminhões a gás
A expansão da frota também começa a criar outro efeito. Ou seja: o surgimento de um mercado de segunda mão para caminhões a gás.
Os primeiros veículos adquiridos pela Reiter Log começam a chegar ao momento de renovação, permitindo que essas unidades sigam para outros transportadores. Neste sentido vale ressaltar que a idade média da frota da transportadora é de um ano e meio. Desta forma a empresa entende que este movimento pode ampliar o acesso à tecnologia desde que o segundo proprietário tenha apoio de manutenção e informações adequadas sobre o veículo.
Assim o ciclo de vida do caminhão se estende para além do primeiro proprietário e ajuda a criar uma cadeia mais madura para o transporte movido a gás.
R$ 2,6 bilhões e mais de 600 veículos sustentáveis
Com os novos investimentos a Reiter espera superar seiscentos veículos sustentáveis em operação até o fim de 2026. Entretanto a empresa não pretende crescer apenas em número de caminhões. A ideia é ampliar infraestrutura, contratos verdes, produção e compra de biometano e novas tecnologias de eletrificação.
O objetivo é chegar a 2035 com uma frota integralmente movida por fontes alternativas. Neste caminho a Reiter aposta em uma combinação de tecnologias em vez de uma única solução. O gás e o biometano sustentam hoje as operações de maior distância. Enquanto os elétricos avançam em rotas urbanas e dedicadas.























