AutoData - Compras à vista batem recorde
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18/11/2016

Compras à vista batem recorde

Por Redação AutoData

- 18/11/2016

A compra de veículos com pagamento a vista atingiu 44% do total dos negócios em setembro, índice recorde de acordo com balanço divulgado na quarta-feira, 16, pela Anef, Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras. O maior porcentual até então, de 42%, foi alcançado no primeiro semestre deste ano. Tal comportamento, segundo a entidade, é reflexo das restrições ao crédito e da falta de confiança do consumidor, que ainda teme contrair dívida diante do atual cenário econômico.

“O setor automotivo é movido por três pilares: confiança, renda e crédito”, comenta o presidente da Anef, Gilson Carvalho. “Enquanto o consumidor não recuperar a sua confiança e renda, ele não vai recorrer a um financiamento por medo de não quitar a dívida e ficar inadimplente”. A opção, então, segundo o executivo, é comprar um veículo de menor valor à vista ou adiar a aquisição do bem.

Do total das compras de veículos, o CDC, Crédito Direto ao Consumidor, ainda responde por maior fatia, de 50%, enquanto o leasing tem participação de apenas 1% e o consórcio detém 5%. A concessão de créditos via CDC atingiu R$ 6,6 bilhões em setembro, receita 9,2% inferior à de agosto e 5,9% abaixo da registrada no mesmo mês de 2015.

Para as pessoas físicas foram destinados R$ 5,8 bilhões, com queda de 8,5% e 6,2%, respectivamente, enquanto para as pessoas jurídicas foram concedidos R$ 765 milhões – menos 14,6% e 3,4% nos mesmos comparativos. O total de recursos liberados via CDC nos nove primeiros meses deste ano somou R$ 58,1 bilhões, com um recuo de 13,8% nos últimos doze meses.

Nas operações de leasing foram liberados em setembro R$ 148 milhões, montante 2,6% inferior ao de agosto e 40,6% abaixo do concedido no mesmo mês de 2015. Desse total, R$ 111 milhões foram destinados para pessoas físicas e R$ 37 milhões para as jurídicas. O total acumulado no ano na modalidade leasing é de R$ 1,5 bilhão, redução de 31,5% nos últimos doze meses.

Já no segmento dos veículos pesados, o Finame é o responsável pela maior parte das operações, com 62% dos contratos. Outras modalidades utilizadas foram CDC (14% das negociações), consórcio (5%) e leasing (2%). As compras à vista responderam por 17% dos negócios no mercado de pesados. No segmento de duas rodas, as entregas pelo consórcio foram responsáveis por 36% das vendas. As compras à vista e no CDC empataram com 32% dos negócios.

Inadimplência – O saldo das carteiras de CDC e leasing somaram R$ 165,3 bilhões, recuo de 13,1% nos últimos doze meses e de 0,7% na comparação com agosto. O total destinado ao CDC foi de R$ 160,6 bilhões e para o leasing, R$ 4,7 bilhões. O saldo do ano correspondeu a 2,7% do PIB, contra os 3,2% no mesmo período do ano passado.

De acordo com a Anef, as taxas praticadas pelos bancos ligados às montadoras continuam mais atraentes para o consumidor na comparação com as instituições independentes. Em setembro, as suas associadas cobraram juros de 23,43% ao ano, ou 1,77% ao mês, enquanto os independentes trabalharam com índices de 26,1% e 1,95%, respectivamente. O prazo médio das concessões foi mantido em 42 meses, sendo que o máximo oferecido pelos bancos é de 60 meses.

Com relação à inadimplência houve estabilidade na modalidade CDC em setembro com relação a agosto, com taxa de 4,4%, enquanto no comparativo com o mesmo mês de 2015 a alta foi de 0,5 ponto porcentual. Já para as pessoas jurídicas, a taxa de não pagadores em setembro atingiu 5,1%, índice 0,1 ponto porcentual superior ao do mês anterior e 0,7 ponto acima do registrado doze meses antes.

Nas operações de leasing, a taxa foi de 4%, tanto para as pessoas físicas como para as jurídicas. Para o primeiro grupo, essa taxa corresponde a uma redução de 0,1 ponto percentual na comparação com agosto e de 2,1 pontos em doze meses. No caso das pessoas jurídicas houve redução de, respectivamente, 0,1 ponto porcentual e 0,8 ponto.

A Anef estima que o saldo de financiamento deverá ficar em R$ 155,7 bilhões este ano, com queda de 15% em relação ao resultado alcançado no ano passado, que foi de R$ 183,2 bilhões. Já o volume de recursos liberados deverá cair 15,8%, passando de R$ 92 bilhões para R$ 77,5 bilhões.


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