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ABVE prevê que eletrificados cheguem a 30% do mercado em 2030

Presidente Ricardo Bastos participou do Congresso AutoData Revisão das Perspectivas 2026
Ricardo Bastos

São Paulo – Formar parcerias, sobretudo com empresas chinesas, é um dos caminhos para o Brasil ganhar escala na nova indústria automotiva, defendeu Ricardo Bastos, presidente da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, durante o Congresso AutoData Revisão das Perspectivas 2026. Ele destacou que o mercado automotivo brasileiro cresce perto de 20% neste ano, superando qualquer projeção feita há seis meses.

Sobre os eletrificados, admitiu que a entidade que preside fez uma estimativa conservadora no início do ano. “Eu falei que seria em torno de 280 mil veículos esse ano. Talvez supere os 400 mil. Mas eu acho que é um número muito importante, crescimento superior a 100%, que deve se manter”.

Segundo ele, os eletrificados registraram mais um recorde mensal de vendas em junho, puxado por uma oferta cada vez maior de modelos, como sedãs, hatches e SUVs de vários portes, e por um argumento que hoje pesa mais do que a preocupação ambiental na decisão de compra. “Dentre as razões a mais forte hoje é a razão do bolso, a razão econômica”.

Meta é alcançar um terço do mercado

Bastos citou uma meta que a entidade não pretende alterar: chegar a 30% de participação dos eletrificados no mercado total até 2030. “Eu acredito que o mercado total vai crescer. Então, 30% de vendas de eletrificados em 2030, um terço do mercado, é muito relevante”.

O executivo também colocou a produção nacional como frente que precisa avançar junto com as vendas: “Hoje metade já é montada ou produzida no Brasil. Eu espero que esse um terço, se não for totalmente, pelo menos aí quase 80% ou 90% já produzido localmente em 2030.”

Ricardo Bastos
Fotos: Bruna Nishihata.

O setor já superou o receio inicial de que a eletrificação fechasse fábricas. Para Bastos a resposta está nas alianças com quem já domina a tecnologia. “Não vamos conseguir fazer baterias aqui no nível da China se não fizermos parceria com a própria China. Parceria é o nome do jogo”.

Sobre a viabilidade de uma fábrica de células de bateria no País, o presidente da ABVE mudou o tom em relação ao que dizia há dois anos. “Hoje eu falo com a certeza que há dois anos eu não tinha, porque essas células não vão mais só para a bateria do carro”, disse, lembrando que o mesmo tipo de célula também abastece celulares e computadores, o que ajuda a viabilizar escala. “Vamos ter, sim, fábrica de bateria mais rápido do que pensamos. Arrisco que até 2028 nós vamos ter, inclusive, células aqui no Brasil”.

Tarifa de 35%, regras estáveis e o risco do imposto seletivo

Os 35% já aplicados aos importados são, para Bastos, suficientes. O cronograma de aumento, definido desde o fim de 2023, foi cumprido pelo governo. “Eu acho que 35% é uma baita proteção. Cada empresa tem seu número, mas 35% está acima, e por isso vale a pena produzir no Brasil”.

Para ele, o risco maior não é o nível da tarifa, mas a instabilidade das regras: “Precisamos de regras estáveis. Mesmo elas não sendo muito boas, se elas forem estáveis, conseguimos trabalhar investimentos”, disse, citando o México como alerta: “Foi para 50% e os investimentos anunciados recuaram.”

Confrontado com a opinião divergente do presidente do Sindipeças, Cláudio Sahad, para quem os 35% não bastariam diante da escala chinesa, Bastos ponderou que é preciso dar tempo para observar os efeitos da tarifa, preferindo concentrar esforços em outra frente que considera mais urgente: o imposto seletivo, que passa a incidir em janeiro.

“Vai ser uma carga muito alta para a indústria automobilística”, alertou, defendendo que o programa Mover precisa ganhar uma nova etapa: “Precisamos ter um Mover 2 ou um capítulo novo sendo feito se quisermos acelerar esse processo.”

Infraestrutura de recarga e novos negócios na cadeia

A infraestrutura de recarga cresceu, com mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos no País. Para Bastos, o dado mais relevante é a proporção de carregadores rápidos e ultrarrápidos. “Este é o dado mais importante de toda a apresentação: são 34% de carregadores rápidos ou ultrarrápidos que nós já temos no Brasil, ou pouco mais de 8 mil carregadores. Nós precisamos crescer muito esse número”.

Os eletrificados também significam um ganho financeiro para motoristas de aplicativo, hoje o principal público consumidor de elétricos: “Um outro benefício é o bolso, que muitas vezes chega a valores de um quinto do custo mensal que esses motoristas tinham com o carro movido a combustão.”

No transporte público, a participação dos ônibus elétricos também é importante. A cidade de São Paulo já ultrapassou a marca de 1 mil veículos, o que para Bastos é um grande salto.

Por fim, o presidente da ABVE citou o papel de empresas de fora do setor automotivo, como a WEG, que passaram a fornecer para a cadeia de eletrificados, e a parceria da ABVE com o Sindipeças para ajudar fornecedores do setor eletroeletrônico a se adaptar à dinâmica automobilística, movimento que, segundo ele, deve se intensificar com a chegada de mais montadoras chinesas ao País.

aumovio

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