São Paulo – Para o vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Ricardo Alouche, a retração do mercado de caminhões no primeiro semestre, de 10,5%, para 49 mil unidades, conforme balanço da Anfavea, será revertida ao longo da segunda metade do ano, quando tradicionalmente as vendas tendem a ser maiores. Ele acrescentou que o reflexo de emplacamentos do Move Brasil 2 ainda será sentido nos próximos meses.
Otimista a visão da empresa externada por Alouche durante o Congresso AutoData de Revisão das Perspectivas, se descola daquelas apresentadas tanto pela Anfavea, que projeta queda de 6% em 2026, com 106,7 mil unidades vendidas, quanto pela Fenabrave, de recuo de 7,8%, totalizando 102,2 mil.
“A Volkswagen Caminhões e Ônibus acredita em estabilidade do mercado de caminhões este ano, com 113 mil unidades”, disse, ao sustentar que o recuo do primeiro semestre na verdade refletiu a espera pela liberação do crédito a juros subsidiados das duas edições do programa do governo federal e justifica a diminuição, pouco a pouco, do tamanho do recuo em comparação a 2025.
Tanto que no primeiro trimestre o tombo de 30%, em sua avaliação, se deu pela espera provocada pelo intervalo de tempo do anúncio da iniciativa à sua efetiva operacionalidade, entendido como natural diante da redução de 35% da taxa de juros para a compra de um caminhão 0 KM.

“Vemos que as expectativas seguem em trajetória de recuperação pois, se no início do ano o mercado para veículos acima de 3 toneladas estava com média mensal de vendas de 7 mil, no segundo trimestre se aproximou de 10 mil, o que foi consolidado em junho, com 10,6 mil e a projeção de julho é 12,4 mil emplacamentos.”
“Mercado não está encolhendo”
Alouche lembrou que, embora fazer previsões nunca tenha sido tão desafiador, uma vez que o que determina a compra de veículo comercial é a previsibilidade, para ele pontos positivos que reforçam o cenário são o crescimento do PIB e da atividade econômica, o agronegócio pujante, apesar da expectativa por El Niño, e o aquecimento do comércio, da logística e das exportações.
“É fato que não teremos a força sazonal habitualmente vista no segundo semestre, o que limitará o crescimento anual, até porque as taxas de juros elevadas e a oferta de crédito disponível contribuem significativamente para isto. Mas o mercado não está encolhendo e, no segundo semestre, não deverá cair.”
Além disto o executivo reforçou que nada tira a urgência de se estabelecer programa definitivo de renovação da frota, uma vez que existem 315 mil caminhões rodando pelas estradas brasileiras com idade superior a vinte anos. Para ele é prejudicial a duração datada das iniciativas de incentivo do governo, pois o cliente sempre fica esperando por uma nova rodada, mas, em sua visão, não deverá haver outras por ora.
“O mercado brasileiro de caminhões chegou, em 2013, a 153 mil unidades. Saindo deste patamar e traçando uma reta até hoje, observamos necessidade e demanda por caminhões novos de 580 mil unidades, fora os 315 mil com idade avançada.”
Ônibus devem recuar 6% no ano
No caso dos ônibus a Volkswagen Caminhões e Ônibus faz coro à projeção da Anfavea, de recuo de 6,1%, para 22,5 mil unidades, um pouco mais otimista do que a da Fenabrave, de retração de 9,2%. No primeiro semestre os emplacamentos caíram 11,6%, para 10,2 mil unidades.
Mas, da mesma maneira que analisou o mercado de ônibus, o de caminhões também demonstrou, ao longo da primeira metade do ano, crescimento mês a mês, saindo de 1,2 mil em janeiro para 2,1 mil vendas em junho, patamar que deverá ser mantido em julho.
“Não há uma crise de mercado. O recuo está alavancado pela postergação do programa Caminho da Escola deste ano, que ainda está indefinido e que, portanto, seus reflexos deverão ser sentidos somente mais para frente.”
E, no caso da VW Caminhões e Ônibus, que liderou as vendas para o programa na licitação deste ano, o reflexo será ainda mais positivo quando concluídos os trâmites e iniciada a produção e venda dos chassis, a depender, em parte, de decisão do TCU, Tribunal de Contas da União — o fornecimento do modelo Ore 2, que prevê a encomenda de 2,1 mil unidades, foi objeto de medida cautelar decorrente de representação apresentada pela Iveco e questiona a não aplicação da margem de preferência para produtos nacionais em sua proposta.
A situação, no entanto, ocorreu em razão de erro no cadastramento da própria proposta pela Iveco, que não inseriu corretamente as informações necessárias para usufruir do benefício da margem de preferência, o que a tirou do certame. Até o momento o TCU ainda não emitiu decisão. Quanto aos demais produtos, Ore 1 e Ore 3, estão em fase de inspeção.























