O futuro do setor automotivo aponta para a massificação dos veículos equipados com motores elétricos. No Salão de Paris de 2016, um dos mais importantes eventos globais da indústria de automóveis, a tônica dos modelos apresentados pelas montadoras foi a propulsão elétrica e seus benefícios no desempenho dos carros e impactos no meio ambiente. Além de causar modificações profundas na mobilidade urbana, veículos elétricos também provocarão mudanças importantes em setores específicos da cadeia automotiva, como o segmento de retífica de motores.
Ainda que seja um cenário distante, cujas previsões apontam para a massificação dos veículos elétricos para além de 2030, foi ligado o sinal de alerta em muitas empresas que prestam serviços de retífica em motores de carros leves. Isso porque tecnologias disruptivas, como é o caso do propulsor elétrico, historicamente fizeram empresas gigantes desaparecerem por conta da falta de investimentos em novas áreas ou reposicionamento no mercado. São famosos os casos da Kodak, Olivetti, entre outras empresas, que perderam relevância à medida que não se adequaram às novas tecnologias que surgiram, as câmeras digitais e os computadores, respectivamente.
“O setor de retífica de motores não enxerga que estão ocorrendo mudanças significativas no mercado. São poucas as empresas que apostam em inovação e elas podem desaparecer no futuro se não começarem desde agora a investirem em capacitação de profissionais na área da eletrônica ou reverem seus modelos de negócios visando à diversificação”, conta José Arnaldo Laguna, vice-presidente do Sindirepa, sindicato que reúne 170 empresas da área de reparação de veículos do estado de São Paulo, e presidente do Conarem, o conselho nacional do segmento.
A preocupação é tamanha que motivou a entidade a criar um instituto internacional de mobilidade para articular como o setor deve se preparar para as mudanças que serão impostas pela chegada de novas tecnologias. “A ideia é desenhar como será o nosso modelo de negócio no futuro”, explica Laguna. “O que já podemos fazer é conversar com empresas que pretendem comprar novas máquinas. O ideal é que apostem em capacitação em áreas como a eletrônica, e não investirem em algo que pode se tornar obsoleto com o passar dos anos”.
Diversificação é o termo apontado como agente que vai guiar a transformação esperada nas empresas de reparos de motores. A expectativa de mudança lenta e constante deverá ocorrer paralelamente à oferta do serviço que é prestado atualmente pelo segmento. A razão disso está no tamanho da frota de veículos leves que circulam hoje pelo País – 35,7 milhões, segundo Anuário da Indústria Automobilística de 2016 da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos. “Como a renovação configura um processo longo, a retífica convencional ainda será importante dado o número de veículos equipados com motores à combustão no Brasil”, disse Laguna.
Para Ricardo Bacellar, diretor da divisão automotiva da KMPG no Brasil, o setor de tecnologias irão se aproximar da indústria automotiva cada vez mais ao longo dos anos, e isso vai atenuar os impactos das novidades na cadeia. “Vai ser mais comum ouvirmos parcerias entre empresas de tecnologia e do setor automotivo serem costuradas. Esta união vai ser benéfica porque vai aumentar a absorção das novidades por parte de um setor que ainda está tentando entender o que está acontecendo”, explica o consultor.
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