Renave enfim em setembro, promete Denatran

O Renave, Registro Nacional de Veículos em Estoque, deverá entrar em operação em setembro, de acordo com o Denatran, Departamento Nacional de Trânsito. O sistema está em fase final de desenvolvimento, com testes realizados em concessionárias de Aracaju, SE, e Fortaleza, CE, para os últimos ajustes referentes aos fluxos e funcionalidades dos veículos.

 

Por meio de um sistema eletrônico o Renave permitirá o registro da entrada e da saída dos veículos novos e usados nos estoques de concessionárias e de lojas multimarcas. Ao fazer a compra ou a venda do veículo a loja emitirá a nota fiscal eletrônica. Toda a transação, que hoje é feita em papel, será realizada de forma eletrônica. Isso trará mais segurança ao negócio, proporcionando uma maior garantia na legitimidade do emplacamento de veículos e simplificando os procedimentos burocráticos.

 

De acordo com Carlos Magno da Silva Oliveira, coordenador geral de planejamento operacional do Denatran, o Renave trará benefícios para os concessionários e para as lojas multimarcas: “Os estabelecimentos poderão realizar consultas a bancos de dados do Denatran para conhecer as características do veículo antes do fechar o negócio. O registro do veículo no estoque da empresa pode ser uma forma de obter empréstimos para financiamento do capital de giro com taxas mais atrativas”.

 

Aumento das vendas – A nota fiscal eletrônica diminuirá a informalidade nas revendas, que hoje chega a 85%, de acordo com Elis Siqueira, coordenador da área de informações da Fenauto, Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (foto): “Apenas 20% da compra e venda de veículos usados fazem a transferência formal para as lojas. Por causa da burocracia e das despesas o lojista transfere diretamente a posse do veículo do nome do vendedor para o do comprador, como se não houvesse a sua intermediação. Mas se ocorrer algum problema durante o processo o lojista terá que arcar com os gastos”.

 

Segundo ele as despesas com a transferência do veículo podem chegar a R$ 1,2 mil, envolvendo custos com vistoria, emissão de documentos autenticados em cartório e taxas do Detran. Já o tempo de transferência depende do Estado e pode ser de até 21 dias, como ocorre no Rio Grande do Sul: “Acredito que o Renave aumentará as vendas das revendas independentes. Ao reduzir as despesas e o tempo do processo de transferência é possível reduzir o preço do veículo para o consumidor. Todos acabam ganhando”.

 

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Novos veículos puxarão negócios da ABB no País

O ciclo de lançamentos de veículos no País, que deve se intensificar a partir de 2018 com a chegada de novas famílias de compactos e modelos inéditos de SUVs, é visto pela fabricante de robôs ABB como a oportunidade de expandir suas vendas na região, diversificar a oferta na área de serviços e aumentar o número de máquinas conectadas dentro dos clientes que dão os primeiros passos no universo da indústria 4.0.

 

A companhia, que segundo seus cálculos possui, no mercado brasileiro, 5 mil robôs em atividade com a sua logomarca – dentre os quais 70% estão dentro do setor automotivo –, afirmou que historicamente os períodos de lançamentos são marcados por volumes maiores de vendas de robôs. As novas linhas trazem a reboque equipamentos mais avançados para a montagem das carrocerias dos veículos, e este panorama é favorável aos negócios da ABB no Brasil.

 

Para seu gerente da divisão de serviços, Cássio Scarpi, ainda que o mercado esteja retomando o ritmo de vendas internamente, o que em tese refletiria no desempenho da empresa, muitos dos clientes hoje trabalham na finalização de projetos que envolvem mais automação nas fábricas: “Muita coisa está sendo feita neste momento, mesmo que o mercado esteja longe dos volumes de vendas de 2013. Chegarão novos produtos e, com eles, linhas mais modernas. Já temos diversos pedidos fechados com montadoras instaladas daqui”.

 

Levantamento feito pela consultoria IHS, especializada no setor automotivo, indicou onze lançamentos para 2018 utilizando como base a análise do ciclo de desenvolvimento das montadoras nos últimos anos. São esperadas novidades na BMW, Chery, Mercedes-Benz, Hyundai, Mitsubishi, PSA, Renault Nissan, Jaguar Land Rover, Toyota e Volkswagen.

