São Caetano do Sul, SP – O Instituto Mauá de Tecnologia iniciou uma série de ensaios que poderá definir novo capítulo para a matriz energética brasileira. Escolhida pelo governo federal para integrar o grupo responsável por avaliar a viabilidade técnica do aumento da mistura de biodiesel no diesel a instituição recebeu na segunda-feira, 13, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, pesquisadores e representantes da indústria, como o presidente da AEA, Marcus Vinícius Aguiar, para acompanhar uma fase dos testes.
A pesquisa submete motores a horas de funcionamento contínuo para verificar desempenho, durabilidade e segurança com porcentuais superiores ao atual B15. O objetivo é avaliar a possibilidade de ampliar gradualmente a mistura até B25 e de fortalecer a participação dos combustíveis renováveis na matriz nacional.
Durante o evento Lula afirmou que o projeto vai além de um avanço tecnológico. Segundo ele o desenvolvimento dos biocombustíveis representa uma estratégia para ampliar a soberania energética do Brasil.
“O Brasil não precisa morrer por causa do petróleo. O petróleo continuará sendo importante, mas podemos preparar o País para viver cada vez mais com combustíveis renováveis.”
Em seu discurso o presidente destacou que o Brasil reúne condições únicas para liderar esta transição graças à disponibilidade de terra, água, sol, conhecimento científico e matérias-primas agrícolas: “Nós podemos produzir combustível a partir da soja, da macaúba, da mamona e de diversas outras culturas. Podemos mostrar ao mundo que existe um caminho além do combustível fóssil”.
Tecnologia nacional ganha protagonismo
Lula também ressaltou que a escolha do Instituto Mauá simboliza a importância da pesquisa aplicada para transformar conhecimento em desenvolvimento econômico. Segundo ele o País precisa converter pesquisas acadêmicas em soluções para a indústria.
“O conhecimento precisa sair das teses e tornar-se produto. É assim que se gera emprego, produtividade, riqueza e desenvolvimento industrial.”
Biocombustíveis fortalecem segurança energética
Ao analisar os conflitos internacionais e seus reflexos sobre o mercado de petróleo Lula afirmou que a instabilidade global reforça a necessidade de acelerar a produção de combustíveis renováveis.
Segundo ele guerras e tensões geopolíticas acabam pressionando os preços dos combustíveis e, consequentemente, dos alimentos. Neste cenário ampliar a participação do biodiesel e do etanol reduz a vulnerabilidade da economia brasileira:
“O que está acontecendo no mundo mostra que o Brasil precisa investir cada vez mais naquilo que produz. Os biocombustíveis significam independência, segurança energética e menor emissão de gases de efeito estufa.”
Brasil aposta em solução própria para a descarbonização
Lula voltou a propor o protagonismo do etanol e dos veículos híbridos flex como alternativa à eletrificação pura. Na avaliação do presidente o Brasil detém vantagem competitiva ao combinar motores elétricos com etanol, tecnologia que oferece maior autonomia e aproveita uma infraestrutura já consolidada no País.
Ele também relembrou testes apresentados recentemente na Alemanha onde o diesel renovável brasileiro demonstrou emissões significativamente menores de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis utilizados na Europa.
Ao encerrar a visita Lula afirmou que o resultado dos ensaios poderá fortalecer ainda mais a posição do Brasil como referência mundial em biocombustíveis.
Ele ainda ressaltou que programas como o Proconve P8, equivalente ao Euro 6, são necessários. Mas a cada mudança de legislação o consumidor, o transportador e o caminhoneiro pagam a conta com o aumento no preço dos veículos. E que uma mudança energética como o biodiesel reduziria este impacto.
“Quando estes testes forem concluídos teremos mais uma prova de que o Brasil pode liderar a transição energética mundial. Temos conhecimento científico, tecnologia, recursos naturais e capacidade para produzir energia limpa e transformar isso em desenvolvimento para o nosso povo.”












