São Paulo — A onda de marcas chinesas de luxo desembarcando no Brasil ganhou mais um nome no Festival Interlagos 2026: a IM, submarca premium do grupo SAIC, o mesmo conglomerado que controla a MG Motor.
O anúncio chega menos de um ano depois da própria MG ter retomado suas operações oficiais no País, e mostra como a fabricante chinesa pretende acelerar sua presença por aqui, subindo um degrau na disputa contra marcas tradicionais de luxo.
A estratégia de entrada é semelhante à adotada por outras chinesas que já romperam o mercado nacional: em vez de montar uma rede própria do zero, a IM vai se apoiar nos concessionários da MG para colocar seus carros nas ruas.
A ideia é que a marca de luxo funcione como uma espécie de chamariz, elevando a percepção da MG como um todo e mostrando a que distância a fabricante pretende chegar tecnologicamente. A meta da MG é encerrar 2026 com cerca de 70 concessionárias no país, estrutura que deve servir de apoio também para a chegada da nova divisão premium.
Não é a primeira investida da MG em produtos de posicionamento mais alto. Antes da IM, a marca já trouxe o o conversível elétrico Cyberster, vendido por R$ 499 mil 800, com dois motores, cerca de 510 cv e tração integral. O primeiro lote, de 50 unidades, esgotou em menos de um mês, sinal de que existe demanda no país para elétricos chineses de tíquete mais alto.
Por trás dessa ofensiva está a escala global da Saic: o grupo comercializou mais de 4,5 milhões de veículos em 2025, alta de mais de 12% ante o ano anterior, com as marcas próprias do conglomerado, somando quase 3 milhões de unidades vendidas, crescimento de mais de 20%.
IM6: o carro-símbolo da nova fase.
O primeiro produto escolhido para representar a marca no Brasil é o IM6, um SUV cupê elétrico de porte grande. Ele mede próximo a 4,90 metros de comprimento, com quase 3 metros de entre-eixos, e adota um desenho de teto inclinado que lembra outras chinesas premium que também chegaram recentemente ao país, casos de Denza e Avatr, além de disputar espaço com Zeekr.
Do ponto de vista mecânico, o IM6 aposta em dois motores elétricos, tração integral e uma bateria de 100 kWh. A arquitetura elétrica de 800 V permite recargas rápidas, algo entre 17 e 18 minutos para ir de 10% a 80% de carga em um eletroposto de alta potência. Já a potência final deve ficar entre 760 cv e valores próximos de 780 cv.
Nas versões internacionais mais robustas, a IM chega a declarar índices ainda maiores, sempre com aceleração de 0 a 100 km/h ao redor de 3,5 segundos.
Um dos destaques de engenharia é o esterçamento das rodas traseiras, recurso que reduz o raio de manobra apesar do tamanho generoso da carroceria, deixando o giro em torno de pouco mais de 10 metros, solução comum em SUVs grandes premium para compensar a dificuldade de manobrar em vagas e ruas estreitas.
A autonomia também varia de acordo com a fonte e a metodologia de medição: no ciclo WLTP europeu, a marca fala em algo entre 500 e pouco mais de 600 km dependendo da versão, enquanto estimativas alinhadas ao Inmetro, mais rigoroso, apontam para números sensivelmente menores. Os valores definitivos para o mercado brasileiro só devem ser confirmados quando o órgão homologar oficialmente o modelo.
Telas grandes, som espacial e cinco estrelas no Euro NCAP
O interior segue a receita que os elétricos chineses vêm consolidando no segmento premium, só que em escala maior: uma tela central de mais de 26 polegadas ocupa boa parte do painel, complementada por outro display, menor, posicionado abaixo.
Bancos com ajustes elétricos, aquecimento e ventilação, teto panorâmico e vidros duplos laminados completam o pacote de conforto, junto de um sistema de áudio próprio da marca com 20 alto-falantes, quatro deles embutidos no teto, trabalhando com efeito de áudio espacial.
Em segurança, o modelo já correu pelos testes do Euro Ncap e obteve a nota máxima de cinco estrelas, com desempenho elevado tanto na proteção de ocupantes adultos quanto de crianças e pedestres, além de bons índices nos sistemas de assistência ao motorista.
A marca também já fechou parceria com uma empresa especializada em blindagem para oferecer versões reforçadas do IM6, embora ainda não tenha falado de preços nem prazos dessa configuração.
Quando chega e estratégia
A estreia comercial da IM no Brasil está prevista para outubro, quando a marca deve fornecer por completo a ficha técnica, as versões disponíveis e os preços do IM6 no País.
Até lá, a expectativa é que mais informações sejam reveladas aos poucos, incluindo se o Brasil receberá apenas a configuração mais potente do SUV ou também alternativas de entrada, como a versão com bateria menor oferecida em outros mercados.
Com a chegada da IM, o grupo SAIC repete no Brasil uma estratégia já testada por outros conglomerados chineses: usar uma submarca de luxo para elevar a percepção de toda a operação e brigar, ao mesmo tempo, tanto com fabricantes premium tradicionais quanto com as rivais chinesas que também apostam em SUVs elétricos sofisticados por aqui.























