São Paulo — A Anip, Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, teve na quarta-feira, 20, sua primeira reunião com o novo ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, já conhecido da entidade do período em que exercia a função de secretário-executivo do ministério. Em vista do ano eleitoral o foco do encontro esteve em demandas que possam ser adotadas ainda em 2026, como o ingresso no Move Brasil e medidas antifraude que não atendam a critérios ambientais.
“Entendo que há diversos pleitos para a sobrevivência do setor, registrados por meio do manifesto que redigimos e o qual conta com o apoio de quarenta empresas e entidades, mas priorizamos os de curto prazo, até porque por ser ano de eleição daqui a pouco nada mais poderá ser feito nesta gestão”, afirmou o presidente da Anip, Rodrigo Navarro, em entrevista à Agência AutoData.
Navarro contou que um dos pedidos, que já havia sido oferecido por meio do manifesto, ao lado do pleito da preferência em compras governamentais, foi a oferta de financiamento subsidiado para a compra de pneus com alto conteúdo local, assim como está ocorrendo com o Move Brasil, em sua segunda etapa, agora estendendo os benefícios antes restritos a caminhões, a implementos, ônibus e máquinas agrícolas. E, mais recentemente, a motoristas de aplicativos e de táxi, em um volume total de R$ 61,2 bilhões em crédito.
“Já havíamos conversado com o BNDES e a sugestão foi bem recebida, uma vez que o pneu também é parte importante desta renovação da frota e, com a carência, o beneficiário pode trabalhar primeiro para gerar receita e, só então, começar a pagar em parcelas a juros baixos”, assinalou. “Ainda que fosse algo vinculado ao Cartão BNDES, que oferece taxa menor à aquisição do produto com pelo menos 60% de conteúdo local, já ajudaria o setor.”
Outro pedido feito a Rosa refere-se ao licenciamento não-automático de pneus de fora “a fim de estancar surtos de importação em uma medida antifraude, como já foi feito no passado, o que vem junto do licenciamento não-automático ambiental”, ao salientar que um produto do mesmo aro chega a ter diferenças de 400% a 600% no preço:
“E nem sabemos se cumprem com as conformidades técnicas. Mas é fato que isto não é competitividade. Os preços caíram tanto que muitos preferem nem recapear: trocam por um novo que nem sabem se atende às normas de segurança. Se um pneu que normalmente custa R$ 3 mil, hipoteticamente dizendo, começa a entrar no País por R$ 200, há que se investigar”.
GT Pneumáticos tem ajudado
De acordo com o presidente da Anip Rosa foi sensível aos temas, reconheceu amadurecimento das propostas após a entrada em vigor do Grupo de Trabalho Pneumáticos, do MDIC, que embora não esteja se reunindo quinzenalmente encontra-se ao menos uma vez por mês, desde março, a fim de identificar o que tem desequilibrado este mercado e estimulado presença cada vez maior de marcas que não produzem localmente.
“Conseguimos alinhar previamente, junto a grupo técnico, e não só político, as questões mais urgentes do setor e que têm possibilidades de ser adotadas. O GT tem funcionado como uma ante-sala para azeitarmos e finalizarmos as propostas antes de formalizá-las.”
A indústria brasileira de pneus conta com onze companhias que mantêm dezenove fábricas em dezessete estados e 35 mil funcionários diretos e outros 500 mil indiretos: “Estamos reduzindo turnos e cancelando linhas. É preciso agir antes que seja tarde demais”.