Em meio século o Brasil montou uma das maiores e mais sofisticadas indústrias automotivas do planeta. O centésimo milhão de veículo sai da linha em 2026 — e com ele vêm 70 anos da Anfavea e a certeza de que o setor ainda tem fôlego para um novo salto.
É possível que, enquanto você lê estas linhas, uma prensa esteja cortando a chapa, uma solda fixando uma longarina ou um motor sendo aparafusado em alguma das dezenas de fábricas de veículos espalhadas pelo Brasil. E que esse veículo seja, de acordo com a contagem da Anfavea, o de número 100 milhões produzido no País desde que o presidente da República, Juscelino Kubitschek, decidiu, em 1956, que o Brasil teria uma indústria automotiva de peso.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, contabilizava, até abril, 99 milhões 422 mil 402 veículos produzidos no País desde janeiro de 1956 – somente as unidades completamente fabricadas, sem contar os kits CKD exportados.
Se somados os aproximadamente 550 mil veículos montados no Brasil de 1904 a 1955, em sua maioria a partir de conjuntos importados desmontados, os SKD e CKD, o total já ultrapassou a marca histórica e estaria em 100 milhões 38 mil 402 unidades até o mês passado.
Com a produção de abril de 2026 alcançando 225,8 mil veículos, e com o ritmo do primeiro quadrimestre somando 872,6 mil unidades, projeta-se que o centésimo milhão completo será atingido até o fim de junho ou, o mais tardar, em julho, em plena Copa do Mundo.
O marco chega emoldurado por outra data importante: em 15 de maio a Anfavea completou 70 anos, fundada durante o mesmo governo que deu origem à indústria que representa. São duas datas que se entrelaçam e que juntas contam a história de como um País que, no início dos anos 1950, gastava mais com a importação de veículos e autopeças do que com petróleo ou trigo, se tornou um dos dez maiores produtores mundiais, posição que mantém há décadas, com a particularidade de ter desenvolvido cadeia produtiva de alta sofisticação e de baixa dependência de insumos importados.
“Este modelo que foi criado no Brasil emprega 1,3 milhão de pessoas e representa 20% do Produto Interno Bruto industrial”, afirmou Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, ao admirar a dimensão do setor no início de 2026. A frase resume bem o que está em jogo quando se fala de 100 milhões de veículos: a medida de uma aposta industrial que o Brasil fez há setenta anos e que, apesar de todos os percalços, se sustentou.
A PRÉ-HISTÓRIA ANTES DE JUSCELINO
Esta reportagem foi publicada na edição 432 da revista AutoData, de Maio de 2026. Para lê-la completa clique aqui.