 

Scarpi afirmou que as conversas com fabricantes e sistemistas se encontram em ritmo avançado no que diz respeito aos novos projetos de linhas de montagem: “Excluindo a FCA, que tem como fornecedor de equipamento de automação uma empresa do próprio grupo, os demais fabricantes são clientes globais que estão otimistas sobre os próximos anos a ponto de se prepararem para um aumento da demanda”.

 

O executivo disse, também, que afora a renovação do ciclo de alguns veículos a chegada de novos equipamentos servirá para aumentar o índice de automação da indústria brasileira: “O gosto do consumidor brasileiro demanda veículos com mais tecnologia, da estrutura ao acabamento, e as fabricantes estão buscando mercados mais exigentes nas exportações. A reformulação das linhas inaugura um novo período para o setor automotivo no caminho da conectividade”.

 

A ABB, ex-Asea Brown Boveri, neste sentido, planeja dobrar o número de robôs conectados no Brasil – aqueles que trocam ideias nas linhas de montagem –, chegando a cem unidades até o fim do ano.

 

Dados de pesquisa divulgada durante o Fórum Econômico Mundial, em janeiro, indicam que o Brasil está na 81ª posição em ranking de competitividade que conta com 138 países. Enquanto o nosso parque industrial conta com dez robôs para cada 10 mil funcionários a Coreia do Sul, líder do índice, soma 478. O governo, na semana passada, deu indícios de que pavimenta o caminho para a chegada de mais equipamentos de automação no País, ao anunciar que zerou a alíquota para a importação destes itens e outros ligados ao setor de autopeças.

 

Remanufatura – A ABB, que importa os robôs vendidos aqui, possui cinco unidades no País: uma em Blumenau, SC, um centro de distribuição e uma fábrica de motores e equipamentos de baixa tensão para o setor elétrico em Sorocaba, SP, um centro de distribuição e uma fábrica em Guarulhos, SP. Nesse último funciona linha de produção de equipamentos para o setor elétrico, centro de desenvolvimento em robótica e, nos últimos meses, uma área de remanufatura de robôs. A nova célula faz parte de um processo de diversificação da oferta da empresa em serviços:

 

“Percebemos que muitos setores que estão começando a se automatizar compraram equipamentos usados, e também há clientes tradicionais que decidiram apostar na manutenção dos seus robôs em vez de comprar equipamentos novos. É um mercado pouco explorado no Brasil”.

 

O centro de remanufatura é o primeiro da empresa na América Latina e tem capacidade para reparar trezentos componentes por ano. Sua concepção foi espelhada na unidade que a ABB possui na República Tcheca, em Ostrava. O equipamento que passa pelo processo, segundo Scarpi, chega a custar de 60% a 70% do valor de um novo.

 

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Bosch projeta alta demanda por conectividade

A Bosch projetou crescimento de 25% no volume de veículos conectados até 2025, chegando a 250 milhões de carros em circulação no mundo todo. O cenário traçado estimulou a companhia a investir na oferta de serviços ligados à conectividade. O mais recente esforço foi a construção de um centro de armazenamento de dados, ou datacenter, na cidade de Bremen, na Alemanha.

 

Segundo Besaliel Botelho (foto), presidente da Bosch do Brasil, serão reunidos nos servidores do local os dados gerados pelos veículos conectados que possuem os sensores da empresa: “O investimento foi de € 1 bilhão no local e mostra como a empresa está se preparando para atender uma demanda que será importante no futuro”. O executivo disse também, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafio da Indústria Automotiva Brasileira, que a estratégia faz parte de um novo pacote de serviços ligados à internet com lançamento esperado para 2018.

 

O serviço citado é o Bosch Automotive Cloud Suite, anunciado em março deste ano. Em linhas gerais, é uma plataforma de software por meio da qual os clientes desenvolvam serviços de mobilidade, seja diagnóstico preditivo ou estacionamento on-line. A oferta da Bosch é fruto de uma parceria com a TomTom e também com os provedores chineses AutoNavi, Baidu e NavInfo.

 

Botelho justifica os esforços da companhia na área de serviços de tecnologia com o atual rumo que a arquitetura dos veículos esta tomando, principalmente após a popularização de motores menores e mais eficientes: “Um motor elétrico tem 200 partes. A combustão, mais de mil. Existe uma transformação total do powertrain no que diz respeito à cadeia de fornecedores. A transformação vai acontecer, as montadoras e os sistemistas estão atentos a isso, e no futuro haverá uma combinação nas tecnologias destes dois lados do setor”. De acordo com balanço da companhia do ano passado, as vendas na área de soluções de mobilidade cresceram 7% na comparação com as vendas de 2015.

