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Voge prevê lançar até três modelos por ano nos próximos anos

Marca prepara expansão do portfólio no Brasil com motos de 300 a 450 cilindradas e aposta no crescimento do segmento premium e de scooters

São Paulo — Dois a três lançamentos por ano, até 2028, estão nos planos da fabricante de motocicletas Voge para o mercado brasileiro. O foco é o segmento premium de motocicletas e scooters, mas segundo Rodrigo Moutinho, gerente-geral da Voge Brasil, a marca já desenvolve produtos de menor cilindrada voltados ao mercado local:

“Hoje temos modelos 500 e 900 cilindradas, mas existem planos para trazer produtos de 300, 350, 400 e 450 cilindradas. Esses projetos já estão em fase de testes e desenvolvimento pensando no mercado brasileiro.”

Segundo Moutinho, o consumidor brasileiro de motos de média e alta cilindrada está cada vez mais próximo do perfil europeu, buscando tecnologia, desempenho e equipamentos mais sofisticados.

A empresa também vê forte potencial de crescimento no segmento de scooters premium no País. Para a Voge, a chegada de modelos de marcas como BMW, Kymco, Piaggio e Honda mostra que existe uma tendência de expansão desse mercado. “Nossos produtos não disputam mercado apenas por preço. O diferencial está na tecnologia, qualidade, conforto e equipamentos.”

Rede em estruturação

A Voge pretende chegar a quinze concessionárias no Brasil até 2028. Aposta em uma estrutura própria de pós-venda, estoque de peças e garantia de cinco anos para consolidar sua operação de motocicletas premium.

“O principal objetivo é construir a marca, estruturar uma rede forte de concessionários e, a partir disto, ganhar volume e notoriedade no mercado brasileiro. A expansão da rede ocorrerá de forma gradual. Até o fim de 2026 abriremos seis concessionárias. Em 2027 abriremos de três a quatro, chegando a cerca de dez concessionárias. Em 2028 devemos alcançar catorze, quinze.”

Apesar da concentração inicial no Sul e no Sudeste a empresa afirma estar em negociações avançadas em outras regiões do País: “Já temos candidatos e pré-seleção para Norte, Nordeste e Centro-Oeste também. Então teremos expansão para Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste”.

Além da expansão física da rede a Voge também aposta na estrutura de pós-venda como diferencial competitivo para a chegada ao mercado brasileiro. A marca estreia no País oferecendo garantia de cinco anos para as motocicletas, movimento considerado agressivo para o segmento premium.

Para apoiar a operação de pós-venda a Voge estruturou um centro logístico em Itapevi, na Grande São Paulo, além de estoque nacional de peças de reposição. Os concessionários também receberão estoques iniciais de peças considerados amplos pela empresa. “Os preços também serão competitivos e acessíveis”.

Nacionalização e cadeia de fornecedores

O gerente geral afirmou que pretende ampliar gradualmente o conteúdo local das motocicletas produzidas em Manaus, AM, onde mantém parceria com a Dafra, conforme o aumento do volume de produção no Brasil. Segundo Moutinho o plano inicial é utilizar a cadeia de fornecedores já instalada no Polo Industrial de Manaus e também fabricantes nacionais.

O executivo contou que o processo de nacionalização no segmento de motocicletas segue as regras do PPB, processo produtivo básico, estabelecidas pela Suframa, Superintendência da Zona Franca de Manaus, e pelo MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: “Atualmente nossos produtos já utilizam pneus produzidos localmente, eixos, baterias e alguns outros itens nacionalizados ou enquadrados dentro da lista do PPB”.

Dos fornecedores citados pela empresa estão Pirelli e Metzeler, com produção de pneus em Campinas, SP, além das baterias Moura, fabricadas no Nordeste. Segundo o executivo a tendência é ampliar o número de componentes locais conforme a operação ganhar escala.

Moutinho avalia que a produção local é mais vantajosa do que importar motocicletas prontas. De acordo com o ele, além dos incentivos fiscais existentes para o modelo CKD em Manaus, o projeto favorece geração de empregos, desenvolvimento de fornecedores e qualificação técnica: “Você gera consumo de itens nacionais, mão de obra, entrada de divisas e investimentos locais, além da importação de ferramental, linha de montagem e treinamento especializado”.

Apesar de considerar a possibilidade futura de exportações para países da América do Sul, Moutinho afirmou que o foco permanece no mercado brasileiro. Segundo ele atingir os 60% de nacionalização exigidos para exportação dentro do Mercosul ainda é um objetivo de longo prazo.

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