Carlos Ghosn sustenta inocência e dá a sua versão dos fatos

São Paulo – O mundo automotivo parou na quarta-feira, 8, para escutar pela primeira vez o que tinha a dizer Carlos Ghosn, ex-presidente da Aliança Renault Nissan Mitsubishi, depois de passar quase um ano preso no Japão e escapar, em fuga cinematográfica, do cárcere domiciliar sob o qual era mantido.

 

“Como vocês podem imaginar, hoje é um dia muito importante para mim”, começou o executivo em seu discurso, ora em inglês, ora em francês, proferido em Beirute, Líbano, diante de multidão de jornalistas e repórteres fotográficos. “Vocês devem imaginar o quão difícil foi para mim ser afastado da minha família, da minha comunidade e das empresas.”

 

O executivo sustentou durante a coletiva sua inocência diante da acusação de fraude financeira que o levou à prisão no Japão. Sobre as razões que levaram as autoridades a prendê-lo Ghosn afirmou sofrer perseguição naquele país por causa “da redução do desempenho da Nissan em 2017”. Ele citou, ainda, que sua prisão prejudicou negociações que estavam em curso à época para a fusão da Nissan-Renault com a FCA, movimento que acabou ocorrendo com a rival PSA em dezembro. Disse, também, que esperava mão amiga do governo brasileiro para obter, por vias diplomáticas, a sua libertação.

 

“O presidente Bolsonaro fez um anúncio no jornal, quando alguém fez uma pergunta para ele, se ele estava pronto para falar do meu caso com as autoridades japonesas. E, se eu me lembro, ele falou que ele não quis fazer isso para não atropelar, atrapalhar as autoridades japonesas.”

 

Eram esperados do executivo mais pormenores a respeito da fuga do Japão. O assunto, no entanto, ficou longe de ser explicado, pois Ghosn se limitou a dizer apenas que os “princípios dos direitos humanos foram violados” com sua prisão e que a Justiça japonesa o privou de seus documentos de defesa.

 

Após a entrevista coletiva Masako Mori, a ministra da Justiça do Japão, informou por meio de nota que as declarações de Ghosn são “absolutamente intoleráveis”. Afirmou, ainda, que “o sistema de Justiça criminal do Japão estabelece procedimentos apropriados e é administrado adequadamente para esclarecer a verdade nos casos, garantindo os direitos humanos individuais básicos”.

 

A nota termina dizendo que “o governo do Japão tomará todas as medidas disponíveis para que os processos criminais japoneses possam ser adequadamente atendidos, enquanto trabalha em estreita colaboração com países, organizações internacionais e outras partes interessadas.”

 

Carlos Ghosn foi convocado pela Procuradoria Geral do Líbano para prestar depoimento na quinta-feira, 9, depois que as autoridades receberam uma notificação da Interpol sobre sua fuga do Japão, informou a agência de notícias estatal ANN.

 

A agência acrescentou que a intimação do Ministério Público tem a ver também com “reuniões com autoridades israelenses”, em função das quais foi aberto um processo contra Ghosn no Líbano.

 

Foto: Divulgação.

Mercedes-Benz se divide em três no Brasil

São Paulo – O Grupo Daimler oficializou na quarta-feira, 8, sua nova estrutura corporativa no Brasil. São três as empresas que estarão sob o guarda-chuva local, cada uma totalmente dedicada aos seu segmento de atuação.

 

Em caminhões e ônibus a encarregada será a Mercedes-Benz do Brasil, presidida por Philipp Schiemer. Holger Marquardt, que até dezembro ocupava a diretoria administrativa de marketing, vendas e automóveis para a América Latina e o Caribe, foi promovido para presidente da Mercedes-Benz Cars & Vans Brasil, a divisão responsável pelos negócios com automóveis e vans.

 

Para o Banco Mercedes-Benz, terceira empresa do grupo, segue o presidente Christian Schüler.

 

A reorganização não é novidade: fora revelada por Schiemer em dezembro de 2018. Segue as diretrizes globais – desde novembro a Daimler AG, na Alemanha, trabalha em três empresas independentes, a Daimler Truck AG, Mercedes-Benz AG e Daimler Mobility AG. Também em novembro a empresa anunciou outras mudanças em sua estrutura global, com redução de plataformas em alguns mercados para reduzir os custos das operações.

 

Foto: Divulgação.