 

Crédito da foto: Mauricio de Paiva

General Motors conecta 200 mil carros na América Latina

A General Motors atingiu a marca de 200 mil veículos conectados na América Latina por meio do sistema OnStar, a maioria deles no modelo Chevrolet Onix, disse Péricles Mosca, diretor de OnStar e Maven da GM, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira.

 

O OnStar surgiu há 20 anos nos Estados Unidos e tem em todo o mundo sete milhões de usuários. No Brasil foi lançado em setembro de 2015 no modelo sedã Cruze. Entram na contabilidade da empresa carros equipados com sistemas de entretenimento e navegação de fábrica. O volume de veículos pode aumentar na região em função das vendas do Onix no Brasil, o mais vendido do País até julho com 98 mil 469 unidades. Outros fatores que podem contribuir são o desempenho das vendas da versão Activ nos países vizinhos e a parceria anunciada recentemente com o aplicativo Waze.

 

O sistema da General Motors havia atingido a marca de 130 mil em adesões, em março, desde o seu lançamento no Brasil. O sistema oferece conexão do usuário com o veículo tendo as funções de navegação, monitoramento remoto e uma central de atendimento que dá suporte em emergências, na busca de informações úteis e na localização do carro.

 

O executivo chegou há dois anos na GM com a responsabilidade de expandir a operação da plataforma de conectividade OnStar e o serviço de aluguel e compartilhamento de veículos Maven no Brasil. Este último está em funcionamento aqui apenas nas três fábricas da GM instaladas no Rio Grande do Sul e em São Paulo, restrito ao uso dos funcionários. Não há previsão, segundo Mosca, de estar disponível para fora dos portões da montadora.

 

Nos Estados Unidos, no entanto, detém uma fatia de 9% do concorrido mercado de compartilhamento de veículos. A plataforma Maven tem mais de 35 mil usuários em 13 cidades daquele país e iniciou operação em Nova York em maio deste ano.

 

Crédito da foto: Mauricio de Paiva

Aprovada compra da NXP pela Qualcomm

Foi aprovada nos Estados Unidos a compra da empresa de semicondutores NXP pela Qualcomm no valor de US$ 38 bilhões. Com o negócio a Qualcomm aumentará sua participação no segmento automotivo – a NXP tem onze montadoras como clientes e dez sistemistas – e, globalmente, passa a concentrar mais seus esforços no segmento de conectividade de veículos.

 

Há três anos, quando foi criada, a divisão de negócios para a indústria automobilística da Qualcomm estava abaixo das demais em termos de faturamento. À época, com o mercado de smartphones em alta, o segmento de chips para dispositivos móveis era o que mais gerava receita – a empresa é a principal fornecedora do componente para o iPhone, da Apple. Hoje, o setor automotivo é a terceira área de atuação da companhia e se prepara para ser, com o aumento da demanda por conectividade nos veículos, a principal.

 

De acordo com Marcos Lacerda, vice-presidente da Qualcomm no Brasil, o negócio vai aumentar o número de funcionários da empresa no mundo todo. O quadro saltará dos atuais 30 mil para 70 mil com os funcionários da NXP: “Atualmente está sendo estruturada a nova composição de executivos com a chegada de novos diretores, é cedo para dimensionarmos os impactos da aquisição no Brasil”.

 

O que se sabe, disse Lacerda na segunda-feira, 21, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Brasileira, é que a Qualcomm manterá a marca NXP nos chips vendidos a partir do momento em que for finalizado o processo de integração das duas empresas, que deverá ser finalizado até 2019.

 

Afora a participação em clientes importantes com a aquisição, o negócio vai imprimir uma nova dinâmica à gestão da Qualcomm. Conhecida no mercado como a única empresa de semicondutores do mundo que não tinha fábricas, agora a empresa passa a contar com unidades de produção nos seus ativos. São 33 unidades de produção no mundo todo.

 

No Brasil, a NXP produz componentes na área de conectividade desde 1997 na cidade de Campinas, SP. A unidade também funciona como centro comercial da empresa na América do Sul. A atuação no País, no entanto, começou em 1967 por meio de uma operação local da Motorola.

