São Paulo – “Ainda não consigo entender nem o próximo mês, então prefiro não afirmar nada sobre 2026.” Assim Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, que reúne os fabricantes de veículos instalados no País, não respondeu ao questionamento sobre como se desenha o desempenho do setor no próximo ano diante do quadro atual de retração no mercado interno, principalmente dos modelos nacionais, que de janeiro a agosto acumulam queda de 9,3% nas vendas ao varejo.
Calvet justificou sua cautela apontando a volatilidade do cenário atual: “No fim de 2024 prevíamos que a Selic [juro básico] subiria para 12%. Hoje já está em 15% e deve ficar assim, no mínimo, até o fim do ano. Temos também a situação das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, que mudam a todo momento e afetam a economia. O custo da energia subiu além do esperado. É difícil prever qualquer coisa diante de um quadro tão volátil”.
O dirigente lembrou ainda que há apenas um mês, no início de agosto, a entidade revisou suas projeções para este ano, reduzindo de 6,3% para 5% a estimativa de crescimento das vendas domésticas de veículos em 2025, principalmente por causa da queda expressiva do mercado de caminhões, cujo recuo já chega a 6,7% nos emplacamentos acumulados de janeiro a agosto.
“Mas agora em setembro já vimos que o mercado cresceu só 2,8% [em oito meses], está abaixo das nossas expectativas”, disse Calvet. Ele já admite, inclusive, que se o ritmo não mudar as projeções terão de ser revisadas para baixo não só para caminhões mas para o mercado total de veículos leves e pesados.
Andrea Serra, diretora de tributos e comércio exterior da Anfavea, acrescentou que “as vendas de varejo em queda são um sinal de alerta” que puxam as projeções para baixo: “Acompanharemos de perto este comportamento de volatilidade do mercado para poder definir projeções sustentáveis para 2026”.






















