São Paulo — A Cummins projeta produzir cerca de 40 mil motores no Brasil em 2026, alta de aproximadamente 10% com relação ao resultado do ano passado. A estimativa foi apresentada pelo seu presidente, Adriano Rishi, durante o anúncio das novidades da empresa para a Fenatran 2026, que será realizada de 9 a 13 de novembro.
As exportações devem contribuir para o resultado. Deste modo a companhia estima crescimento de 70% a 80% nos embarques com relação a 2025. Segundo Rishi atender outros mercados também permite equilibrar a capacidade produtiva global, garantir o abastecimento e preservar a competitividade diante das oscilações da demanda.
Os motores representam cerca de 15% das exportações da Cummins, enquanto blocos, cabeçotes e outros componentes respondem pela maior parte dos embarques, com participação estimada de 65% a 70%. Mercados atendidos são os dos Estados Unidos, México e Canadá, além de países da Europa.
Rishi citou que a empresa reduziu as exportações no fim do ano passado e voltou a ampliá-las posteriormente. Para ele a capacidade de ajustar a produção e os fluxos comerciais é importante em um cenário de instabilidade: “Como empresa global é parte da nossa estratégia ter o que chamamos de network da cadeia de suprimentos. Com todas estas questões geopolíticas precisamos ter esta segurança de abastecimento, balanceamento de capacidade e competitividade”.
Enquanto isto a Cummins manterá investimentos anuais de R$ 70 milhões no Brasil. Segundo Rishi os recursos fazem parte de planejamento ao longo prazo para sustentar a competitividade dos produtos e da operação local, independentemente das oscilações do mercado.
Perspectivas para 2027
Apesar da expectativa de crescimento neste ano o cenário de 2027 ainda é avaliado. Rishi afirmou que a empresa considera a possibilidade de manter os resultados atuais diante das incertezas econômicas: “Estamos olhando com cautela. Não com apreensão, mas com atenção. Sempre tivemos o objetivo de crescimento mas, se for igual, está bom. Se não tiver redução já é uma vitória”.
Segundo o executivo as perspectivas não dependem apenas do resultado das eleições brasileiras. A conjuntura econômica global, a reforma tributária, a dinâmica da concorrência e as políticas públicas também influenciam as decisões de investimento e os negócios da companhia.
Novos motores e tecnologias
Na Fenatran a Cummins apresentará atualizações de seu portfólio para o mercado brasileiro. Dentre os destaques está a nova geração do motor F4.5, cuja potência passou de 210 cv para 240 cv, aumento de aproximadamente 14%. A fabricante prevê ainda redução de até 9% no consumo de combustível em comparação com a versão atual.
A empresa também mostrará o novo motor F3.0, com potência de 200 cv, e o B6.7N, desenvolvido para operar com gás natural e biometano e validado para o mercado brasileiro. Outro lançamento será a nova geração do sistema de pós-tratamento Single Module, 30% mais leve e 5% menor do que a versão atual.
Na Fenatran 2026 também mostrará os modelos MD-160, para caminhões rodoviários 6×4, e MT-610, destinado a caminhões 8×4 de mineração.
Os lançamentos acompanham o plano da empresa de oferecer diferentes tecnologias de acordo com as aplicações e as condições de operação. Rishi afirmou que a descarbonização do transporte não dependerá de uma única solução tecnológica: “É uma pluralidade de tecnologias, não uma solução”, disse o executivo, ao observar a evolução dos motores e o uso de diferentes combustíveis.























