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Gestamp projeta ampliar faturamento em 7,5% em 2026

Quinta operação mais importante para fornecedora espanhola, receita das fábricas locais responde por 7% dos ganhos globais

Piracicaba, SP – O presidente executivo da espanhola Gestamp, Francisco J. Riberas, também filho do fundador, esteve presente à inauguração da oitava unidade da companhia no Brasil em Piracicaba. Na sua avaliação é um passo muito importante na história da fabricante de componentes metálicos.

“O setor está atravessando por muitas dificuldades, a produção mundial de veículos encolheu, mas nosso grupo é capaz de navegar por esses mares, seguir investindo em tecnologia e se preparar para quando houver reação do setor”, disse Riberas. “Mas, no Brasil, o mercado está crescendo, o que nos faz lembrar que nossa primeira aventura fora da Espanha foi justamente aqui, há quase trinta anos, em São José dos Pinhais.”

O executivo citou projeção da S&P Global Mobility que aponta para acréscimo da produção de veículos leves de 30% com relação a 2025, para 3,2 milhões de unidades até 2030: “Queremos ser parte importante desta expansão. Já somos líderes no Brasil na exportação de componentes metálicos e assim queremos continuar”.

Esta é a primeira construção de uma unidade Gestamp no Brasil desde 2017. A empresa iniciou as operações por aqui em 1997, e de lá para cá construiu ou adquiriu outras sete fábricas, além de Piracicaba: São José dos Pinhais, PR, Betim, MG, Gravataí, RS, Taubaté, Santa Isabel e duas em Sorocaba, SP. Além de um centro de desenvolvimento em São Paulo, um dos treze ao redor do mundo.

Em conversa com jornalistas na terça-feira, 16, o executivo evitou projetar faturamento para a nova unidade, mas assegurou que o plano é que atinja o mesmo tamanho das outras fábricas brasileiras e que, “no mínimo, ultrapassará os € 50 milhões, os € 60 milhões e os € 70 milhões em breve”.

Considerando toda a operação brasileira a perspectiva é que a receita encerre 2026 em R$ 4,3 bilhões: “Acredito que cresceremos acima do mercado no Brasil. Não sei se dois dígitos, talvez seja muito”.

No ano passado o faturamento alcançou aproximadamente R$ 4 bilhões. Ou seja: é esperado incremento de 7,5%.

Em 2025 o Brasil foi o quinto país mais importante para a companhia, que opera em 24 países. A receita brasileira equivale a cerca de 7% do faturamento global da Gestamp: “Hoje o Brasil representa cerca de 3% da produção mundial. E nós temos aqui 7% da nossa renda. O Brasil é muito importante para nós”.

Gera em torno de 5 mil empregos, cerca de 12% da força de trabalho ocupada pela Gestamp no mundo.

Avanço de novas tecnologias e eletrificação puxam crescimento

Francisco Riberas acredita que a retomada do setor automotivo será sustentada tanto pelo aumento da demanda quanto pelo avanço de tecnologias necessárias frente à necessidade de emitir menos CO2 e da eletrificação: “Hoje esta fábrica de Piracicaba começa pequena, mas estou seguro de que crescerá bastante e se converterá em referência mundial”.

Vedete da unidade, a tecnologia de hot stamp, ou estampagem a quente, propicia, por meio de inédito forno elétrico da empresa no Mercosul, a fabricação de peças de espessura mais finas e altas, o que favorece melhor desempenho e segurança, ao reduzir seu peso em torno de 20%. Piracicaba detém agora tecnologia tida como muito importante para o futuro da indústria automotiva no Brasil, especialmente a estampagem de peças muito grandes, avaliou o presidente executivo da Gestamp:

“Talvez não seja uma tecnologia diferente, mas é certo que na configuração dos veículos para o futuro é necessário reduzir o peso das carrocerias, e fazê-lo de maneira econômica”, assinalou. “A tecnologia de estampagem a quente não é nova, mas está crescendo, estamos avançando para peças cada vez maiores, e neste sentido isto será a tendência por aqui, assim como já está sendo na Europa e na China.”

O investimento inicial na unidade, em 2024, de R$ 100 milhões, foi aplicado na aquisição do terreno e construção do galpão e o restante, de mesmo valor, se deu nos equipamentos, na linha de estampagem a quente, complementada pelo forno e pelas linhas de corte a laser para o acabamento das peças. Totalizando assim os R$ 200 milhões desta primeira fase, uma vez que a empresa pretende ampliar sua capacidade de produção.

“Ao ampliarmos a área construída dos atuais 16 mil m² para 40 mil m² acreditamos que podemos colocar duas ou três linhas de estampagem à quente, tecnologia em que somos líderes mundiais e que está crescendo muito”, disse. “Tudo dependerá dos clientes. Há muitas empresas localizadas aqui perto que podem ser nossos clientes. Algumas já abastecemos desde outras fábricas dentro do Estado, de Santa Isabel ou Taubaté, então no futuro podemos fornecer daqui.”

Produção 100% nacionalizada pode receber novos aportes

O executivo assegurou que tudo é nacionalizado nesta e nas outras unidades brasileiras da empresa: “Nós compramos aço aqui no Brasil e o resto das peças que produzimos é tudo feito aqui. Então, estamos 100% nacionalizados. Nosso tipo de produto viaja mal, tem muita logística, e por isto é importante fazê-lo perto do local em que será montado”.

Acerca de novos investimentos em Piracicaba, Riberas disse existe esta expectativa. “Os nossos aportes sempre se dão quando conseguimos nomeações de novos veículos. Agora estamos trabalhando e oferecendo muitas coisas e, se conseguirmos os pedidos, voltaremos a investir”.

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