O Brasil é um dos países menos competitivos do mundo, indica o índice de competitividade mundial, versão 2017, divulgado pelo IMD, International Institute for Management Development, e pela Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, MG. Do total de 63 países o Brasil ocupa a 61ª posição, na frente de Mongólia e Venezuela.
A metodologia da pesquisa combina dados estatísticos como PIB, inflação e taxa de juros e entrevistas realizadas com centenas de executivos no Brasil, de janeiro a abril. A pesquisa inclui quatro fatores principais de competitividade: desempenho econômico, eficiência de governo, eficiência empresarial e infraestrutura.
A cada ano o Brasil vem perdendo competitividade no cenário mundial. Após atingir sua melhor posição em 2010, o 38º lugar, o País caiu 23 posições. O fato positivo nessa pesquisa é que as empresas brasileiras estão mais competitivas quando se compara o desempenho delas no ano anterior. Em 2017 o Brasil obteve 55 mil 829 pontos no índice agregado de competitividade, que mede esse desempenho, aumento de 4 mil 153 pontos com relação a 2016.

Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral e coordenador do estudo, disse que nem mesmo os investimentos das companhias para driblar a falta de competitividade do País foram capazes de impedir a queda do Brasil no ranking:
“O relatório permite avaliar os avanços e os retrocessos de cada país. Há um ditado que diz que o importante não é nadar mais rápido do que o tubarão, e sim nadar mais rápido do que os outros nadadores. E, neste caso, o Brasil está ficando para trás”.
Para Ricardo Bastos, diretor de relações públicas e institucionais da Toyota do Brasil, o Inovar-Auto ajudou as empresas fabricantes de veículos a adotar práticas de gestão para driblar essa falta de competitividade do Brasil. Segundo ele a obrigatoriedade de aumentar os investimentos em P&D é um exemplo disso:
“A Toyota, por exemplo, inaugurou seu primeiro laboratório na América Latina. Com isso ganhamos em competitividade, pois não precisamos validar materiais ou componentes no laboratório do Japão. Isso gerou mais agilidade nas decisões”.
Bastos, que também é vice-presidente da Anfavea, afirmou que nas discussões para a nova política industrial, o Rota 2030, empresas e governo estudam diminuir a carga tributária que incide sobre veículos produzidos por aqui – hoje, coisa de 37% a 40% em impostos sobre o preço final:
“Há muito imposto cobrado em cascata. O que estamos analisando é a possibilidade da cobrança dos tributos no fim da cadeia, acabando com a re-tributação. Se for adotado será um grande ganho de competitividade para as fabricantes, principalmente na exportação”.
O executivo acrescentou que a meta da Toyota é aumentar em 20% as exportações este ano, chegando a 49,5 mil unidades embarcadas. Até maio suas vendas externas alcançaram 20 mil 869 veículos:“Já fechamos contratos com Costa Rica e Guatemala. E a expectativa é exportamos para Chile, Colômbia e Peru”.
No caso do Chile Bastos ressaltou que a operação brasileira poderá concorrer com unidades do Japão para fornecer o Corola, “mas as exportações do Etios deverão sair daqui”.

Na Mercedes-Benz a parceria com seus fornecedores tem ajudado a driblar o custo Brasil e a ganhar competitividade, principalmente nas exportações. A companhia exporta para América Latina, África e Oriente Médio. De 2014 até o ano passado os seus embarques saltaram de 3 mil 613 caminhões para 6 mil 382.
Luiz Carlos Moraes, diretor de comunicação corporativa e relações institucionais, disse que um exemplo da parceria com os fornecedores é o caminhão leve Accelo: “Ele foi totalmente desenvolvido no Brasil e complementa o portfólio de caminhões para atender a mercados que têm características de transporte similares às do Brasil”.
As vendas do Accelo para países da África e Oriente Médio só aumentam. Se em 2015 foram vendidas quatro unidades em 2016 as vendas aumentaram para 146. Este ano a expectativa é de mais de 425 unidades exportadas.