São Paulo – A necessidade de uma política permanente de renovação de frota e o impacto dos juros elevados sobre o mercado de veículos comerciais foram os principais temas levantados pelos executivos da Iveco, Mercedes-Benz e Volvo durante o Congresso AutoData Revisão das Perspectivas 2026. Apesar do cenário desafiador os três demonstraram confiança na recuperação do setor desde que haja maior previsibilidade econômica e estímulos aos investimentos.
Para George Carloto, diretor comercial da Iveco, o maior gargalo continua sendo o custo do capital: “Fazer o investimento nestes níveis de juros, hoje, leva a um investimento que provavelmente não se paga ao longo do tempo”.

Segundo o executivo o aumento da inadimplência, do custo operacional e do diesel tem levado muitos transportadores a adiarem a renovação da frota.
Carloto acredita em programa permanente de renovação da frota brasileira: “Hoje nós temos mais de meio milhão de caminhões com mais de 25 anos rodando no Brasil. Isto afeta demais o nosso meio ambiente e a segurança do transporte”.
Para ele a iniciativa deve envolver governo, fabricantes e transportadores para retirar os veículos mais antigos de circulação e acelerar a adoção de tecnologias mais limpas.
Demanda no segundo semestre
Representando a Volvo Caminhões Alcides Cavalcanti afirmou que o segmento de caminhões pesados acumula queda mas enxerga melhora gradual ao longo do segundo semestre: “A tendência é a de que o mercado se recupere de certa forma e a gente chegue a uma redução de 5% a 10% com relação a 2025”, disse, citando o segmento acima de 16 toneladas.

Segundo ele o programa Move Brasil mostrou que existe demanda quando há crédito competitivo: “O programa baixou a taxa de juros de cerca de 20% para 13% ao ano e, com isto, os empresários se animaram a comprar. É fato que nós precisamos ter taxas de juros decentes para incentivar a renovação de frota”.
Cavalcanti reforçou ainda que o Banco Volvo contabilizou R$ 3,3 bilhões de crédito aprovado nas duas edições do programa.
Ônibus
No segmento de ônibus, Walter Barbosa, vice-presidente de marketing e vendas da Mercedes-Benz, lembrou que os últimos dois anos foram excepcionais, mas afirmou que o mercado entrou em desaceleração em 2026: “Historicamente, em ano eleitoral como esse, o segundo semestre costuma ser menor do que o primeiro porque diminuem as compras governamentais e o empresário espera para ver o que acontecerá”.
Dentre os principais desafios Barbosa citou a Selic elevada, o aumento do diesel e a falta de previsibilidade: “Se considerar o spread bancário a taxa chega ao cliente de 18% a 20% ao ano. Isto não dá vontade para ninguém renovar”.

Mesmo diante da retração o executivo destacou que programas públicos foram decisivos para sustentar o setor: “O Move Brasil, o Refrota e o Fundo Clima ajudaram muito em 2024 e 2025 e começaram 2026 ainda dando fôlego para a indústria”.
Por isto Barbosa projeta que o mercado de ônibus encerre o ano com cerca de 20 mil unidades emplacadas.
Conclusão
Ao encerrar o painel os três executivos convergiram em uma mesma avaliação: a combinação de redução dos juros e um programa nacional permanente de renovação de frota será determinante para ampliar os investimentos e recuperar o mercado de caminhões e ônibus nos próximos anos. Como resumiu Carloto “a demanda pelo transporte existe. O que nós precisamos, juntos, é achar o melhor caminho para manter o nível de produção e acelerar os programas de renovação de frota”.



















