O volume de caminhões que circulou pelas estradas brasileiras no ano passado foi 5,3% menor do que o tráfego registrado em 2015, indicou o índice de atividades de veículos que rodam pelas rodovias concedidas, divulgado na sexta-feira, 10, pela ABCR, Associação Brasileira de Concessionárias Rodoviárias. Apesar da queda no tráfego especialistas acreditam que 2017 apresentará uma reação em razão de três pilares. Com o PIB mais forte a tendência é que ocorra a renovação de frota de caminhões. Cerca de 85% dos veículos pesados comprados pelas transportadoras em 2011 e 2012 já podem ser renovados e isso pode sustentar as vendas das montadoras instaladas aqui.
O que impede a decisão de compra são as incertezas na economia.
Para economistas a safra de grãos – e de outros insumos importantes para a economia, como a cana de açúcar – esperada para este ano é de 214,8 milhões de toneladas, segundo a Conab, Companhia Nacional de Abastecimento, e será o primeiro combustível para o crescimento econômico. O volume 15,3% maior deverá impulsionar os negócios e impactar positivamente na movimentação de cargas.
“Espera-se um efeito primeiro no campo, que depois virá para as cidades. A colheita de grãos como a soja, por exemplo, será suficiente para impulsionar o crescimento do PIB para além dos 0,2% projetados pelo Fundo Monetário Internacional”, observa o professor Agostinho Celso Pascalicchio, economista da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “E o PIB deve chegar a 1,3% a partir do terceiro trimestre.”
O segundo pilar que pode impactar o tráfego de caminhões no País é a liberação do saque das contas inativas do FGTS, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. O economista cita que a medida, que pode injetar aproximadamente R$ 40 bilhões na economia brasileira, tem grandes possibilidades de aquecer o mercado de bens de consumo, como itens da linha branca e veículos: “Uma parte do dinheiro sacado será usado para quitar dívidas, como acontece historicamente. Por outro lado é provável que muitos consumidores adquiram bens duráveis, como já aconteceu no passado”.
Por último as obras de infraestrutura programadas para este ano deverão, também, refletir diretamente na economia e, consequentemente, no tráfego de caminhões no País. Para o economista Thiago Cortez Xavier, da Tendências Consultoria, “o pacote de obras planejadas pelo governo influenciam no crescimento do País por causa da complexidade que possuem, movimentando uma cadeia gigante de fornecedores. O crescimento será lento e gradual, mas contracenará com melhorias no cenário de confiança e também em indicadores econômicos, como a inflação, que está baixa”.
Comparação – Na comparação de janeiro deste ano com dezembro de 2016 o fluxo de veículos leves nas rodovias brasileiras aumentou 1,6%. Ao comparar janeiro de 2017 com janeiro de 2016 o índice total aumentou 0,3%. O fluxo de veículos leves cresceu 1,0%, enquanto que o fluxo de pesados registrou retração de 2,3%. Já nos últimos doze meses o fluxo de veículos nas rodovias pedagiadas recuou 3,1%.
Considerando essa mesma base de comparação o fluxo de veículos leves e pesados registrou queda de 2,3% e 5,4%, respectivamente.
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