 

O setor automotivo é o segundo maior mercado de atuação da NXP. No segundo trimestre deste ano, o desempenho com a venda de chips para este mercado foi recorde e atingiu US$ 938 milhões, um aumento de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do último balanço divulgado pela empresa, que é listada na bolsa de valores de tecnologia Nasdaq.

A NXP tem em carteira a Audi, BMW, Daimler, Ford, GM, Honda, Hyundai, Renault Nissan, Tesla, Toyota e Volkswagen. Nas sistemistas, Autoliv, Bosch, Brose, Continental, Delphi, Denso, Fujitsu, TRW, Valeo e Visteon.

 

Crédito da foto: Mauricio de Paiva

Vendas caminham para o melhor mês desde dezembro de 2015

Até sexta-feira, 18, foram emplacados em agosto 113,3 mil unidades de veículos no País, de acordo com dados do Renavam, Registro Nacional de Veículos Automotores, apresentados à AutoData por uma fonte do mercado. Caso mantenha este ritmo nos próximos nove dias úteis até o fechamento do mês de agosto, no dia 31, os emplacamentos chegarão a 207 mil unidades, o melhor desempenho desde dezembro de 2015. O volume envolve também os emplacamentos de caminhões e ônibus.

 

De 2015 pra cá, o mês em que mais houve licenciamentos foi dezembro do ano passado, quando foram registrados 204 mil 329 emplacamentos. Apesar de mostrar uma recuperação das vendas no mercado nacional – que vinha abaixo da casa dos 200 mil desde então –, o volume segue distante do patamar observado no ano de 2013, quando os licenciamentos mensais superavam as 300 mil unidades.

 

De janeiro a julho deste ano foram emplacados 1 milhão 204 mil 260 veículos no País, a uma média diária de pouco menos de nove mil veículos, apontaram dados da Anfavea divulgados no início deste mês. A quantidade de licenciamentos foi 3,4% maior do que a verificada no mesmo período em 2016. Para a entidade, o desempenho traduz a confirmação da retomada das vendas de automóveis e diminuição das perdas no segmento de caminhões.

 

Ao contrário do anunciado para produção e exportações, a Anfavea ainda não reviu projeções de vendas internas para o ano. A entidade manteve em julho, em seu último balanço do setor, a expectativa de crescimento de 4% no mercado brasileiro. Segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale, a entidade ainda não tem confiança para alterar os cálculos. Para ele, o crescimento no semestre está ainda abaixo do projetado para o ano.

Isenta a importação de robôs industriais

O governo publicou um decreto que zera o Imposto de Importação, II, para máquinas e equipamentos industriais sem produção no Brasil. A medida, publicada nesta quinta-feira, 17 foi proposta pela Camex, Câmara de Comércio Exterior, e beneficiará quase cinco mil produtos. Os 4 mil 903 itens importados que anteriormente estavam com alíquota de 2%, estão robôs industriais para indústria automotiva e motores marítimos a diesel.

 

A medida cria um cenário favorável à aquisição destes equipamentos que são aplicados em linhas de montagem das fabricantes de veículos. Os processos descritos no texto da medida incluem robôs para estampagem e punção de portas, capô e tampas traseiras. Para Armando Carvalho, diretor de compras da FCA, zerar o imposto incentiva a indústria a investir na modernização de suas linhas: “São equipamentos importados que têm um alto valor agregado no processo de produção de uma carroceria. Assim, a medida representa um horizonte favorável para aumentar a automação e qualidade dos veículos produzidos aqui”.

 

Segundo dados de uma pesquisa divulgada durante o Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano, indicam que o Brasil está na 81ª posição em um ranking de competitividade que conta com 138 países. Enquanto o nosso parque industrial conta com 10 robôs para cada 10 mil funcionários, a Coreia do Sul, líder do índice, soma 478.

 

Zerar a tributação desses equipamentos pavimenta o caminho das montadoras para a fabricação de novos veículos no País, disse Cassio Scarpi, gerente da área de serviços do departamento de robótica da ABB, empresa que já instalou no País 5 mil robôs, 70% deles em companhias do setor automotivo:

 

“A maioria dos lançamentos que estão sendo feitos demandou das fabricantes a aquisição de robôs novos. Esperamos para 2018 mais anúncios de veículos nacionais, e a medida de zerar o imposto de importação acelera o processo de instalação aqui”. A ABB mantém no Brasil áreas de desenvolvimento e manutenção em robótica e importa seus robôs das fábricas instaladas na Europa.

