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FPT Industrial tenta levar conceito flex fuel para veículos comerciais

Desenvolvimento do novo motor, que faz parte de um projeto do Rota 2030, está previsto para ser finalizado em 2025. Mas demandas comerciais podem antecipar o projeto.
Escritório Contagem ©2021 Nereu Jr

São Paulo – Desde o começo do ano a FPT Industrial, em parceria com a Mahle Metal Leve e três universidades, avança com o projeto de desenvolvimento do motor F1C. Ele poder ser movido a gás natural, a biometano e a etanol, a grande aposta que a companhia faz para a descarbonização no médio prazo. Segundo seu diretor de engenharia para a América Latina, Alexandre Xavier, o motor, que integra um projeto do Rota 2030, está em fase de simulações e calibrações na empresa e nas universidades parceiras.

A expectativa é que até o fim de 2025 esteja pronto, mas há há discussões sobre possíveis futuras aplicações: “Pode ser usado em máquinas e veículos comerciais, mas vemos duas aplicações muito prováveis: a primeira seria a troca do motor movido a diesel pelo F1C que pode rodar com gás natural, biometano e etanol. Seria possível porque o etanol já está presente no Brasil todo e o gás tende a avançar”.

A segunda aplicação seria usar o novo motor de forma estacionária em ônibus urbanos de 12 metros, fornecendo a energia necessária para carregar as baterias por meio do gás ou do etanol, e um eixo eletrificado faria a tração do veículo. Uma espécie de veículo comercial híbrido. 

Com estes dois cenários bem claros a FPT pretende começar, em breve, a trabalhar este motor comercialmente: “Nada impede que em paralelo a gente acelere o trabalho por demandas do mercado, como também pode ser que o projeto final seja apresentado só em 2025”. 

O motor F1C a gás natural, biometano e etanol será parecido com um flex, mas não tem o mesmo conceito. Cada combustível terá o seu tanque, até porque gás não é líquido. A FPT ainda não encontrou a solução final e trabalha com duas opções: selecionar com qual combustível o veículo rodará a partir de um controle no painel, por exemplo, ou pré-definir com o cliente qual combustível será o principal e, desta forma, reduzir o tanque de combustível do outro, deixando o veículo programado para rodar com o combustível número um – caso acabe, com o tanque do combustível dois cheio, a fonte seria alterada de forma automática.

Com relação à emissão de gases poluentes, em que o NOx é o principal desafio, o grande avanço na comparação com um motor similar a diesel é a possibilidade de usar um sistema de emissão mais simples mas com o mesmo efeito. Já com relação aos gases de efeito estufa, onde se enquadra o CO2, a vantagem seria muito grande, por trocar um combustível fóssil por duas opções verdes. O número final de redução ainda está em estudo pela FPT.

Esta é uma das grandes apostas da FPT para o futuro a curto e médio prazo, mas sem deixar de olhar para outras soluções. Xavier disse acreditar em um futuro eclético e com diversos combustíveis verdes em operação: “Olharemos para a eletrificação também, assim como seguiremos aprimorando os motores diesel, nos quais o HVO pode ser uma opção para um futuro mais sustentável. Ofereceremos uma série de soluções aos nossos clientes”.

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