São Paulo — Com 12 anos de atraso a Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo entrou em operação em 31 de março, ligando a estação Morumbi, na Zona Sul da Capital, ao Aeroporto de Congonhas. A previsão de inauguração era para a Copa do Mundo disputada no Brasil, em 2014, mas a obra permaneceu em ritmo lento ou paralisada de 2016 a 2023, até ser totalmente retomada.
A Linha 17-Ouro custou R$ 5,9 bilhões e compreende oito estações ao longo de 6,7 quilômetros de extensão: Morumbi, Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo, Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas. A última parada, Washington Luís, está em fase final de construção.

O ramal faz conexões com a Linha 5-Lilás, em Campo Belo, e 9-Esmeralda, no Morumbi, ambas sob responsabilidade da concessionária ViaMobilidade.
Operação assistida com tempo reduzido
Por enquanto, a operação gratuita está funcionando em horário reduzido, das 10h às 15h. Entrará em atividade plena, das 4h40 à 0h, em outubro. Nesta fase cerca de 100 mil passageiros serão atendidos diariamente.
As composições são de fabricação da chinesa BYD, que assumiu a Linha 17-Ouro em 2019. “Era um momento importante de reorganização do fornecimento dos trens e sistemas do monotrilho”, disse Alexandre Barbosa, diretor técnico da BYD SkyRail no Brasil.
Quando a BYD ingressou no projeto, boa parte da infraestrutura civil estava pronta. Foi necessário, então, colocar em prática um amplo trabalho de adaptação para garantir a integração dos trens com os demais componentes da linha. Segundo Barbosa a entrada da companhia contribuiu para o avanço da obra na etapa crucial de implementação de composições e tecnologias.

Em 2020 BYD e Metrô de São Paulo assinaram o contrato que, efetivamente, autorizou o início imediato da produção dos trens na China e implantação dos sistemas de sinalização, portas de plataforma, equipamentos de manutenção e subsistemas essenciais para a operação do monotrilho.
Com seus automóveis elétricos e híbridos se consolidando nas ruas brasileiras, a BYD aceitou o desafio de atuar no setor ferroviário brasileiro, a primeira participação fora da China, com seus trens elétricos SkyRail dotados de bateria Blade.
Duas composições estão em operação, fazendo o trabalho de vai e volta no monotrilho suspenso do ramal. Outras onze unidades aguardam a vez no Pátio Água Espraiada e a décima-quarta deve chegar em julho para atender a demanda prevista.
Como o passageiro se sente?
AutoData Mobility realizou a viagem completa do Morumbi até o Aeroporto de Congonhas. As composições são uma atração à parte. Por serem novidade, elas parecem um ponto turístico. As pessoas entram e buscam se acomodar no primeiro vagão, que tem um grande vidro panorâmico, para fazer fotos de fora e também do painel de controle.

Um grupo de estudantes de engenharia aproveitou a presença de um funcionário do Metrô para obter informações técnicas do projeto.
O design da composição se assemelha ao dos trens-bala — comuns em países da Europa e Ásia –, com bico longo para melhorar a aerodinâmica. O Skyrail é totalmente automático e dispensa a intervenção de operador a bordo.
A composição é formada por cinco vagões, com passagem livre entre eles, ar-condicionado, iluminação em LED, câmeras de vigilância, sistemas de detecção e combate a incêndio e tração sobre pneus. O conjunto de baterias Blade permite ao trem se movimentar por mais oito quilômetros mesmo em caso de falta de energia.
Com 114 assentos e capacidade para 616 passageiros, o veículo tem visão panorâmica, velocidade de até 80 km/h, baterias para situações emergenciais e janelas basculantes.

A viagem durou dezessete minutos, mas o intervalo de um trem para outro durante a operação assistida é de aproximadamente vinte minutos. Portanto, é bom o usuário se programar para não chegar atrasado ao destino.
Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes Urbanos, a operação elétrica deixa de emitir anualmente 25,9 mil toneladas de poluentes e gases de efeito estufa e gera economia de 11,7 milhões de litros de combustível por ano.
O projeto da Linha 17-Ouro inclui a expansão com mais quatro estações, que aumentará o percurso em 4,6 quilômetros: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis.

Atualmente, a rede metroviária da cidade de São Paulo é composta por seis linhas, totalizando 104,2 km de extensão e 91 estações, por onde circulam mais de 4 milhões de passageiros diariamente.