 

A proposta foi apresentada pelo titular do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, MDIC, na última reunião da Camex, no dia 15 de agosto, e foi aprovada por unanimidade pelo conselho de ministros. Ela passa a valer a partir desta quinta-feira com a publicação da resolução no Diário Oficial da União. Do total de 4 mil 903 itens, 4 mil 552 referem-se à bens de capital e 351 são bens de informática e telecomunicações. A nova regra vale apenas para as máquinas e equipamentos que não tiverem sido internalizados. As novas listas de produtos isentos do imposto de importação já virão com a alíquota reduzida de 2% para 0%.

 

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Iveco aposta no crescimento de uso do câmbio automatizado

A Iveco, do Grupo CNH Industrial, projetou o crescimento de modelos semipesados equipados com câmbios automatizados no mercado brasileiro, e acredita que em dois anos 80% da frota de veículos novos do País tenham este tipo de câmbio. Em 2014 a fatia era de 3%, e aumentou ao longo do tempo em função da demanda por veículos com baixo consumo de combustível. Alinhada com a projeção a empresa estima que metade de suas vendas internas de semipesados corresponda a unidades dotadas de câmbios automatizados.

 

O cenário vislumbrado pela empresa incidirá nos negócios focados no segmento. Na visão da Iveco o horizonte é o de que o crescimento das vendas de caminhões automatizados exigirá estratégia comercial que leve em consideração treinamentos aos motoristas e, mais desafiador, a massificação dessa linha de veículo. Para Ricardo Barion, diretor de marketing para América Latina, assim como ocorre nos Estados Unidos os motoristas brasileiros têm preferência por câmbios manuais:

 

“Já os frotistas, por uma série de razões ligadas à redução de custo e à eficiência operacional, darão cada vez mais preferência à composição de suas frotas com veículos automatizados. Da nossa parte isso exigirá um esforço intenso em treinamento de motoristas por meio da rede de concessionários, para que eles conheçam o produto”.

 

Para Darwin Viegas, diretor de desenvolvimento de veículos comerciais da CNH Industrial para América Latina, os semipesados têm sido cada vez mais utilizados em aplicações que demandam veículos dotados de mais recursos no powertrain, algo que no passado aconteceu no segmento de pesados: “Operações como as de coleta de resíduos e de distribuição de varejistas exigem, hoje, basicamente redução de consumo de combustível em função da alta do preço e queda dos fretes. E quem proporcionará isso são recursos como troca inteligente de marchas e retomada de potência em baixa rotação”.

 

A empresa nutre há algum tempo a ideia de expandir a aplicação do câmbio automatizado também para sua linha de veículos leves, outro segmento no qual os clientes estão mais atentos com relação ao custo operacional. A crise nas vendas de veículos, que se intensificou no País nos últimos anos, no entanto, engavetou o projeto que, em linhas gerais, daria à luz a van Daily com câmbio automatizado, contou Marco Borba, vice-presidente da Iveco para a América Latina: “Estamos acompanhando a retomada do mercado nesse sentido. Por ora a ideia é a de que nosso mix, no ano que vem, seja composto por 70% de veículos com câmbio automatizado”.

 

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O que um câmbio automatizado pode fazer pelos Iveco Tector

O desempenho das exportações do caminhão semipesado Tector aos mercados da América Latina provocou a Iveco a traçar projeto mais agressivo para ampliar sua participação de vendas na região. O plano de expansão gira em torno da versão equipada com câmbio automatizado, lançada na terça-feira, 15, em Sete Lagoas, MG.

 

O veículo já está sendo produzido na planta local e chegará aos concessionários em duas semanas. Ele se junta à versão manual na gama de semipesados da empresa, a qual foi responsável pelo aumento das exportações no ano passado, como disse o vice-presidente Marco Borba: “Acreditamos que a versão automatizada poderá nos ajudar a crescer nesses mercados e, mais importante, abrir espaço em outros novos”.

 

A Iveco declarou que foram exportados, no primeiro semestre, 1,7 mil caminhões, alta de 144% na comparação com o volume exportado no mesmo período do ano passado. Borba reconheceu que o crescimento expressivo se deu por causa de base baixa de exportações, mas destacou que pode aumentar em função de demandas verificadas nos principais mercados da Iveco fora do Brasil: Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai.

