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Volkswagen cresce vendas em meio a processo de reestruturação

Resultado operacional de quase € 7 bilhões em 2024 recuou em 4,3% frente ao ano anterior
From left to right: Thomas Schäfer, Member of the Group Board of Management, CEO of the Volkswagen Passenger Cars Brand, and Head of the Brand Group Core and David Powels, Member of the Board of Management of the Volkswagen Brand responsible for “Finance” and responsible for Finance at the Brand Group Core

São Paulo – As principais marcas independentes do Grupo Volkswagen – Volkswagen, Škoda, Seat, Cupra e Volkswagen Veículos Comerciais – aumentaram as vendas de veículos e as suas receitas em 2024, a despeito do desafiador cenário instalado pela entrada de novos participantes no mercado, principalmente fabricantes de veículos eletrificados, e da maior concorrência, o que fomentou a reestruturação da companhia.

Juntas elas integram o chamado Grupo de Marcas Principais, que tem como CEO Thomas Schäfer, também integrante do Conselho de Administração e CEO da marca de automóveis de passageiros Volkswagen.

Durante a divulgação de resultados na quinta-feira, 13, a companhia destacou a resiliência das marcas em meio à reestruturação anunciada em novembro, quando Schäfer admitiu a necessidade de cortar € 4 bilhões e foi categórico quanto a não haver outro caminho senão o de demissões e o fechamento de fábricas na Alemanha. Tudo para manter-se competitiva e para não ser deixada para trás por rivais – principalmente no que diz respeito ao custo de veículos elétricos.

Foram vendidos ao longo do ano passado quase 4 milhões 960 mil veículos, descontados os números da China, acréscimo de 2,8% ou 130 mil unidades na comparação com 2023. O resultado foi atribuído aos lançamentos, que trouxeram ganho de participação no mercado europeu de 0,9 ponto porcentual, para 20,1%. 

O reflexo das vendas foi o crescimento de 1,6%, ou € 2,3 bilhões, sobre a receita do ano anterior, totalizando € 140 bilhões, visto pelo grupo das marcas como testemunho da atratividade da linha atual de modelos e da bem-sucedida coordenação do posicionamento das principais fabricantes. Quanto ao resultado operacional, de € 6,96 bilhões, houve queda de 4,3% ou € 310 milhões no comparativo com 2023.

A margem operacional fechou 2024 aos 5%, 0,3 ponto porcentual abaixo do ano anterior. Além de custos fixos maiores as despesas com medidas de reestruturação exerceram impacto sobre o resultado. Efeitos de volume e mix, custos otimizados de materiais e a reversão de provisões relacionadas a pessoal, devido a acordo coletivo de trabalho, tiveram seus reflexos.

O fluxo de caixa livre recuou 16,8%, para € 4,68 bilhões, com perdas de € 950 milhões, por causa do aumento dos estoques, o que foi atribuído a diversos novos modelos e a maiores investimentos na viabilidade futura do grupo de marcas.

Resultado operacional da Volkswagen despencou 27%

David Powels, responsável pelas finanças do Grupo de Marcas Principais e integrante do Conselho de Administração da Marca Volkswagen, no qual também responde pela área, ressaltou que apesar da competição o resultado geral relatado para a marca Volkswagen, a principal em volume, foi sólido.

Ela comercializou no ano passado 3,1 milhões de veículos, 3,1% mais que em 2023, o que gerou receita de € 88 bilhões, avanço de 2,2%. Isto foi atribuído, em parte, ao fato de que as vendas dos modelos ID aumentaram no segundo semestre.

O resultado operacional, por sua vez, caiu 27%, para € 2,5 bilhões, e a margem encolheu de 4,1% para 2,9%: “Os custos para as medidas de reestruturação tiveram impacto significativo em nosso desempenho. No geral o ano marcou uma virada para nós e agora estamos trabalhando consistentemente para tornar nossa organização mais econômica e alcançar sucesso sustentável”.

O programa de desempenho da Volkswagen otimizou a relação com o preço, reduziu o valor dos produtos e reforçou a estrutura para despesas gerais. Por exemplo: os custos de fábrica por veículo nas unidades da marca Volkswagen foram 3% inferiores aos do ano anterior, em parte como resultado da otimização de turnos. Ao mesmo tempo a marca usou recursos financeiros para reduzir os custos de pessoal na administração com vistas a fortalecer a eficiência e a competitividade.

David Powels ressaltou vendas da marca Volkswagen 3,1% maiores em 2024. Foto: Divulgação.

Plano é criar caminho para retorno sobre as vendas do grupo de 8%

O plano, daqui para frente, é melhorar a eficiência e expandir consistentemente a colaboração das marcas. No futuro a rede global de produção de 22 localidades será organizada em cinco regiões com o objetivo de alavancar sinergias e vantagens de custo regionais com vistas a estabelecer uma produção mais eficiente.

Com este mesmo intuito o número de países dedicados ao desenvolvimento técnico de todas as marcas também será reduzido. Em paralelo o tempo necessário para criar novos veículos será encurtado para responder mais rapidamente às mudanças de mercado.

Segundo Schäfer a união das marcas trará benefícios como custos de bateria, tempo de desenvolvimento e qualidade de software: “Os sólidos resultados financeiros no desafiador ano fiscal de 2024 confirmam que nossa estratégia está funcionando. E em breve, literalmente, mostraremos que é possível desenvolver e construir carros elétricos compactos de baixo custo na Europa”.

O programa Zukunft Volkswagen, acordado no fim de dezembro, estabeleceu a base para a competitividade da Volkswagen na Alemanha. O programa combina estabilidade econômica e emprego sustentável e abre caminho para a marca como o principal pilar do grupo para se tornar a fabricante de volume líder global em tecnologia até 2030. O objetivo é obter, no médio prazo, retorno sobre as vendas do grupo de 8%.

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