CES, o Salão do automóvel da tecnologia

Las Vegas, Nevada – As tradicionais fabricantes de veículos também atacam o mundo da tecnologia com soluções que prometem transformar a mobilidade nos próximos anos. Quase todas as expositoras da CES, Consumer Eletronic Show, em Las Vegas, como Ford, Toyota, Honda, Audi, Nissan, FCA e Mercedes-Benz, apostam principalmente em veículos elétricos e em novas soluções embarcadas nesses produtos.

 

Mas talvez a novidade de maior impacto esteja no estande da Hyundai, que em parceria com a Uber mostrou o protótipo do seu, digamos, carro voador. O nome dele é PAV, sigla em inglês para Veículo Aéreo Pessoal, modelo S-A1. Com capacidade para cinco pessoas deve entrar em operação em 2023 primeiramente em Dallas, Los Angeles e em cidades da costa Leste dos Estados Unidos, segundo a fabricante e a parceira da área de mobilidade.

 

Este será o primeiro veículo elétrico – ele usará diversos pequenos motores para reduzir o ruído – com autonomia para voar 100 quilômetros sem utilizar as congestionadas vias destas cidades. Espera-se uma grande mudança na mobilidade com o lançamento do S-A1 e todo o conceito de mobilidade que está sendo criado para levar as pessoas até a estação de onde devem partir esses veículos.

 

Outra mudança que atraiu bastante a atenção foi o Mustang Mach-E, crossover 100% elétrico que carrega o status do ícone de esportividade da Ford. Realmente é difícil acreditar até para o estadunidense mais ligado a novos conceitos que chegaria o dia em que o muscle car mais famoso do mundo poderia se transformar no Mach-E exibido na CES. Mas é verdade: um esportivo 100% elétrico com 342 KW de potência, o equivalente a 460 cv, e com muita tecnologia que pretende conquistar o consumidor primeiramente nos Estados Unidos e Europa. As vendas começam até o fim do ano e no mercado local custará de US$ 45 mil a US$ 60 mil.

 

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Dentre tantas novidades, como um sistema Sync mais poderoso, capaz de superar as expectativas e as necessidades do usuário dentro do veículo, segundo a Ford, o Mach-E poderá ser equipado em breve com uma nova tecnologia de condução autônoma. Aliás a Ford está trabalhando em diversas frentes para contribuir com a mobilidade do futuro e também gerar receita com essas soluções, como o monitoramento das ruas de uma cidade – um tema que será abordado com mais profundidade em outro momento.

 

A Mercedes-Benz apresentou o protótipo de um veículo com visual impressionante, o Vision AVTR. A fabricante pretende revolucionar a próxima geração com uma tecnologia de bateria desenvolvida a partir do grafeno e completamente livre de materiais raros e metais. Essa bateria pode ser 100% reciclada, tornando talvez pela primeira vez esse componente-chave dos veículos elétricos totalmente independente de qualquer fonte de origem fóssil.

 

A companhia se orgulhou ao dizer na CES que, com essa solução, está dando grande relevância para a economia circular no futuro da utilização de materiais para a produção automotiva. De fato é a primeira vez que se escuta uma fabricante de automóveis assumir com tanta veemência o conceito de economia circular, tabu histórico na indústria.

 

A Audi, a FCA, a Toyota, a Honda e a Nissan, dentre outras, também mostraram na CES que estão voltando seus planejamentos para soluções mais condizentes com os desafios que o planeta está enfrentando, como o aquecimento global causado pela ação humana. Cada uma à sua maneira, respeitando seus planos, conduzirão os negócios e os produtos para um conceito mais limpo de emissões e para a utilização de materiais e tecnologias mais inteligentes e menos agressivos ao meio ambiente. Essa é uma tendência forte na CES e nada melhor que mostrar tudo isso para um público ligado no futuro e, portanto, preocupado com o que vai consumir daqui em diante.

 

Fotos: Leandro Alves, Jorge Moraes

A indústria que invadiu a indústria automotiva

Las Vegas, Nevada – A agitação e a correria das pessoas pelos corredores do pavilhão Norte do Centro de Convenções na terça-feira, 7, dava a impressão de que todos estavam em busca da nova tecnologia do futuro, a nova ideia disruptiva de US$ 1 bilhão. A Consumer Electronics Show, ou CES 2020, maior feira de tecnologia do mundo, é tudo isso e muito mais. A indústria automotiva, por exemplo, invadiu a exposição, ocupando boa parte do pavilhão Norte. Mas outras empresas também estão expondo aqui tecnologias, equipamentos e soluções que antes eram exclusividade das empresas dedicadas apenas ao setor automotivo.