 

Na Argentina, onde a empresa mantém fábrica em Córdoba, o segmento de 16 toneladas – no qual atua uma versão do Tector 4×2 – é um dos que mais crescem, de acordo com dados da empresa, que lá vendeu, no ano passado, 2 mil 341 unidades de semipesados. Só no primeiro semestre deste ano o volume foi maior, 4 mil 133 unidades, e isso animou as projeções de vendas da nova versão.

 

O Tector dotado de câmbio automatizado também será produzido na Argentina com as mesmas configurações do veículo brasileiro, assim como versão pesada do modelo exclusiva para o país. A decisão de manter a produção do modelo em ambos os países, disse Borba, aconteceu por causa de questões ligadas às políticas de cada país sobre conteúdo nacional e sua relação com programas de financiamento: “Isso ocorre por causa das exigências do Finame sobre conteúdo local. Na Argentina ocorre o mesmo, de forma que no caso do Tector manteremos a produção do modelo em ambos os países”.

 

Em Córdoba está a produção dos veículos pesados acima de 16 toneladas, e ao Brasil foi reservada a produção de todo portfólio, que inclui a linha leve na plataforma da van Daily, os veículos pesados, tanto a família do Tector quanto a do pesado Hi-Way, e os ônibus.

 

Tanto o Tector nacional quanto o produzido na Argentina são equipados com caixa de câmbio automatizada da Eaton, fabricada em Valinhos, SP, que exportará o componente para a Iveco Argentina. O motor é fornecido pela FPT, que integra o grupo por meio da CNH Industrial.

 

O Tector é produzido em Sete Lagoas, tem 300 cv de potência e atende à norma Euro 5 de emissões.

 

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Consórcios caem no gosto do cliente

As vendas de novas cotas para consórcio de veículos, que inclui carros, caminhões, motos e máquinas agrícolas, aumentaram 7,4% no primeiro semestre deste ano com relação ao mesmo período do ano passado. O número de novos consorciados cresceu de 896,6 mil para 963,2 mil. Como consequência, o volume de créditos comercializados pulou 21,5%, de R$ 23,5 bilhões para R$ 28,5 bilhões. Os dados foram divulgados pela ABAC.

 

As baixas taxas oferecidas pelo consórcio são um dos motivos que impulsionaram esse crescimento, acredita Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da entidade:

 

“Quanto maior o prazo do consórcio mais baixa será a prestação. A taxa de administração também é menor do que o financiamento em função do prazo. Há grupos de consórcios de automóveis com prazo de oitenta meses, de motos com 72 meses e de caminhões com cem meses”.

 

Outro motivo, disse Rossi, é que o consumidor está controlando seu orçamento por causa da crise econômica, substituindo o imediatismo do consumo pelo planejamento financeiro, que é a essência do consórcio.

 

O número de contemplações diminuiu 10,6% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período do ano passado, caindo de 627 mil para 560,4 mil. Consequentemente o volume de crédito disponibilizado diminuiu 5,1%, passando de R$ 16 bilhões 530 milhões para R$ 15 bilhões 680 milhões.

“O consorciado tem acesso ao crédito por sorteio ou por lance. Por causa da crise o consorciado não quer usar reserva financeira para fazer seu lance, o que influencia as contemplações e o volume de crédito ofertado.”

 

Leves e pesados – O número de novos consorciados para veículos leves cresceu 20,5% no primeiro semestre na comparação com igual período do ano anterior, pulando de 428,8 mil para 516,6 mil. No primeiro semestre o volume de créditos subiu 26,7%, de R$ 16 bilhões 98º milhões para R$ 21 bilhões 510 milhões.

 

O número de novos consorciados para veículos pesados também aumentou, 10,4%, no semestre, passando de 21 mil 30 para 23 mil 450 mil. O volume de créditos comercializados cresceu 12,3%, de R$ 3 bilhões 460 milhões para R$ 3 bilhões 8 milhões.

 

Com o fim do Finame, observou o presidente da Abac, o consórcio se tornou uma opção para ampliar ou renovar a frota de caminhões e máquinas agrícolas: “O consórcio é visto como uma forma de investimento, pois o bem será retirado depois de um prazo”.

 

O segmento de veículos representa a maior fatia do total de consórcios, que também inclui imóveis e eletrônicos. Do total de 6 milhões 930 mil de consorciados 6 milhões 6 mil são de veículos, o que corresponde a 87,4%.