São Paulo — A indústria automotiva utilizou 66 mil toneladas de plástico reciclado pós-consumo em 2025. O volume representa queda em relação às 67 mil toneladas utilizadas em 2024 e mantém a trajetória de retração iniciada após dois anos consecutivos de crescimento. Os dados são do Índice de Reciclagem Mecânica de Plástico Pós-Consumo no Brasil, realizado pela MaxiQuim a pedido do Movimento Plástico Transforma.
Em 2023, o setor automotivo consumiu 71 mil toneladas de plástico reciclado, alta de 7,5% sobre o ano anterior. Já em 2024, o volume caiu para 67 mil toneladas, retração de 5,6%. Enquanto em 2025 foram 66 mil toneladas, nova queda, de 1,5% na comparação anual. Com isso o setor acumula três anos consecutivos de retração após registrar altas de 7,5% e 40,4% nos dois anos anteriores.
O movimento ocorre na contramão do mercado de reciclagem como um todo. A demanda total da indústria por plástico reciclado chegou a 1 milhão 632 mil 748 toneladas em 2025.
No ranking por setores, o automotivo ficou atrás de alimentos e bebidas; higiene pessoal, cosméticos e limpeza doméstica; construção e infraestrutura; agroindústria; utilidades domésticas; e indústria.
Expectativa de mudança com novo decreto
Apesar da sequência de quedas, a MaxiQuim não considera o movimento do setor automotivo estrutural. Segundo Solange Stumpf, sócia-fundadora da empresa, os produtores de resinas recicladas atendem a diferentes segmentos e podem direcionar o material conforme a demanda. “Se vende menos em um ano para o automotivo, vai vender mais para utilidades domésticas, construção civil, e vai se movimentando conforme o mercado.”
A executiva também vê espaço para aumento do uso de reciclados a partir de 2026, impulsionado pela maior demanda das empresas e por novas exigências regulatórias.
O Decreto nº 12 mil 688/2025 instituiu o sistema de logística reversa de embalagens de plástico e estabeleceu metas nacionais de conteúdo reciclado. Para as empresas de grande porte, a obrigação passou a valer em janeiro de 2026. A meta nacional começa em 22% neste ano e aumenta gradualmente até chegar a 40% em 2040.
As regras são voltadas às embalagens de plástico e não estabelecem uma obrigação direta para o uso de material reciclado em peças automotivas. O efeito sobre o setor, portanto, tende a ocorrer de forma indireta, com o aumento da demanda por resinas recicladas e a expansão do mercado.
“Vai ajudar a indústria automobilística a se consolidar ainda mais. É um caminho sem volta, então todos esses setores, principalmente esses mais bem estruturados e profissionalizados, como o automotivo, vão utilizar cada vez mais.”























