Betim, MG – O Brasil continuará ocupando posição estratégica dentro da Stellantis mas precisa aumentar sua competitividade para manter, e ampliar, seu protagonismo. Este foi o recado passado por Antonio Filosa, CEO do grupo, que está no Brasil para as celebrações de 50 anos da Fiat.
Ao apresentar as diretrizes do plano global da Stellantis, com investimentos de 60 bilhões de euros, Filosa explicou que a companhia pretende acelerar a integração mundial de suas operações por meio do conceito Fast Play, que combina plataformas globais, desenvolvimento tecnológico compartilhado e forte capacidade de adaptação às características regionais de cada mercado em que atua.
Segundo ele, aproximadamente 40% dos investimentos serão destinados ao desenvolvimento de arquiteturas globais – plataformas, sistemas eletrônicos e tecnologias comuns a todas as regiões. Os outros 60% permanecerão voltados aos mercados locais, permitindo que cada operação preserve características importantes para seus consumidores regionais.
Redução de custos de desenvolvimento
“Esta nossa estratégia tem o objetivo principal de reduzir custos de desenvolvimento, acelerar o lançamento de novos produtos e aumentar a escala mundial da companhia sem abrir mão das necessidades regionais, que consideramos muito importantes”, afirmou Filosa. Segundo ele a adoção deste modelo fará com que os próximos veículos nasçam como projetos globais, mas sempre procurando receber adaptações específicas para os mercados regionais.
Outro ponto enfatizado por Filosa foi o papel histórico da localização industrial, outro fator relevante que, de acordo com sua avaliação, é muito forte, principalmente na atuação da Stellantis no Brasil. Segundo ele, fortalecer fornecedores locais, ampliar o conteúdo nacional e desenvolver engenharia próxima aos mercados consumidores continuam sendo fatores essenciais para garantir competitividade.
A competição com os chineses
A visão ganha ainda mais importância diante da rápida transformação da indústria automotiva mundial e, principalmente, do avanço das fabricantes chinesas que, incontestavelmente, são hoje bastante competitivas.
Questionado justamente sobre esse novo cenário competitivo que o mundo automotivo atual vive, o CEO reconheceu que o desafio não é exclusivo do Brasil, mas de praticamente todas as montadoras tradicionais.
Na avaliação dele, recuperar competitividade não será fácil e dependerá de um esforço conjunto envolvendo planejamento de longo prazo, investimentos contínuos, políticas públicas adequadas e fortalecimento de toda a cadeia produtiva.
“O atual momento da indústria automotiva chinesa veio de um plano de desenvolvimento de 20 anos do país. Precisamos planejar para termos as condições necessárias que nos possibilitem continuar nos desenvolvimento no futuro”.
A defesa da produção local, por sinal, apareceu diversas vezes durante sua apresentação. Filosa indicou que a Stellantis continuará utilizando o Brasil como um dos seus principais polos industriais e de desenvolvimento, preservando a capacidade de adaptar produtos às características do mercado regional ao mesmo tempo em que amplia o compartilhamento de tecnologias em escala global.
Dentro dessa estratégia, ele também confirmou o cronograma de lançamento de cinco novos produtos até 2030, veículos que, segundo ele, serão desenvolvidos dentro de arquiteturas globais, mas que contarão com participação relevante das equipes de engenharia das diferentes regiões, incluindo o Brasil.
















