São Paulo – Recém-estabelecida na China e na Europa, a parceria da Dongfeng com a Stellantis deverá gerar efeitos no mercado brasileiro. Segundo Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, existem estudos para estender o portfólio brasileiro com veículos desenvolvidos pela joint-venture.
“Sob o ponto de vista de desenvolvimento de produtos entendemos que, se existir a competitividade adequada, poderemos trazer estes veículos para o Brasil. São projetos globais, nada específico para o mercado brasileiro”.
São dois os caminhos discutidos: posicionar o modelo dentro de alguma marca Stellantis, como Jeep e Peugeot, usando como exemplo a parceira na China, ou com a própria Dongfeng. Segundo Zola, este debate será feito futuramente, quando o martelo de trazer um ou outro modelo for batido.
É modelo semelhante ao de outro acordo global da Stellantis com uma marca chinesa, a Leapmotor. Dois modelos já foram lançados por aqui, o B10 e o C10, com a nova marca. A produção deles, em regime CKD, foi confirmada em Goiana, PE.
Uma decisão não deverá demorar, garantiu Zola: “A verdade é a seguinte: para sermos competitivos os prazos de desenvolvimento deverão ser diferentes do que os que estávamos acostumados na indústria ocidental. Precisamos ser mais rápidos, não tenho dúvidas”.
O presidente da Stellantis conversou com jornalistas após participar de painel no Anfavea Visions, evento organizado pela associação que representa as montadoras nacionais. Lá ele reforçou a necessidade de reforçar a produção local e os riscos que enxerga com a chegada de novas fabricantes com montagem em CKD.
Portfólio local
Zola comentou também a respeito dos efeitos no Brasil do Fastlane 2030, o revisto plano de investimento global da companhia. Os investimentos de R$ 32 bilhões até 2030, na América do Sul, estão confirmados e inalterados:
“Estabelecemos o foco destes investimentos, quais segmentos concentraremos os nossos esforços. E são três: carros compactos, com a renovação da marca Fiat especialmente, as picapes, que receberão uma parcela relevante dos recursos, e os SUVs. Trabalharemos forte em duas de nossas fortalezas: a Jeep, que terá seu portfólio renovado e ampliado, com o Avenger. E a Leapmotor, que terá um impulso importante com a chegada de novos produtos ainda este ano”.
Por fim, ele esclareceu a estratégia de fortalecimento global de marcas, como Jeep, Fiat, Peugeot e Ram, dentro da Stellantis. Não significa que as demais serão descontinuadas:
“Sob a ótica de investimento são as quatro marcas que concentrarão a maior parte dos recursos. As marcas regionais, como a Citroën, ganharão uma parcela menor. A Citroën é muito relevante na Argentina, na França e em Portugal, por exemplo”.





