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Voge investe US$ 10 milhões para avançar no mercado premium brasileiro

Marca chinesa chega olhando apenas para o segmento acima de 300 cilindradas

São Paulo – Cerca de US$ 10 milhões foram investidos pela fabricante de motocicletas Voge na estruturação de sua operação brasileira. O valor foi aplicado em estrutura operacional, componentes, ferramental, linha de produção, treinamento e pesquisa de mercado.

Nova etapa de expansão está nos planos para os próximos anos, com foco em crescimento gradual da marca, fortalecimento da rede e ampliação da produção nacional, segundo o gerente geral Rodrigo Murtinho. “Desenvolvemos um novo planejamento estratégico para os próximos três anos de operação no País, além daquele do médio ao longo prazo”.

A operação brasileira foi estruturada em parceria com a Dafra, responsável pela montagem das motocicletas no Polo Industrial de Manaus. A Voge faz a distribuição para a sua rede e a parte comercial.

Parte do valor foi destinada também a logística, pós-venda e treinamento técnico. Segundo Moutinho o centro logístico da empresa em Itapevi, SP, já em funcionamento, tem capacidade de expansão conforme o crescimento da operação: “Hoje ocupamos uma área pequena, mas com possibilidade de crescimento conforme a demanda. Podemos sair de 300 m² para 3 mil m² rapidamente”.

A estrutura inclui ainda um centro técnico para o treinamento de mecânicos e equipes comerciais. O executivo afirmou que o principal objetivo da companhia neste primeiro momento é consolidar a marca no mercado brasileiro antes de acelerar volume e participação. Segundo ele o plano de negócios no Brasil dispõe de autonomia operacional local embora mantenha integração constante com a matriz chinesa.

Moutinho destacou, ainda, que a operação brasileira é conduzida por executivos nacionais com experiência no setor: “Ter uma operação liderada localmente demonstra confiança da matriz e ajuda muito no entendimento do consumidor brasileiro”.

Foco no segmento premium

O objetivo da empresa é conquistar 3% do mercado brasileiro de motocicletas premium em até cinco anos. Murtinho reforçou que aposta no crescimento do segmento acima de 300 cm³ de cilindrada, ampliação gradual do portfólio e expansão da rede de concessionárias. 

A projeção da companhia considera especificamente o segmento premium: “Falando do mercado premium de motocicletas, ou acima de 300 cilindradas, é uma faixa que gira em torno de 250 mil a 300 mil motos anualmente, com todas as marcas, incluindo japonesas como Honda, Yamaha e Kawasaki. Nós, no decorrer de cinco anos, imaginamos deter cerca de 3% desta fatia”.

A empresa prevê produzir de 8 mil a 12 mil motocicletas nos primeiros três anos de operação, com ampliação da gama de produtos e expansão da rede. O plano inicial da Voge no Brasil está concentrado nos segmentos touring, adventure e scooters premium. Segundo o executivo o objetivo da Voge não é competir por preço baixo mas por valor agregado, tecnologia e equipamentos: “Nossos produtos não são baratos justamente pela tecnologia, qualidade dos componentes, design e processos de fabricação”.

A empresa também avalia que o crescimento do mercado das motocicletas de maior cilindrada no Brasil tende a continuar, acompanhando a expansão geral do mercado nacional: “Historicamente o mercado premium acima de 300 cilindradas representa algo de 5% a 6% do mercado total de motocicletas. Conforme o mercado cresce este segmento acompanha proporcionalmente”.

Para Moutinho existe ainda um movimento natural de migração dos consumidores: “Muitos consumidores começam em motos menores, como 125 ou 160 cilindradas, e depois aspiram a migrar para um produto maior, mais confortável e mais sofisticado”.

Para o executivo o mercado brasileiro vive um momento estratégico para a chegada de novas marcas chinesas de motocicletas premium: “É uma janela de oportunidade muito boa, diria que quase única. O mercado brasileiro é muito receptivo e tem uma demanda muito positiva para novidades, produtos novos, tecnologias novas, designs novos”.

O executivo avaliou que o avanço de marcas de veículos chinesas abriu espaço, também, para a entrada de fabricantes de motocicletas com posicionamento mais sofisticado: “Cada uma disputará o seu nicho de mercado, se estruturará da maneira que puder ou conforme o seu planejamento. Acredito que aquela que tiver o melhor planejamento e posicionamento terá o mesmo sucesso daquelas do segmento de quatro rodas”.

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