São Paulo — O mercado brasileiro de motocicletas segue em forte expansão e deve manter ritmo aquecido nos próximos anos, na avaliação da Bajaj. O cenário acompanha os números da Abraciclo, que apontam alta de 10,6% na produção de motos de janeiro a abril, o melhor resultado para um primeiro quadrimestre desde 2008. No varejo os licenciamentos avançaram em 19,1%, recorde histórico para o período.
Para Waldyr Ferreira, CEO da Bajaj do Brasil, fatores como perda de poder aquisitivo da população, alta nos preços dos automóveis, avanço dos aplicativos de entrega e mudanças de comportamento após a pandemia ajudam a entender o crescimento do setor: “Hoje, com menos de R$ 100 mil, você tem pouquíssimas opções de automóveis e normalmente modelos mais antigos. Neste cenário a motocicleta surge como solução de mobilidade”.
Segundo o executivo o mercado brasileiro começa a reproduzir um comportamento semelhante ao de países asiáticos, onde a motocicleta possui participação dominante na mobilidade urbana: “Em muitos países da Ásia a frota de motos já é maior do que a de carros. Não estou dizendo que isso necessariamente acontecerá aqui, mas acredito que não deve demorar muito para o Brasil vender mais motocicletas do que automóveis.”
De acordo com ele o avanço das motos foi acelerado pela pandemia, período em que muitos consumidores passaram a evitar transporte público lotado e o setor de entregas cresceu rapidamente: “A motocicleta tornou-se uma alternativa para sair do transporte de massa e também uma ferramenta de trabalho. Foi nesse período que surgiu uma enorme legião de entregadores de aplicativo”.
A Bajaj avalia que o mercado poderia crescer ainda mais em um cenário de juros menores e crédito mais acessível. “O mercado cresce hoje dois dígitos ao ano, algo de 10% a 15%, mas poderia crescer muito mais com juros menores. Os bancos teriam mais apetite para crédito e muito mais consumidores conseguiriam aprovar financiamento.”
Nesse contexto o consórcio ganhou relevância como alternativa ao financiamento tradicional. “É uma alternativa importante para quem não consegue aprovação no financiamento tradicional”.
Migração de clientes
Waldyr Ferreira também relata aumento na migração de consumidores de marcas japonesas tradicionais para a Bajaj. Segundo a gerente de marketing, Jaqueline Deneka, o plano da companhia é oferecer motocicletas mais equipadas e com preços competitivos em diferentes faixas de cilindrada: “Nossas motos normalmente oferecem mais atributos por um preço mais acessível do que os concorrentes”.
A empresa diz que o perfil do consumidor varia conforme o modelo. A Pulsar N150, por exemplo, concentra clientes que utilizam a moto para trabalho, deslocamento diário e delivery. Já a Dominar 400 tem foco em consumidores mais experientes, interessados em viagens e uso rodoviário.
A Bajaj também afirma ter identificado crescimento da participação feminina nas compras de modelos de entrada.
Novos segmentos e scooter elétrico
Desde sua chegada ao Brasil a Bajaj ampliou sua linha local de três para seis motocicletas e prepara novos lançamentos para os próximos meses. Segundo Jaqueline Deneka o plano passa principalmente pela expansão em segmentos de baixa cilindrada, responsáveis pelo maior volume do mercado brasileiro: “No Exterior até 400 cilindradas já é considerado baixa cilindrada. A Bajaj trabalha muito forte nesse tipo de produto”.
A empresa também pretende avançar em categorias hoje dominadas por marcas japonesas, incluindo motos trail de baixa cilindrada: “A rede, a imprensa e os clientes pedem muito esse segmento desde que chegamos ao Brasil. É o que brincanos de chamar de SUV das motos”.
Além disto a Bajaj avalia trazer ao Brasil o scooter elétrico Chetak, modelo que já supera 30 mil unidades mensais na Índia: “Este é um produto que temos a ambição de trazer para o Brasil no futuro”.
Mesmo com os planos de expansão para novos segmentos a companhia afirma que o foco atual continua sendo consolidar a marca no mercado brasileiro e ampliar gradualmente sua participação frente às demais fabricantes.