Em destaque

Projeto de lei propõe uso do FGTS para a compra de veículos

Objetivo é estimular mercado de carros novos e usados
Aplicativo Caixa Econômica Federal- FGTS.

São Paulo – Em meio a um cenário em que as vendas de veículos 0 KM ficaram empatadas com as registradas em 2021, ao contabilizar 2 milhões 104 mil emplacamentos no ano passado, o setor busca não só estimular as vendas como dar meios para que elas ocorram – haja vista a taxa de juros em torno de 30% ao ano para financiar um carro, que vem fazendo com que os financiamentos rareiem no mercado.

Pois bem: o deputado federal Pedro Lucas Fernandes propôs medida que estimula tanto o mercado de unidades novas como, também, o de usadas e, consequentemente, a economia: seu projeto de lei 2 679/22 prevê o uso do FGTS, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, na compra de veículos.

De acordo com as regras atuais do FGTS o saldo acumulado por trabalhadores com registro em carteira pode ser retirado apenas em casos de demissão sem justa causa, doenças graves a exemplo do câncer, aposentadoria e financiamento de imóvel.

O PL tramita na Câmara dos Deputados e será avaliado em caráter conclusivo – ou seja, é dispensada a deliberação do Plenário – pelas comissões de Trabalho, de Finanças e Tributação, de Constituição, Justiça e Cidadania e de Administração e Serviço Público. Se aprovado, alterará a Lei do FGTS, que data de 1990.

À Agência Câmara Fernandes justificou que sua proposta poderá, adicionalmente, culminar na maior geração de emprego e que dará maior autonomia ao trabalhador, para que faça melhor uso de seu próprio patrimônio.

O exemplo chileno – A medida se assemelha à adotada no ano passado pelo Chile justamente para reaquecer a economia, quando o governo permitiu que os cidadãos utilizassem recursos de sua previdência na compra de veículos. O resultado influenciou, inclusive, as exportações brasileiras ao país vizinho, detentor do segundo maior mercado da América Latina.

O Chile ampliou sua participação nas exportações de veículos brasileiros de 10% para 12% no ano passado, totalizando 57 mil unidades, e se confirmou como o quarto maior cliente estrangeiro, atrás de Argentina (35% para 29%), México (18%) e Colômbia (15% para 16%).  

O crédito sumiu do mercado – Durante a divulgação dos resultados do setor automotivo em 2022 o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, informou que a entidade já entregou ao novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva agenda prioritária para o desenvolvimento do setor, que sofre com o problema global da escassez de semicondutores mas também com diversos entraves estruturais no País, principalmente de ordem tributária, de estímulo à renovação de frota e incentivo à pesquisa e desenvolvimento.

Leite complementou que “sem crédito não há mercado”, e que diante da atual conjuntura, em que os juros batem na casa dos 30% anuais, com maior restrição à aprovação de financiamentos, as vendas a prazo despencaram. Em 2022 75% do comércio automotivo foi à vista, algo nunca antes visto e que se explica pelas compras de locadoras e frotistas. O consumidor pessoa física, portanto, tem encontrado poucas ferramentas para trocar de carro.

Em 2019, ou seja, no período pré-pandemia, essa equação era inversa, e 70% das vendas eram realizadas por meio de financiamentos: “Para romper com vigor o patamar de 2 milhões de unidades é preciso repensar o acesso ao financiamento de retomar as vendas a prazo”.

O problema também afeta o mercado de usados, ultravalorizado diante da menor oferta dos 0 KM. Mesmo tendo registrado a venda de 10,5 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus em 2022, o volume ficou 10,8% abaixo do obtido em 2021, quando houve recorde de vendas, de acordo com dados da Fenabrave.

fiat

Notícias relacionadas

Fiat
Fiat

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

Fiat