 

A Samsung e a LG, para citar duas conhecidas dos brasileiros, apresentaram aqui cockpits de automóveis com soluções que vão desde o design interior customizado até painéis completos com toda a eletrônica embarcada construída por eles. A Panasonic tem uma divisão, a One Connect, que mostrou um infotainment totalmente conectado: todos os comandos por voz são levados para um ambiente na nuvem e o OEM cliente dessa tecnologia pode ter acesso imediato à forma como o motorista está interagindo com o veículo. E o usuário pode, dentre muitas coisas, pedir para o sistema acionar o vídeo game integrado no painel e, enquanto o veículo está parado, jogar o game Sonic – esta foi a dinâmica e o jogo escolhido durante a demonstração.

 

A divisão One Connect também apresenta aqui na CES uma experiência já em operação de frota conectada com a Troops Motors – uma ilustre desconhecida no mundo automotivo: são pequenos caminhões para percurso urbano totalmente monitorados.

 

A sul-coreana SK Innovation – mais uma ilustre desconhecida no universo automotivo, divisão da empresa química SK – apresentou a evolução da mobilidade do futuro, um projeto completo de veículo que, segundo a exibição, não apenas utilizará novos materiais para aumentar a capacidade de baterias elétricas mas, também, materiais nanotecnológicos para portas e todo o interior do veículo ultraleves e com produção “amigável” com o meio ambiente.

 

É muito provável que as empresas que trabalham com sensores sejam as que mais possuem estandes no pavilhão dedicado à indústria automotiva. Em cada corredor havia ao menos dois, três estandes desses itens, desde os já conhecidos sensores para auxiliar o estacionamento dos veículos até os mais sofisticados, com leitores infravermelho e câmaras inteligentes que monitoram pessoas passando em frente aos carros. Essa tecnologia é impressionante: as câmaras registram até os movimentos dos olhos e são capazes de apontar a direção que a pessoa tomará no próximo passo. Deve ser esse tipo de tecnologia que auxiliará os carros autônomos no futuro.

 

Estes são apenas alguns exemplos somente do lado Norte do pavilhão principal da CES. Além do centro de convenções de Las Vegas a feira ocupa diversos outros espaços na cidade. É praticamente impossível uma pessoa percorrer todos os espaços nos quatro dias do evento. Assim, muitas outras novidades da indústria de tecnologia para a indústria automotiva podem estar escondidas por aqui.

 

Foto: Divulgação CES.

Importadores projetam crescimento, apesar do dólar

São Paulo – As oscilações do dólar durante todo 2019, especialmente na segunda metade, quando a cotação bateu o pico de R$ 4,28, prejudicaram o desempenho dos importadores de automóveis filiados à Abeifa, entidade que reúne importadores e alguns fabricantes. Mas a queda de 7,9% nas vendas com relação a 2018, para 34,6 mil unidades, não tirou o otimismo do presidente José Luiz Gandini. Em entrevista coletiva à imprensa na quarta-feira, 8, o empresário divulgou três cenários de projeções – e em todos há perspectiva de crescimento com relação ao ano passado.

 

No mais pessimista, com o dólar médio na casa dos R$ 4,20, o setor fecharia com cerca de 35 mil unidades licenciadas, leve avanço sobre 2019. No mais otimista, com a moeda estadunidense mantendo uma cotação média de R$ 3,80 durante o ano, as vendas podem chegar a 45 mil unidades.

 

O intermediário é a aposta de Gandini: dólar por volta de R$ 4,00, em média – em 2019 a mediana foi de R$ 3,95 –, e 42,5 mil automóveis e comerciais leves importados pela Abeifa comercializados no mercado brasileiro, um crescimento de 22% sobre o ano passado.

 

Apesar das tensões recentes dos Estados Unidos com o Irã – ataques com bombas no Iraque, pelos dois lados, trouxeram à tona a possibilidade de uma guerra naquela área que, atualmente, é a principal fornecedora de petróleo ao mundo – Gandini acredita que a moeda estadunidense não se valorizará mais frente ao real. Junte a isto a equalização da tensão comercial dos Estados Unidos com a China e o cenário do Brasil, em vias de aprovar uma reforma tributária, a possível recuperação do grau de investimento e, quem sabe, a retomada na economia, acredita Gandini.

 

“É difícil prever volume, até porque se o dólar subir muito teremos que elevar preços e reduzir as encomendas. Mas tenho razões para acreditar neste crescimento de 22%, quem sabe até mais.”

 

No ano passado a Kia Motors, marca representada por Gandini, foi a líder em vendas dentre os importados pelas associadas da Abeifa, com 9 mil 271 unidades, queda de 21% com relação a 2018. Na segunda posição ficou a Volvo, que cresceu 15,8% e alcançou 7 mil 913 licenciamentos, seguida pela BMW, 4 mil 834 importações, 73,3% a mais do que em 2019.

