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Fenabrave revisa alta do mercado total para 8% em 2026

Apesar do avanço presidente Arcélio Júnior lamentou no Congresso AutoData os 17 anos perdidos e alerta para juros e tributação
Arcelio Junior, Fenabrave

São Paulo – A Fenabrave apresentou sua revisão otimista para o fechamento do mercado automotivo este ano, projetando um total de 2,9 milhões de unidades comercializadas e crescimento geral de 8% em painel durante no Congresso Revisão das Perspectivas 2026, organizado por AutoData em São Paulo. No início do ano a expectativa era de crescimento de 3% do mercado e 2 milhões 770 mil emplacamentos totais.

O presidente Arcélio Júnior observou que a previsão para o segmento de automóveis e comerciais leves saltou para uma alta de 8,8%, totalizando 2,7 milhões de unidades. Apesar dos números positivos e da força do setor, que hoje responde por 5,92% do PIB nacional e gera mais de 380 mil empregos diretos em 951 municípios, o cenário exige cautela e esbarra em gargalos estruturais.

Ao analisar a curva de crescimento o presidente da entidade comparou o atual momento com recordes do passado. O pico histórico de vendas de automóveis e comerciais leves ocorreu em 2012, com 3,6 milhões de emplacamentos, e o setor ainda está 900 mil unidades abaixo desta marca.

Arcélio Júnior. Fotos: Bruna Nishihata.

“Se nós crescermos 10% ao ano chegaremos a 2029 com os números de 2012. Ou seja: o País perdeu dezessete anos de crescimento de mercado automóveis. E isso se o mercado crescer 10% em 2027, 2028 e 2029.”

O cenário de retração prolongada se repete nos pesados: o mercado de caminhões está 40% abaixo do recorde de 2011, e o de ônibus quase 30% inferior ao auge atingido em 2003.

O destaque positivo fica por conta do segmento de motocicletas, que continua em ascensão exponencial pós-pandemia e caminha para um recorde histórico, com projeção de mais de 2,4 milhões de unidades emplacadas.

Novo fôlego para o mercado

Se a retomada histórica é lenta novas legislações e programas de incentivo dão novo fôlego por serem os principais motores desta liquidez no mercado atual: “O Marco Legal das Garantias é o ponto principal que hoje vem gerando apetite nos bancos para financiar veículos. Veículos que eu falo são automóveis, motocicletas e caminhões, por isso é um fator muito importante”.

Arcélio Jr ainda somou. a isto, o baixo nível de desemprego registrado no País.

Arcelio Junior, Fenabrave

Além do crédito mais seguro para as instituições financeiras os programas governamentais de estímulo mostraram a alta sensibilidade do consumidor brasileiro ao custo do veículo: “O que o Move Brasil está promovendo? Redução de taxa de juros, basicamente. E onde se reduz juros as vendas explodem”.

O executivo lembrou que os R$ 10 bilhões da primeira fase do programa subsidiado para caminhões acabaram em cerca de 45 dias. Já no programa do Carro Sustentável, focado na redução de impostos para o consumidor final, as vendas dos modelos contemplados saltaram 31,8%.

Leve desaceleração

Para o segundo semestre a Fenabrave projeta uma leve desaceleração no ritmo de crescimento, justificada principalmente pelo calendário eleitoral e feriados nacionais.

Segundo o presidente governos ficam impedidos de promover novos programas que gerem incentivo ao consumo durante o período eleitoral. No entanto o segmento de caminhões, que projeta uma queda de 7,8% no ano, deve apresentar uma recuperação técnica nas estatísticas de emplacamento a curto prazo.

O presidente da Fenabrave disse que há um volume expressivo de unidades vendidas pela segunda fase do programa Move Brasil que ainda aguarda emissão de notas fiscais e emplacamento físico, gerando um delay que inflará os números nos próximos meses.

Chineses e a eletrificação

As transformações tecnológicas e a agressividade comercial das montadoras asiáticas no varejo brasileiro foram mencionadas por Arcélio Jr ao destacar que 16% dos representados pela Fenabrave já comercializam veículos de marcas chinesas, totalizando 1 mil 360 concessionárias.

Arcelio Junior, Fenabrave

O executivo lembrou que as marcas asiáticas buscaram os grandes grupos concessionários do País e afirmou que a produção em altíssima escala dessas empresas ditará o futuro, decretando o fim dos modelos exclusivos para o mercado local.

Em relação à eletrificação Arcélio Jr pontuou que o mercado de híbridos ainda lidera com certa folga no Brasil, impulsionado tanto pelo desejo do consumidor por novas tecnologias quanto por incentivos governamentais, citando exemplos de isenção de IPVA por cinco anos no Distrito Federal e a liberação do rodízio municipal em São Paulo para modelos eletrificados.

No fim, ao resumir os grandes desafios do futuro para que a indústria automotiva e as redes de concessionárias voltem a prosperar com robustez, o presidente da Fenabrave retomou a viabilidade econômica: “Eu faria a junção de duas palavras: temos que resolver a questão da tributação e dos juros se não o País não vai pra frente”.

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