AutoData - ANEF propõe recuperação de bens mais rápida
news
20/02/2017

ANEF propõe recuperação de bens mais rápida

Por Bruno de Oliveira

- 20/02/2017

Os bancos das fabricantes de veículos que atuam no País participam das discussões para adequar a lei que prevê a recuperação de bens financiados, e não pagos, no mercado brasileiro. O ministro da Fazenda, Henrique Meireles, já anunciou que espera que o projeto de lei para aumentar as garantias das instituições financeiras em caso de calote seja enviado ao Congresso ainda este mês. Uma das medidas defendida pela ANEF, associação que agrupa as empresas financeiras das montadoras, é a redução do tempo de resgate dos bens, hoje em torno de dois anos para veículos comerciais e de um ano para carros.

A ideia faz os dois lados, setores público e privado, mirarem no mesmo alvo. Acredita-se que um menor tempo de resgate possa induzir as financiadoras a terem mais confiança e, assim, concederem mais crédito, movimentando o mercado e aquecendo a economia. Se o plano der certo a expectativa do setor é a de que o volume de recursos liberados chegue a R$ 86,7 bilhões até dezembro deste ano, valor 5,5% maior do que o registrado em 2016.

O crescimento esperado pelos bancos das montadoras é de 2,5% no saldo das carteiras, R$ 166,7 bilhões ante os R$ 162,7 bilhões do ano passado, volume que representou queda de 11,4% sobre o resultado do exercício anterior.

No que diz respeito ao negócio das montadoras abreviar o tempo de recuperação tem impacto direto na diminuição do ônus resultante do processo judicial como ele é conduzido hoje. Segundo Gílson Carvalho, presidente da ANEF, diminuir o tempo significará também, por exemplo, em uma menor depreciação dos veículos apreendidos, podendo assim ser revendidos ou leiloados por um preço maior do que o praticado atualmente.

“Ao fim de dois anos um caminhão pode ser vendido por 40% do valor de quando saiu da fábrica.”

Em 2016 54% dos veículos licenciados foram adquiridos por meio de financiamentos, tanto pelos bancos das montadoras quanto pelos de varejo, segundo dados da Anfavea, entidade que representa as empresas fabricantes de veículos e máquinas agrícolas. Historicamente o porcentual flutua de 60% a 65%, mas nos últimos meses teve resultados que sinalizam para um mercado em recessão. Em novembro do ano passado 50,3% dos veículos licenciados foram financiados por alguma instituição financeira.

Diego Marin, diretor de crédito da operação brasileira do Banco Mercedes-Benz, recorda que até dezembro o volume de financiamentos dará os primeiros indícios de retomada por causa das demandas por transporte rodoviário em setores importantes da economia, como o agronegócio e o de extração de minérios.

“A capacidade ainda é ociosa porque no passado o volume de compras foi alto com relação à demanda do mercado, em constante queda. Mas espera-se que os setores mais fortes da economia possam voltar a investir e isso vai causar impacto sensível no volume de financiamentos.”

A ociosidade nas fábricas de veículos comerciais é em torno de 70% da capacidade instalada.

Pesados – De acordo com dados da Anef os financiamentos de caminhões e ônibus, novos e usados, tiveram, em 2016, queda de 30,6% com relação a 2015. Foram 372,4 mil veículos comerciais usados e 63,9 mil novos. No segmento de veículos pesados o Finame foi responsável por 62% das negociações, seguido pelo CDC, 17%, compras à vista, 14%, consórcio, 5%, e leasing, 2%.

Já em automóveis e comerciais leves, apesar da restrição ao crédito, o financiamento ainda é o caminho escolhido pelo consumidor na hora de fechar a compra de um veículo novo. No ano passado 49% dos negócios envolveram operações de CDC. As compras à vista registraram o melhor resultado desde 2008 e corresponderam a 44% das vendas efetuadas em 2016. O consórcio respondeu por 5% dos contratos e o leasing por 2%.


Whatsapp Logo