 

Foto: Divulgação.

Grupo BMW está fora do Salão do Automóvel 2020

São Paulo – BMW e Mini, as duas marcas do Grupo BMW, estarão ausentes do pavilhão do São Paulo Expo durante o Salão do Automóvel 2020, em novembro. Em comunicado divulgado na quarta-feira, 8, o Grupo confirmou que não participará do evento:

 

“Este ano reforçaremos o engajamento em atividades específicas e individualizadas de experiência da marca, incluindo maior oferta de test-drives e degustações de tecnologias e serviços para clientes e fãs da indústria da mobilidade e entusiastas do prazer de dirigir.”

 

Em 2018 Volvo e Jaguar Land Rover, além do Grupo PSA, não participaram do Salão paulistano. A edição deste ano pode ainda ter mais ausências, uma vez que outras marcas premium, como Audi e Mercedes-Benz, estão avaliando a participação devido ao alto custo envolvido – conforme adiantado pela Revista AutoData na edição 362.

 

Primeira a oficialmente anunciar sua ausência, a BMW informou que a decisão foi tomada em razão de o grupo estar “sempre avaliando a sua presença em feiras e outros eventos, ao mesmo tempo em que busca novas plataformas e formatos alternativos”.

 

Foto: Divulgação.

Anfavea projeta mercado de 3 milhões de veículos

São Paulo – A Anfavea acredita em crescimento mais acentuado do mercado brasileiro em 2020 depois de crescer 8,4% no ano passado. Segundo projeções divulgadas na terça-feira, 7, as vendas domésticas deverão, este ano, retornar ao patamar das 3 milhões de unidades, com avanço de 9,4% na comparação com os 2 milhoes 790 mil alcançados em 2019.

 

As estimativas têm como base uma perspectiva otimista dos analistas do departamento econômico da entidade, que acreditam em avanço de 2,5% em 2020, após uma alta estimada de 1,2% em 2019. Os fundamentos estão sólidos, segundo o presidente Luiz Carlos Moraes: inflação controlada, risco-Brasil em níveis historicamente baixos, sinais de retomada do emprego e da confiança e perspectiva positiva para o crédito, importante propulsor das vendas de veículos no País:

 

“A taxa de juros ao consumidor final já está, em média, abaixo dos 20%. Este índice foi alcançado em 2012-2013, com a Selic em nível superior aos atuais: era de 7,5% na época, hoje está em 4,5%. Então ainda há espaço para que a taxa de juros seja reduzida ainda mais”.

 

Mais uma vez o segmento de veículos pesados terá crescimento superior ao de automóveis e comerciais leves. Nos cálculos da Anfavea a venda de leves subirá 9%, superando por pouco as 2,9 milhões de unidades, enquanto a de pesados registrará avanço de 16,9%, alcançando 143 mil veículos. Deste volume 120 mil caminhões e 23 mil ônibus.

 

A expectativa de bom desempenho interno ajuda a sustentar outra projeção de crescimento, a da produção. A Anfavea calcula que sairão das linhas de montagem 3 milhões 160 mil unidades, volume 7,3% superior ao de 2019 – embora o volume exportado, nas contas da entidade, recuará 11%, para 381 mil veículos.

 

“Não acreditamos em recuperação da Argentina, nosso principal cliente, ainda este ano”, argumentou Moraes. “E temos problemas em outros destinos importantes, como o Chile, onde as manifestações populares não cessaram, e a Colômbia, que também está instável.”

 

O presidente da Anfavea disse, ainda, que a busca por novos mercados segue difícil por causa do custo-Brasil, formado, segundo ele, por impostos elevados e carências logísticas, principalmente: “Queremos e podemos exportar mais. Mas seguem os entraves de competitividade”.

 

Em valores, nos cálculos da associação, a queda nas exportações deverá ser menor: 5,9%, com receita de US$ 9,2 bilhões.

 

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Foto: Divulgação.

Produção de veículos cresce 2% em 2019

São Paulo – As fábricas brasileiras de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus produziram, em 2019, 2 milhões 944 mil 962 unidades, volume 2,3% superior ao de 2018. Os dados foram divulgados pela Anfavea na terça-feira, 7, em conferência de imprensa em São Paulo.

 

O resultado ficou em linha com as projeções da entidade: “Erramos por 5 mil unidades”, recordou o presidente Luiz Carlos Moraes: a estimativa era 2 milhões 940 mil. “É um resultado pior do que gostaríamos. A situação da Argentina prejudicou a programação de produção de várias empresas.”

 

Em dezembro saíram das linhas de montagem 170,5 mil veículos, queda de 3,9% com relação ao mesmo mês do ano passado e de 25% na comparação com novembro. Resultado normal, segundo Moraes: “Dezembro é um mês em que as empresas concedem férias, aproveitam para fazer ajustes de produção. E em novembro tivemos um volume bem positivo”.

 

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Ficou negativo, porém, o saldo de empregos do setor: de dezembro de 2018 a dezembro de 2019 foram cortados cerca de 5 mil postos de trabalho. Boa parte na Ford, que fechou sua fábrica de São Bernardo do Campo, SP, mas outras empresas, segundo Moraes, precisaram encerrar turnos por causa da queda nas exportações.

 

Ao fim de dezembro a indústria empregava 125 mil 596 pessoas.

 

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Exportações derrubam produção de ônibus

São Paulo — As fabricantes produziram 27 mil 668 unidades de chassis de ônibus em 2019, informou balanço da Anfavea divulgado na terça-feira, 7. O volume representa retração de 3% na comparação com a produção registrada em 2018. O resultado negativo se deu em função da queda nas exportações, responsáveis por sustentar a produção em 2018, quando o setor registrou alta de 38% sobre a produção de 2017.

 

Afora a crise argentina os ônibus produzidos no Brasil perderam negócios em mercados onde eram cativos para veículos produzidos na China, por exemplo. Mas a indústria comemora a produção de ônibus urbanos, que somou 22 mil 288 unidades, 0,3% a menos do que o volume produzido em 2018.

 

Não fossem as licitações municipais o resultado poderia ser ainda mais negativo, de acordo com Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

 

A queda na produção de chassis de ônibus rodoviários foi maior, 12%, ainda que a indústria tenha afirmado que há retomada das vendas de veículos dessa categoria motivada pelo transporte fretado e pelo encarecimento da passagem área, o que teria levado passageiros a recorrer ao deslocamento rodoviário. Saíram das linhas no ano passado 5 mil 380 unidades de chassis de ônibus rodoviários.

 

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Imprevisível setor de máquinas: queda em 2019.

São Paulo – A falta de previsibilidade dos recursos para financiamentos das vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias foi o principal entrave ao longo do ano e fez com que o segmento registrasse queda de 8,4% na comparação com 2018, com 43 mil 735 unidades comercializadas. Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea, disse na terça-feira, 7, que os agricultores precisam de previsibilidade para planejar suas compras e investimentos:

 

“O que o setor precisa é de um Plano Safra com recursos suficientes para todo o período, porque todo ano temos esse problema e faltam recursos para financiar as vendas. A clareza sobre o crédito disponível para os produtores se faz cada vez mais necessária, e o ideal seria que o planejamento para o Plano Safra fosse plurianual”.

 

Em dezembro as vendas somaram 3 mil 330 máquinas, queda de 24,4% ante igual período de 2018, causada exatamente pela falta de previsibilidade que afetou o setor ao longo de todo o ano. Na comparação com o mês anterior a retração foi menor, 0,8%, porque em novembro o setor já sofria com a falta de recursos para os financiamentos.

 

A produção chegou a 65 mil 656 unidades em 2019, recuo de 19,1% na comparação com 2018, por causa do menor consumo interno. Em dezembro saíram das linhas de produção 2 mil 282 máquinas, volume 58,8% menor com relação ao mesmo mês de 2018 e, segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, a queda em dezembro aconteceu porque algumas empresas paralisaram a produção para ajustar seus estoques.

 

As exportações garantiram pelo menos uma notícia boa para o setor em 2019, com crescimento de 1,5% na comparação com 2018 e 12 mil 870 unidades vendidas para outros países. Segundo o presidente da Anfavea o setor sofre menos do que o de automóveis porque depende menos da Argentina e tem outros mercados importantes, como os Estados Unidos.

 

Projeções 2020 – Mesmo com a queda em 2019 a Anfavea projeta alta para o setor de máquinas em 2020, puxada pelo crescimento das máquinas rodoviárias que serão usadas em obras de infraestrutura, segundo Moraes. Para as vendas a entidade projeta crescimento de 2,9%, chegando a 45 mil unidades e a produção deverá crescer 5,4%, com 56 mil máquinas fabricadas. O menor crescimento será registrado pelas exportações, que deverão crescer 1% no ano que vem.

 

Fotos: Divulgação.