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CEO da Renault descarta híbridos leves no Brasil para atender regulamentação

“Fazemos carros para atender aos clientes” disse François Provost, que afirmou não ter um MHEV em mente para o portfólio nacional da marca

São José dos Pinhais, PR – O conhecimento adquirido ao longo de 23 anos na Renault, sobretudo na área de compras e novas parcerias desde 2023, levou François Provost à posição de CEO, que ocupa há exatos um ano e um mês. Durante sua primeira passagem pelo Brasil à frente da operação – a última foi como responsável global de compras, há dois anos – Provost contou que, excluindo Estados Unidos, Europa e China, 40% do crescimento do resto no mundo automotivo estará na Índia, 20% na América do Sul e outros 20% no Sudeste Asiático.

Neste contexto a prioridade da Renault passa a ser locais em que mantém estrutura produtiva e de engenharia, caso da Índia, com a compra de participação da Nissan na fábrica em Chennai. E no Brasil: “Vamos onde está o crescimento. Por isto a Índia e o Brasil são prioridade máxima”.

François Provost foi nomeado em meados de 2025 depois de uma série de ações bem-sucedidas, como a criação da Horse Powertrain, joint venture com a chinesa Geely e com a Saudi Aramco, dividindo os custos de P&D para produzir motores a combustão e sistemas híbridos de baixa emissão.

Também engenhou o acordo operacional em que a Renault passou a produzir e comercializar veículos baseados em plataformas da Geely, como o Koleos, na fábrica de Busan, Coreia do Sul.

Ainda como diretor global de compras iniciou as negociações com a Geely no Brasil, inspirado no sucesso da parceria na Coreia do Sul. Mas foi como CEO da Renault que Provost finalizou o acordo que deu 26,4% de participação acionária para a Geely na operação brasileira, o que tornou viável o investimento de R$ 3,8 bilhões no complexo produtivo de São José dos Pinhais, PR, e agora a expansão deste ciclo para R$ 5,8 bilhões.

A organização montada na Índia proporcionará, segundo Provost, “tecnologias e módulos competitivos que podem ser úteis para América do Sul”. A obsessão do CEO é com sinergias que produzam reduções de custos a fim de criar produtos que sejam competitivos com os mais baratos e tecnológicos do mundo. O nome do jogo está em absorver e adaptar estas tecnologias para veículos de maior valor agregado, garantindo margens de lucro operacionais mesmo diante da volatilidade dos mercados locais,

“Temos o Boreal na Índia e lançaremos uma versão híbrida lá. E isto permitirá lançar o híbrido aqui com um nível de custo aceitável. Diante da concorrência chinesa temos que ser mais competitivos em termos de custo, mas também ágeis em termos de novos recursos e tecnologias.”

Sobre as regulamentações brasileiras para a indústria automotiva, o principal executivo da Renault acredita que esteja pavimentando um caminho que privilegie as potencialidades do País, como a matriz energética mais limpa e os bicombustíveis. Mas ele rechaçou veementemente algumas tecnologias que já estão no mercado:

“Não acho que o híbrido leve seja uma boa solução para o Brasil. Hoje existe uma enorme variedade de híbridos leves, impulsionada por alguns concorrentes. Não acredito que seja bom para os clientes. Eu faço carros não por causa da regulamentação, mas sim para os clientes”.

Provost acredita que o mercado nacional terá uma série de soluções de transição, aproveitando a emissão zero da propulsão elétrica nas cidades e a combinação da combustão com etanol em percursos longos:

“Vemos no Brasil potencial para híbridos, PHEV, talvez um pouco de extensor de autonomia EV, ou REEV. E não é só por causa da regulamentação: é porque será bom para os clientes. Na Europa quem compra um carro elétrico nunca mais volta atrás para um modelo só a combustão”.

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