São Paulo – Em vigor desde 2017, o Acordo de Complementação Econômica do Brasil com a Colômbia, que trata das relações comerciais bilaterais dos veículos, poderá ser revisto nas próximas semanas. A decisão parte do lado colombiano, segundo afirmou Oliverio Enrique Garcia Basurto, presidente da Andemos, Associação Nacional de Mobilidade Sustentável, que deseja fechar a torneira e reduzir o volume de veículos brasileiros que entram no mercado livre de impostos.
Pelo ACE, que também facilita o acesso dos colombianos a produtos têxteis e siderúrgicos, há livre-comércio de veículos nos dois países, sem a cobrança de tarifas de importação, para até 50 mil veículos por ano. São duas cotas: uma com VCR, Valor de Conteúdo Regional, de 50% e outra de VCR de 35%. Desde que entrou em vigor a participação de veículos brasileiros no mercado colombiano foi crescente e, recentemente, o País tornou-se o principal fornecedor, superando o México.
“Esta é uma mensagem aos colegas da Fenabrave, Anfavea e da Adefa, na Argentina, para que fiquem atentos pois deve haver uma mudança nas regras, porque há um contingente livre de impostos com diferentes conteúdos locais, um com 50% e outro com 35%. Se houver alteração haverá um grande impacto”.
Basurto participou do 5º Congresso Latino-americano de Negócios do Setor Automotivo, organizado pelal AutoData na semana passada. Na ocasião projetou queda de 30% nas vendas locais, para cerca de 180 mil unidades, mantendo o ritmo registrado até agosto, de 118,8 mil vendas e recuo de 30%.
Como no Brasil, o mercado colombiano sofre com escassez de crédito, juros e inflação elevados e perda no poder de compra da população, ao mesmo tempo em que os preços dos veículos sobe.
O alerta feito por Basurto pode refletir nas exportações de veículos para o mercado colombiano, que também caíram em torno de 30% neste ano, segundo a Anfavea, que tem demonstrado preocupação com a maior presença de veículos chineses nos países da região. A Colômbia responde por 10% dos embarques de veículos brasileiros.





