Financeiras indicam recuperação lenta do mercado

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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24/04/2020

São Paulo – Empresas financeiras que operam no segmento automotivo enxergam como inevitável a queda do consumo de veículos no País, em função do cenário criado pela pandemia, que deve provocar desemprego e redução da massa salarial: "Renda é o que conduz o crédito no mercado", disse Rodrigo Capuruço, diretor da Volkswagen Financial Services, o braço financeiro da montadora, em apresentação online organizada pela Easy Carros na quinta-feira, 23.

 

Ainda que projeções acerca da retomada do mercado seja campo no qual poucos se arriscam a opinar, há consenso sobre uma retomada do consumo, lento e no longo-prazo, o que deve produzir reflexos na aquisição de crédito por pessoas físicas e jurídicas. No entanto o executivo disse que o momento para aqueles que precisam de recursos é o de organização da operação:

 

"Seja uma locadora ou uma pessoa física, o importante é estruturar as finanças para tornar viável o crédito. No caso das empresas focar no resultado operacional é importante porque representa robustez, a partir da qual se pode ter previsibilidade de retorno para quem concede crédito".

 

Quem necessita de crédito para operações de curto-prazo, segundo Rodnei Bernardino de Souza, diretor do Itaú responsável pela área de veículos, consegue a contratação em condições de juros melhores do que aqueles que demandam financiamentos mais longos:

 

"Financiamento mais longo está caro. Quando avaliamos um pedido de crédito não consideramos apenas a taxa básica, que está baixa. Com a questão da possível queda da renda o spread aumenta nos compromissos financeiros mais longos. Sem contar a tributação sobre a operação financeira que aumentou enquanto a taxa Selic caiu".

 

O executivo do Itaú também acredita que a recuperação do mercado "não será em V como afirmou Paulo Guedes [ministro da Economia]", mas em formato de L "com a perna longa indicando recuperação lenta".

 

A queda do volume de veículos financiados no País já pode ser observada em março, um reflexo imediato provocado pela pandemia, que interrompeu a produção de veículos e fechou as concessionárias. De acordo com balanço da B3 no mês foram financiados 434,8 mil unidades, resultado que representa retração de 3% ante março de 2019.

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens.