Toyota: investimentos no País não devem parar por aqui.

Há quinze dias a Toyota revelou dois importantes planos de investimento no Brasil: R$ 600 milhões dedicados à unidade de Porto Feliz, SP, para saltar a capacidade de produção de motores ali de 108 mil para 174 mil/ano, e mais R$ 1 bilhão para produzir o Yaris em Sorocaba, também SP, dividindo linha com o Etios.

 

Dificilmente, porém, os aportes da fabricante no País vão parar por aí. Foi o que deixou transparecer em sua apresentação o vice-presidente executivo da Toyota no País, Miguel Fonseca, palestrante do segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018, a terça-feira, 10, no Hotel Transamérica, em São Paulo.

 

O executivo afirmou que a produção do Yaris em Sorocaba não representará, automaticamente, um expressivo aumento do volume de produção da planta, como seria natural imaginar-se. “Os volumes da planta crescerão um pouco, mas derivados de melhoria contínua e produtividade, e não como uma ação estrutural. Este cenário tem ligação com um outro conjunto futuro de decisões, que não podemos comentar agora.”

 

Outro ponto que demonstrou nas entrelinhas as intenções Toyota está nos volumes projetados pela empresa para o ano que vem: mercado total crescendo 11%, para 2,5 milhões, produção em alta de 10%, para 2,8 milhões, e exportações avançando 8%, a 805 mil unidades. Porém para a Toyota do Brasil, isoladamente, os índices esperados são mais modestos: elevação de 7,1% em vendas ao mercado interno, para 203,6 mil, produção 7,4% além, a 205,9 mil, e exportações avançando 7,3%, para 53,1 mil. A razão é uma só: “Já estamos no limite da capacidade”.

 

Como se não bastasse Fonseca forneceu à plateia mais duas pistas importantes. A primeira é que a Toyota vê seu segmento de maior volume de vendas atualmente no País, os sedãs médios, perdendo participação daqui por diante em nosso mercado, de 6,5% em 2016 para 5,5% em 2018 e 4,8% em 2020. Ao mesmo tempo se recuperam os compactos de entrada, de 8,8% em 2016 para 11,9% em 2020, e disparam na preferência – adivinhe só?Acertou! – os SUVs compactos, faixa na qual a montadora não atua aqui no momento, de 10% em 2016 para 14,9% em 2020.

 

A segunda é que a fabricante entende como um fator irreversível do mercado brasileiro o aumento da participação das vendas diretas no bolo total, em salto representativo de 25% em 2013 para 41% em 2017. “Entendemos essa alteração como tendência do mercado brasileiro, ligada a elementos como gestão e redução de risco, e deve assim permanecer”. Segundo Fonseca a participação Toyota neste segmento ainda é modesta, mesmo com evolução de 15% em 2013 para 21% em 2017, e dessa forma “procuraremos ferramentas para participar de forma equilibrada deste segmento de mercado. Vamos procurar nossas soluções”.

 

Por fim, o executivo reforçou a importância que a fabricante dá aos elétricos: sua projeção para as vendas deste segmento no País é de 3,5 mil unidades, das quais 3,1 mil seriam do Prius, em elevação de 18%. “No momento não conseguimos atender os pedidos pelo modelo, que não tem oferta de pronta entrega”, revelou.

 

Fonseca crê que a eletrificação chegará com maior força também ao Brasil, atingindo níveis mais representativos “em breve prazo” e com tecnologia adaptada à realidade local, como híbridos flex. Globalmente a empresa trabalha com meta de reduzir em 90% as emissões de CO2 de seus modelos no período 2010 a 2050.

 

Foto: Maurício de Paiva

Mercedes-Benz projeta alta de 20% nas vendas de caminhões

A Mercedes-Benz projeta um crescimento de 20% no mercado de caminhões em 2018. De acordo com Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing da empresa, a expectativa traz fôlego para o setor: “Há tempos não víamos com bons olhos o futuro próximo”, disse o executivo em palestra no Congresso AutoData Perspectivas.

“Os negócios estão se desprendendo da política e isso está se tornando uma realidade para o mercado de caminhões. Os grandes operadores logísticos estão pensando mais em crescer do que no próximo escândalo político.” A taxa de juros baixa e com tendência de queda, a previsão de crescimento do PIB acima de 2% e os cenários político e econômico mais favoráveis, segundo Leoncini, também ajudarão na recuperação do mercado.

Segundo o executivo, existe uma falta de vontade para levar adiante a renovação de frota. “Para iniciar a fiscalização de caminhões em mau estado não serão necessários grandes investimentos. Não precisa mexer no bolso de ninguém. É só começar a controlar o tráfego dos caminhões com mais de 30 anos para encontrar problemas de frenagem, iluminação e emissões.” Segundo Leoncini, essa fiscalização levaria a uma renovação de frota necessária, já que estes caminhões têm alto custo para circular. São 3,1 milhões de caminhões acima de 20 anos rodando no Brasil.

O modelo de negócios também deve mudar no futuro, se desprendendo um pouco do Finame: “Em alguns países, o transportador não quer ser dono da frota. Ele quer o caminhão para realizar o transporte e depois devolver para a empresa dona do veículo. Acredito que esse modelo virá para o Brasil. O agronegócio deve ser o primeiro a operar nesse modelo”.

Leoncini também destacou que as exportações poderão mudar sua rota. Em vez de cruzar o Atlântico, uma saída pelo Pacífico seria mais barata para negociar com o mercado chinês: “No atual modelo de exportações, não conseguimos ser muito competitivos na China”. De acordo com o executivo, para levar adiante a ideia seria necessário negociar com os países sul-americanos com saída para o Pacífico.

 

Foto: Maurício de Paiva

Montadoras desengavetam projetos, aponta Sindipeças

Para o Sindipeças, associação que representa os fabricantes de autopeças no País, 2018 tem tudo para ser positivo. A entidade projeta alta de 6% no faturamento em reais, para R$ 79,6 bilhões, e de 3,8% em dólares, para US$ 24,6 bilhões. Em outros indicadores também se espera elevação, como de 34,8% no investimento em reais e de 32,2% em dólares, além de 5% a mais na geração de emprego do segmento. Os números foram apresentados por Flávio Del Soldato, conselheiro do Sindipeças, durante palestra que abriu o segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018, no Hotel Transamérica, em São Paulo, na terça-feira, 10.

Para ele as montadoras estão “desengavetando projetos”. Um ótimo exemplo disso, considerou, foi o anúncio de investimento de R$ 2,4 bilhões da Mercedes-Benz, ocorrido na segunda-feira, 9.

Outro fator positivo revelado pelo Sindipeças no evento foi o índice de utilização da capacidade instalada nas empresas de autopeças, que em agosto chegou a 67%, melhor registro deste ano. Como comparação em maio do ano passado o índice foi 48%, ou seja, menos da metade da capacidade total.

O Sindipeças estima que a produção nacional de autoveículos retomará volume de 3 milhões de unidades em 2021, após altas crescentes de 6% em 2018 e 4% em 2019, 2020 e 2021. Em 2022 chegaríamos a 3,1 milhões de unidades produzidas aqui. Del Soldato lembrou que será “uma longa jornada, coisa de oito anos, para voltarmos aos índices pré-crise. Mas é boa notícia, de qualquer forma”.

Ele acredita, ainda, que no ano que vem aumentará o déficit da balança comercial de autopeças, de US$ 5,9 bilhões projetados para 2017 para US$ 7,6 bilhões, 28,5% além: “Se o mercado cresce temos que trazer mais peças de fora, especialmente para os lançamentos”.

O dirigente ainda apresentou pesquisa interna em que a grande maioria dos entrevistados, 70%, considera que o Rota 2030 será melhor do que o Inovar-Auto, sob o ponto de vista de cada uma das próprias empresas ouvidas – participaram 63 empresas associadas, pequenas, médias e grandes, que representaram 26% do faturamento do segmento no ano passado.

A pesquisa ainda apontou que 20% consideram que o Rota 2030 não será nem melhor nem pior do que o Inovar-Auto, enquanto nenhum entrevistado afirmou acreditar que será pior. Ainda na pesquisa 34,9% indicaram que o Inovar-Auto foi indiferente – nem positivo nem negativo – para suas operações, enquanto que para 30,1% foi parcialmente positivo e para 20,6% foi parcialmente negativo. Durante sua apresentação Del Soldato considerou que a rastreabilidade, um dos principais fatores de controle para o conteúdo local, teve resultado “pífio”.

Em sua palestra ele afirmou que o atual entendimento do Ministério da Fazenda é o de que a noventena para o Rota 2030 é desnecessária, ainda que não seja essa uma posição oficial, frisou. Com isso o programa, em tese, não estaria atrasado. Del Soldato confirmou que não há previsão de qualquer espécie de controle para conteúdo local de autopeças, um dos pontos questionados pela OMC dentro do Inovar-Auto:

“Essa discussão de conteúdo local ficou para trás. Não dá para falar em competitividade se há uma obrigação legal de comprar peças em um ambiente pouco competitivo. O campeonato agora é outro”.

O conselheiro do Sindipeças finalizou sua apresentação abordando as negociações do Mercosul com a União Europeia. Para ele um acordo está “muito próximo” e deve, sim, ser considerado nos planos futuros das empresas do segmento instaladas no Brasil.

 

Foto: Maurício de Paiva

O otimismo dos concessionários

As vendas internas de veículos de passeio e comerciais leves, no ano que vem, devem apresentar crescimento de 8% a 10%, de acordo com a Fenabrave. A projeção foi divulgada pelo vice-presidente Gláucio José Geara, durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018. Segundo Geara essa projeção deve se concretizar se não houver, mais, nenhum percalço na economia por causa da crise política.

 

“Os problemas políticos se descolaram da economia e temos que seguir com nossas vidas.”

 

Geara também apresentou as expectativas da Fenabrave para este ano, com números também positivos, apesar de serem ainda bastante distantes dos atingidos em 2012. Para veículos de passeio a Fenabrave estima vendas de 1 milhão 869 mil unidades, crescimento de 10,7% sobre 2016, e retração de 40% sobre 2012. Em comerciais leves o resultado deve ficar em 313 mil unidades, 5,3% a mais do que em 2016 e 41,2% inferior a 2012.

 

No segmento de caminhões as vendas deverão chegar a 49 mil unidades, retração de 2% sobre 2016, e as vendas de ônibus devem ficar em 14 mil veículos, aumento de 8% com relação a 2016.

 

Geara disse que “o mercado de caminhões voltou ao que era há dezoito anos, e o de ônibus retroagiu 22 anos”.

 

Para aumentar as vendas, Geara colocou o dedo na mesma ferida: maior problema ainda é o crédito: “De cada dez fichas enviadas para as financeiras apenas duas são aprovadas. E quando o assunto é motocicleta somente uma vai para a frente”.

 

Uma solução para este entrave é, segundo Geara, a adoção do cadastro positivo, pois “com isso o spread cai”. Outras condições para o aumento das vendas são, segundo Geara, a modernização da lei de desburocratização da retomada do bem: “Em outros países do mundo a retomada se dá em 2 horas”.

 

Debate – Os demais participantes do debate, Luiz Eduardo Guião, presidente da Assobrav, Carlos Spochiado, presidente da Abrac, e João Batista Saadi, presidente da Assobens, concordaram com Geara. Guião, da Assobrav, pontuou que as taxas de juros devem cair mais: “Todos os sinais são positivos. O fundo do poço já passou”.

 

E ainda disse que os concessionários fizeram a lição de casa e reduziram custos, cuidaram do caixa e tornaram as operações enxutas.

 

Além disso Guião conta com novidades na forma de novos produtos para reforçar as vendas no ano que vem: “Na Volkswagen contaremos com diversos novos produtos, a partir do novo Polo lançado no mês passado, e um novo SUV, o T-Cross, que chega no fim do ano”.

 

Carlos Spochiado, presidente da Abrac, destacou o esforço da marca Chevrolet na venda de serviços durante os anos de crise: “Focamos na qualidade do pós-vendas com sistema Premium de atendimento”.

 

E para atrair novos clientes e negócios Spochiado realçou o lançamento do Equinox, SUV premium que chega ao mercado ainda este ano, com motor 2.0 turbo de 262 cv “e preço bastante competitivo, R$ 149 mil 990”.

 

No segmento de caminhões e ônibus João Batista Saadi, presidente da Assobens, listou diversos fatores que justificam crescimento do mercado em 20% para 2018. O primeiro é a safra 2017-2018, que deverá chegar aos 250 milhões de toneladas – “Há dez anos a safra foi de 130 milhões de toneladas”.

 

Ele recordou que o Brasil conta com frota de 1,1 milhão de caminhões e que, se houver renovação de apenas 7% em 2018, isso representará vendas de mais de 70 mil unidades: “Faz três anos que os clientes não estão comprando e, assim, aposto muito em um mercado de pelo menos 65 mil unidades no ano que vem”.

 

Consumo – A tecnologia tem mudado as características de consumo da população, e compras online, veículos conectados e autônomos também foram tema de debate dos concessionários. Guião, da Assobrav, disse a entidade prepara missão técnica para o Vale do Silício, Califórnia, com todos os concessionários Volkswagen: “O objetivo é fazer uma imersão tecnológica para a rede ficar mais conectada”.

 

Segundo ele a rede VW estará preparada para elétricos e autônomos.

 

No caso da Abrac Spochiado contou que está contratando consultoria para avaliar as mudanças nas características de consumo pois tem a convicção de que “a rede vai mudar muito”. Lembrou-se do programa OnStar, da Chevrolet, que abriu diversos canais de comunicação da montadora com o consumidor e ampliou a conectividade dos veículos com os smartphones.

 

Tema polêmico do mundo dos distribuidores as vendas diretas não são, na opinião dos participantes do painel, um problema para as concessionárias: “O ponto final da entrega do veículo é a concessionária”, afirmou Gláucio José Geara, vice-presidente da Fenabrave, ao dizer que cada marca tem uma convenção com seus representantes a respeito.

 

Na opinião de Guião, da Assobrav, “as novas montadoras fizeram convenções de marca mais modernas com suas redes, e as mais antigas precisam se atualizar”. Já Saadi, da Assobens, acredita que “a Lei Ferrari é perfeita para a distribuição”.

 

Com a modernização dos veículos, eletrificação e automação as vendas de peças e serviços tendem a reduzir. Porém, na visão dos concessionários, como Guião, da Assobrav, isso não será um problema: “A visão de antigamente já não é a mesma. Antes vendíamos automóveis e o resto era um mal necessário, mas agora é um bom negócio”.

 

Spochiado, da Abrac, concordou: “Pós-vendas é tão importante quanto a venda de 0 KM. Hoje é o que salva”.

Foto: Maurício de Paiva

Mercado retoma do fundo do poço, acredita FCA

 

Para o Grupo FCA o setor automotivo não tinha mais para onde cair e, agora, começa a ver a luz no fim do túnel, relatou o seu COO, chief operations officer na América Latina, Davide Mele, durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018: “Chegamos ao fundo do poço e começamos um processo discreto de recuperação”.

 

Para encerrar a retração do mercado e voltar a crescer ele indicou algumas mudanças:

 

“A economia se mostra blindada com relação aos escândalos políticos, se desprendendo um pouco desse cenário. As medidas tomadas pelo governo também estão ajudando o mercado”.

 

A expectativa da FCA para o mercado automotivo deste ano é de 2,2 milhões de unidades vendidas, com mais crescimento para 2018: “O mercado poderá chegar a 2,5 milhões de automóveis vendidos no ano que vem, mas precisamos de equilíbrio político e econômico para que isso aconteça”.

 

Segundo Mele mesmo durante a crise o setor ficou mais competitivo e um dos responsáveis por isso foi o Inovar-Auto, que trouxe mais investimentos e aumentou o nível de qualidade e de tecnologias embarcadas nos veículos nacionais. Dentro deste cenário de crise Mele destacou os investimentos da empresa: “O grupo FCA investiu R$ 21,9 bilhões de 2012 a 2017 no Brasil”.

 

O investimento ao longo de cinco anos foi voltado para diversas áreas, como o desenvolvimento de veículos importantes para a FCA no País, como os Jeep Renegade e Compass, produzidos em Goiana, PE, aumentando a participação do grupo no segmento de SUVs, a picape Toro, que inaugurou um segmento inédito, o Argo, lançamento mais importante da empresa este ano, e o Mobi, que briga no segmento dos hatches de entrada.

 

Mele ainda prometeu duas novidades para o mercado brasileiro nos próximos seis meses: “Esse ciclo de novos modelos será encerrado nos próximos seis meses, com dois lançamentos em dois segmentos diferentes”.

 

Parte desse investimento também foi usado na modernização das fábricas da FCA no Brasil, como a de Betim, MG, que foi atualizada para produzir o Argo, aproximando-se mais da indústria 4.0 e recebendo uma nova cabine de pintura, com 105 m de extensão. A fábrica da Jeep foi desenvolvida para ser uma das mais modernas do grupo, com mais de setecentos robôs participando da produção.

Foto: Maurício de Paiva

Di Si: argentino com carreira no Brasil.

Pablo Di Si não construiu sua carreira no Grupo VW. Executivo com passagens pela CNH, Fiat-Chrysler e Fiat Industrial, completou dez anos no setor automotivo em abril do ano passado. A primeira década profissional o executivo argentino desenvolveu sua experiência no setor farmacêutico, na Monsanto e na Kymberly Clark, sempre na área financeira. Sua chegada à Volkswagen ocorreu em janeiro de 2014 como vice-presidente de finanças e COO [Chief Operative Officer] da VW Argentina. Em 2016 assumiu a operação do país vizinho como Presidente e CEO.

 

Menos de dois anos após ser o primeiro argentino a ocupar a posição máxima da VW desde que a empresa voltou a operar no país vizinho, há 20 anos, Pablo Di Si é alçado a um desafio ainda maior: dar continuidade ao legado de David Powels, que construiu estratégia regional para levar a VW à liderança de vendas na América do Sul, América Central e Caribe até 2025.

 

A tarefa começa pelo Brasil, terra que não é nem um pouco estranha a Di Si. Casado com uma brasileira – que conheceu nos Estados Unidos, segundo a imprensa portenha – já viveu em Curitiba, nos tempos da Case New Holland, em Belo Horizonte e São Paulo, quando foi responsável pelo desenvolvimento de negócios da FCA na região, dentre eles a engenharia financeira para o projeto da segunda fábrica da companhia no País, em Goiana, PE.

 

Há uma semana, no lançamento do Novo Polo, em São Paulo, tivemos a oportunidade de conversar com o até então presidente da VW Argentina. Além do português afiado e da simpatia, Di Si mostrou que conhece o cronograma de investimentos de R$ 7 bilhões até 2020 no País, e a chegada de 20 novos modelos, muitos deles produzidos no Brasil e, provavelmente, na Argentina.

 

Durante este breve contato Pablo Di Si confirmou que o posicionamento mais “premium” do portfólio da VW na região pretende, com os novos produtos, entregar maior valor ao cliente. “Estaremos bem posicionados no mercado com os novos veículos, como o Novo Polo, que oferece uma relação custo-benefício imbatível aos clientes.”

 

A primeira apresentação como Presidente e CEO da VW do Brasil e presidente e CEO para a região SAM será no Congresso AutoData Perspectivas 2018, nesta segunda-feira, 9, no Hotel Transamérica, São Paulo.

 

Foto: Maurício de Paiva

David Powels foi pego de surpresa pelo Grupo VW?

A dança das cadeiras em dois importantes mercados para o Grupo Volkswagen [China e SAM] talvez tenha sido uma surpresa até para David Powels. Há três semanas, estivemos com ele para a entrevista Perspectivas 2018 e ficou evidente que o executivo dava sinais de sua despedida. “Nunca trabalhei tanto como nesses quase três anos. Mas essa transição em 10 campos de atuação para uma Nova Volkswagen me enche de orgulho. Estou energizado para enfrentar qualquer desafio”.

 

A Nova Volkswagen, uma estratégia preparada e liderada por Powels ao assumir a VW do Brasil em 2015, ainda está “no meio do caminho”, conforme ele definiu em nossa última entrevista antes do anúncio de suas novas funções como um dos responsáveis pelo posicionamento da fabricante no maior mercado do mundo. A parceria SAIC-VW, vende 2 milhões de veículos na China.

 

Ainda é muito cedo para saber as razões do Grupo VW ao designar David Powels para essa nova missão. Certamente seu trabalho no Brasil pode ter influenciado de forma positiva na decisão dessa mudança, feita de maneira não usual, já que a troca de executivos geralmente respeitam o prazo dos contratos o que, ao menos pelo o que se sabe, não é o caso de Powels [que completaria três anos no Brasil em janeiro de 2018], tampouco de Di Si – que está há apenas um ano e seis meses à frente da VW Argentina.

 

Legado – Desde que passou a ter a responsabilidade pela Região SAM – que engloba 29 países na América Latina, América Central e Caribe –, em outubro de 2016, Powels levou a filosofia de trabalho iniciado no Brasil para a região, com objetivo de organizar as relações com parceiros, funcionários e clientes, e aumentar a participação da VW. 

 

Em oito meses as exportações a partir do Brasil aumentaram 63%, segundo o executivo. O processo de renovação do portfólio de produtos, com 20 lançamentos até 2020, começando com o lançamento do Novo Polo e a introdução da plataforma MQB, que será a base de produção de novos veículos na região pretende levar a VW à liderança dos mercados da região SAM até 2025.

 

A Nova Volkswagen deixada por Powels será uma “marca voltada às pessoas e aos clientes, oferecendo tecnologias inovadoras em todos os segmentos, produtos desejados, mais eficiente e ágil”. Agora passa a ser uma atribuição de Di Si, que não à toa é fluente em português e, obviamente, em espanhol.

 

Foto: Divulgação

Argentino Pablo Di Si assume a VW na região SAM

Faz uma semana que o argentino Pablo Di Si começou a mudança para a sede da VW em São Bernardo do Campo, SP. Ele deixou a presidência da marca em seu país para substituir David Powels, que passará a 1ª vice-presidente da SAIC Volkswagen em Xangai, China.

 

Desde 1º de outubro Di Si ocupa as credenciais de Powels como Presidente e CEO Da Volkswagen Brasil e também a de Presidente e CEO para a Região SAM, composta por 29 mercados em que a fabricante pretende buscar a liderança até 2025.

 

AutoData teve acesso poucas horas antes do anúncio oficial no País, marcado para as 8h30 de segunda-feira, 9, a confirmação desta importante transição na liderança da fabricante que está a caminho de revolucionar seu portfólio com 20 novos produtos até 2020.

 

Mais que isso: o Congresso AutoData Perspectivas 2018 foi escolhido como o palco para a primeira apresentação de Di Si no Brasil. Ele será o palestrante da VW nesta segunda-feira, a partir das 14h40, no Hotel Transamérica, São Paulo.

 

Foto: Maurício de Paiva

VW projeta mercado 40% maior. Até 2020.

O novo presidente da Volkswagen do Brasil, o argentino Pablo Di Si, está no País há apenas uma semana, mas tem em sua mente a projeção de um crescimento do mercado de 10% anualmente até 2020. Para acompanhar esse desempenho, a caminhada da empresa passará pelo realinhamento da rede de concessionários às características do novo portfólio – serão vinte lançamentos nos próximos três anos – e também pela avaliação dos fornecedores para ver se a rede tem estrutura para corresponder o apetite do crescimento projetado. Há temores de que, como efeito da crise, muitos tenham diminuído sua capacidade de produção a ponto de não conseguirem atender às demandas VW.

 

Busca da liderança. O executivo afirmou, durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018, que o plano que tem em mãos para levar a empresa a recuperar a posição de maior no ranking brasileiro, posto ocupado pela General Motors há dezessete anos, é a continuação de uma base construída por seu antecessor, David Powels – executivo que, dentre as principais ações realizadas enquanto foi o presidente, articulou com a matriz aporte de R$ 7 bilhões destinados à produção nacional de novos veículos e à chegada da plataforma modular MQB, a partir da qual a VW pretende construir seus carros daqui para a frente: “Não seria possível levar adiante nosso plano de obter a liderança do mercado sem o trabalho da equipe que me antecedeu. Estamos prontos para dar continuidade”.

O lançamento do novo Polo, no fim de setembro, é considerado a pedra fundamental da nova Volkswagen, termo utilizado com frequência pelos executivos da companhia nas apresentações públicas. Com o modelo, e outros que virão, a empresa quer aumentar a rentabilidade de seus negócios aqui, pois o volume é considerado um alvo para o longo prazo por causa de sua relação com a saúde do mercado e com o equilíbrio dos indicadores no cenário macroeconômico.

“Tenho medo da inflação e do déficit fiscal, dois indicadores que provocam maior impacto nos negócios da companhia. Ainda que as vendas internas tenham voltado a crescer temos uma visão pragmática porque nem todos os indicadores sinalizam para a manutenção de um cenário favorável.”

Uma vez delimitado o tamanho do mercado a empresa pretende obter mais receita com a venda de veículos que possuem margem maior, como é o caso do Polo e do Virtus, com lançamento previsto aqui para janeiro. Em tese a companhia seguirá buscando volume de vendas com seus modelos consolidados, como o Gol e o Fox, e mais rentabilidade com os novos veículos, os quais se enquadram em categoria acima da de entrada:

“Queremos competir em segmentos nos quais antes não estávamos presentes. Com os vinte lançamentos isso será possível e produzirá retorno importante em termos de receita para a companhia. São produtos novos, feitos para perfis de clientes novos e que exigirão muito trabalho do nosso time de vendas, dos nossos distribuidores”.

 

Uma nova rede. Neste sentido a gestão do novo executivo da Volkswagen focará uma nova configuração para a sua rede de concessionários. Ele afirmou que há um plano sendo discutido em conjunto com a Assobrav, a Associação Brasileira de Distribuidores Volkswagen, para que o varejo passe por um processo de readequação à nova realidade da oferta da empresa no Brasil:

“É um movimento natural quando se constrói um novo portfólio. Montadora e representantes devem falar a mesma língua para que se consiga mais fatia de mercado. A Volkswagen será a líder novamente em algum momento e eles devem estar preparados para esse momento”.

Di Si não entrou em pormenores sobre como planeja conduzir a transformação da rede porque sua chegada ao País é um fato recente e, por isso, precisa conhecer mais sobre os parceiros.

Atualmente a rede de concessionários é formada por 530 lojas, volume 10% menor do que aquele que existia em 2013, ano em que o País e o mercado atingiram seu pico em produção e em vendas. Para Luiz Eduardo Guião, presidente da Assobrav, a Volkswagen deverá aproximar o desenho de sua rede à realidade do mercado atual:

“A quantidade de lojas que há, hoje, é praticamente a mesma da época em que se vendia no País 3,5 milhão de veículos por ano. A Volkswagen deve reduzir a sua estrutura como forma de cortar custos, mas não significa que haverá descredenciamentos. Existem outras formas de se fazer isso, como diminuir o espaço físico de lojas grandes, por exemplo”.

Guião, que também é conhecido no mercado como Dado, disse que 60% da rede são formados por concessionárias multimarcas, e que a chegada dos novos veículos permitirá à VW recuperar representantes que perdeu nos últimos anos, principalmente com a chegada de empresas como a Hyundai: “Não havia um produto para competir com o HB20, e hoje já temos”.

Sobre os R$ 7 bilhões destinados à preparação das linhas para a produção dos novos modelos o novo presidente da Volkswagen disse que a situação atual “segue conforme o cronograma”. Ele estima, sem muito pormenor, que as fábricas da empresa no Brasil hoje operem em torno de 55% da sua capacidade, com alguma alteração para cima a partir da fabricação do Polo e do Virtus. No entanto preocupação maior no contexto produtivo é com relação à situação operacional da cadeia de fornecedores. Di Si foi enfático ao relacionar que o crescimento da empresa no Brasil está diretamente ligado ao uso da capacidade das empresas que abastecem as linhas da VW com componentes:

“É o que mais me preocupa no momento, porque o setor de autopeças teve seu tamanho reduzido drasticamente com a queda das vendas no mercado interno. Então, se eu precisar aumentar minha produção em um dado momento meus fornecedores devem estar preparados para me atender. Queremos manter a produção de componentes aqui”.

Vida pessoal. Pablo Di Si foi admitido na Volkswagen em 2014, depois de passagens pela FCA Automobiles e empresas que atuam em outros setores, como a Kimberly Clark. É formado em finanças pela Universidade de Loyola, Estados Unidos, onde chegou por meio de bolsa de estudos concedida pelo fato dele ter sido jogador de futebol na Argentina.

Embora torcedor do River Plate foi nas categorias de base do Huracán, clube modesto de Buenos Aires, que Di Si começou sua carreira nos gramados: “Tive a oportunidade de estudar em uma universidade importante fora do país por causa do futebol e foi o caminho que escolhi. Não sei se teria me tornado um grande jogador…”.

Foto: Maurício de Paiva

Cummins, FPT e MWM projetam caminhões em alta

As principais empresas fornecedoras de motores para caminhões, Cummins, FPT e MWM, acreditam que 2018 será de crescimento, pois sua expectativa de expansão para o PIB é acima de 2%, o que refletirá diretamente sobre o segmento. Para Luís Pasquotto, presidente da Cummins no Brasil, alguns fatores além do PIB serão responsáveis pelo crescimento no ano que vem:

 

“A taxa de câmbio e a Selic previstas para 2018 estão dentro do que a indústria espera para continuar crescendo. Porém vale destacar que o nível de desemprego, hoje de 14 milhões de pessoas, precisa cair”.

 

Para Amauri Parizoto, diretor de vendas da FPT, outros fatores ajudarão o mercado em 2018: “IPCA em queda, assim como a taxa Selic, aliados ao crescimento do PIB e da produção industrial são fatores que levarão o mercado a crescer”.

 

O diretor da MWM Cristian Malevic também acredita na expansão do segmento: “Precisamos de um crescimento sustentável e algumas medidas que foram tomadas pelo governo ajudarão o setor no ano que vem, como as reformas trabalhistas. A retomada do emprego também é necessária para sustentar o crescimento”.

 

Os três executivos estão otimistas para o ano que vem, mas cada um tem uma expectativa diferente. Pasquotto, da Cummins, acredita “que em 2018 o mercado de caminhões ficará de 74 mil a 78 mil unidades vendidas”.

 

O diretor da MWM, Malevic, é mais otimista: “Se a indústria continuar nesse ritmo de recuperação chegaremos a 84 mil unidades em 2018”.

 

O único que não cravou um número, nem um índice, foi Parizoto, da FPT, que no entanto não escondeu seu otimismo: “O mercado está no caminho da recuperação e temos tudo para atingir ótimos números no ano que vem”.

 

Para este ano eles concordam que o setor está retomando o crescimento, mas têm expectativas diferentes: a Cummins acredita que o mercado fechará perto de 73,3 mil unidades, a MWM espera crescimento maior este ano, com 76 mil unidades – e a FPT não divulgou sua expectativa mesmo destacando que estamos na retomada do crescimento.

 

Luís Pasquotto aproveitou o evento para falar sobre a situação da economia e da crise política do Brasil: “Fala-se de um descolamento da economia com relação à política, porém não acredito que isso esteja acontecendo. Acho que, momentaneamente, a economia está sendo menos afetada pelos escândalos políticos, ainda mais se compararmos com o impacto que sentimos no passado”.

 

Foto: Maurício de Paiva