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06/06/2016

GM demite trezentos em Gravataí

Por André Barros

- 06/06/2016

Cerca de trezentos metalúrgicos que retornariam ao trabalho na fábrica da General Motors em Gravataí, RS, na segunda-feira, 2, após cinco meses afastados em lay off foram dispensados pela montadora por meio de telegramas. Eles fazem parte de um grupo de oitocentos funcionários que em dezembro entraram em lay off, para ajustar a produção da fábrica à demanda do mercado.

A informação, divulgada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, foi confirmada pela companhia que, em nota, afirmou que “durante o período do acordo mais da metade destes empregados retornou ao trabalho, pois a esperada recuperação do mercado, infelizmente, não aconteceu”.

A GM ainda completou: “Na realidade houve queda de mais de 26% nas vendas da indústria apenas nos primeiros quatro meses de 2016”.

O sindicato, por sua vez, rebateu o argumento da montadora: nas suas contas as vendas de Onix e Prisma, os dois modelos produzidos em Gravataí, saltaram de 27,5 mil unidades no primeiro trimestre de 2015 para 32,3 mil veículos nos primeiros três meses de 2016.

O presidente Valcir Ascari afirmou que a entidade buscará na justiça a manutenção do emprego dos demitidos com pedido de instauração de dissidio coletivo no TRT local, além de pressionar a diretoria da GM:

“Vamos ao tribunal com muito fundamento, mostrando que os motivos alegados pela montadora para demitir os trabalhadores são inconsistentes. Entendemos que não há necessidade de demitir trezentos pais e mães de família”.

O sindicalista apresentou também dados do Dieese que, segundo ele, comprovam que não há necessidade da GM demitir. Nos últimos doze meses a GM desligou cerca de oitocentos funcionários de Gravataí, dos quais 102 apenas no primeiro trimestre do ano. “Esses ajustes já seriam suficientes para manter o quadro atual, sem necessidade de novos desligamentos”.

Acordo no ABCD – Em São Caetano do Sul, onde está a principal fábrica e sede da GM no Brasil, os trabalhadores que estavam afastados tiveram o lay off prorrogado por cinco meses, com possibilidade de nova extensão por mais quatro meses. Em contrapartida os funcionários da fábrica não receberão reajuste salarial este ano, mas terão dois abonos durante o ano para compensar as perdas inflacionárias.

A GM confirmou o acordo. Em nota, afirmou ter sido “positivo, pois pode conciliar as necessidades de ajuste ao mercado em queda com o interesse dos empregados”.


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