O desenvolvimento de veículos conectados e a manufatura avançada demandarão, da indústria automobilística, investimentos da ordem de US$ 80 bilhões em tecnologia até 2020. Hoje, essa cifra está em US$ 15 bilhões, segundo pesquisa divulgada na segunda-feira, 5, pela consultoria Frost & Sullivan. Neste contexto, que denota o embarque definitivo do setor rumo ao ambiente digital, o cargo de diretor de tecnologia, ou CIO, na sigla em inglês, ganhará poder de decisão onde, antes, não havia espaço para sua função.
Segundo Yeswant Abhimanyu, gerente de pesquisa de mobilidade urbana da Frost, a indústria automotiva está debruçada em projetos que não envolvem apenas produtos mais modernos, mas também projetos que têm como foco ela mesma. Em um universo onde será possível conectar linhas de produção à internet e carros que enviam informações sobre manutenção às concessionárias, por exemplo, as fabricantes deverão estar preparadas para armazenar e, principalmente, administrar um volume de dados ao qual não estão acostumadas:
“Diria até que muitas sequer estão preparadas para enfrentar este cenário que se aproxima cada vez mais. Um ponto de partida interessante é trazer para junto de si o diretor de tecnologia. Esta função pode ajudar as empresas a tomarem decisões em um ambiente desconhecido por aqueles que hoje estão à frente das decisões corporativas”.
Ele disse, ainda, que os especialistas em tecnologia da informação dentro das fabricantes passaram anos desempenhando um papel de manutenção na infraestrutura das empresas, como compra de equipamento, reparos e instalação de sistemas. No futuro, aponta o analista, será necessário um profissional que faça parte do negócio, ou seja, terão participação ativa nas decisões que envolvam planejamento estratégico:
“A figura do CIO ganhará importância porque sua especialidade, hoje, tem sinergia com o caminho tomado pela indústria, que é o da convergência digital. Serão criados departamentos onde não há, e os que já existem receberão orçamento como acontece em áreas mais tradicionais, como engenharia e finanças”.
A inserção deste novo cargo é feita gradativamente nas fabricantes de todo o mundo, com maior intensidade em fábricas na Europa e nos Estados Unidos por causa das fusões e aquisições de empresas de tecnologia pelas principais empresas do setor automotivo. No Brasil, disse Dorival Alcalde, da consultoria Advance, a estrutura organizacional das fábricas mais recentes já conta com a figura do diretor de tecnologia, e outras estudam contratações no mercado ou investimento em treinamentos nas matrizes onde existe a figura do CIO:
“As fabricantes que estão no Brasil há mais tempo estão enviando profissionais com formação em tecnologia para que passem por treinamentos nas matrizes. É uma forma de acelerar o processo de capacitação, porque este profissional precisa se especializar em negócios atrelados à sua especialidade técnica”.
No País a FCA informou já contar com um CIO em seu quadro de funcionários, André Souza. Na Volkswagen o CIO da matriz, Martin Hofmann, é o responsável pela área de TI de todo o grupo. No segmento de caminhões a MAN informou que a área está ligada ao departamento de finanças, dirigido por Paulo Barbosa. E a BMW informou não ter CIO em seu quadro de executivos.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias