AutoData - FCA quer aumentar componentes nacionais nos veículos
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20/03/2017

FCA quer aumentar componentes nacionais nos veículos

Por Bruno de Oliveira

- 20/03/2017

A Fiat Chrysler Automobiles, FCA, pretende aumentar o índice de nacionalização nos veículos produzidos nas fábricas de Goiana, em Pernambuco, e Betim, em Minas Gerais. De acordo com Armando Carvalho, diretor de Compras da empresa, “a empresa trabalha para chegar a algo próximo aos 80%”, caso haja políticas públicas que viabilizem um fortalecimento maior da cadeia produtiva por parte do governo federal, como linhas de crédito e desoneração.

O executivo afirmou que o ideal é que a indústria como um todo trabalhe com cerca de US$ 136 de componentes importados por carro produzido, valor que predominou no mercado em 2005. Hoje, diz Carvalho, o valor de importados na composição dos veículos nacionais chega US$ 236. “Cada empresa tem uma estratégia, mas se pautarmos a produção em função do câmbio, por exemplo, intensificamos a desindustrialização no País.”

Os números foram apresentados durante o seminário Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira, organizada pela editora Autodata. A FCA tem aumentado a participação de componentes nacionais nos veículos Renegade e Compass, da marca Jeep, e Toro, da Fiat. Isso foi possível, segundo Carvalho, após a empresa ter implantado uma estratégia de aproximação de alguns fornecedores, em 2015.

Para Carvalho, as políticas são necessárias também porque ajudam os fornecedores a serem mais competitivos no mercado externo. “O desempenho ruim de alguns fornecedores e a falta de políticas públicas para industrialização são a causa desse processo de importação que, na maioria dos casos, são desnecessários e enfraquecem a produção aqui. Tem empresas que não conseguem vender nada no exterior porque a China e a Coreia do Sul passaram a investir em políticas internas que fortaleceram a indústria deles”.

Na fábrica de Goiana, a mais nova da empresa no Brasil, são 17 autopeças que atuam no parque de fornecedores. O objetivo da proximidade é otimizar a logística e participar ativamente dos processos de desenvolvimento de peças e componentes. Os parceiros atuam em 12 prédios, fornecendo atualmente 17 linhas de produtos que compõem 40% dos componentes necessário à montagem dos veículos. Em 2015, a FCA dividiu o investimento na fábrica de Pernambuco de R$ 2,1 bilhões, bancando cerca de R$ 1 bilhão para construir todas as instalações industriais do parque de fornecedores.

A empresa credita o aumento das exportações da picape Toro à estratégia adotada há dois anos. Segundo a Anfavea, o veículo puxou os números de vendas ao exterior no primeiro bimestre deste ano no segmento de comerciais leves. “É um modelo que sofreu influência deste processo de integração com os fornecedores, que nos ajudaram a construir um veículo que já é referência fora do Brasil.”


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